Vacinas não aumentam o risco de artrite reumatoide

Algumas crenças só atrapalham na prevenção de doenças

ARTIGO DE ESPECIALISTA - PUBLICADO EM 21/09/2010

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Dr. Sergio Bontempi Lanzotti Reumatologista - CRM 60377/SP

Não parece haver qualquer associação entre a vacinação de rotina em adultos e o risco aumentado de desenvolver artrite reumatoide. A notícia foi destaque da edição revista Annals of the Rheumatic Diseases. Pesquisadores suecos, liderados por Camilla Bengtsson, do Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia, analisaram o histórico de vacinação de 2.000 pessoas, com idade entre 18 e 70 anos. Neste grupo, estavam pessoas com artrite reumatoide e pessoas sem a doença.

Nos históricos de vacinação analisados pelos cientistas estavam vacinas contra a gripe, o tétano, a difteria, a encefalite transmitida por carrapatos, a poliomielite, o pneumococo e a hepatite A, B e C. Os resultados mostraram que o tipo ou o número de vacinas que uma pessoa toma não tem impacto sobre a probabilidade de desenvolver artrite reumatoide. 

"As conclusões do estudo sueco nos auxiliam no dia-a-dia, pois É preciso combater a crença muito comum de que, em longo prazo, as vacinas podem afetar o sistema imunológico"

Segundo Bengtsson, este resultado não exclui a possibilidade de que as vacinas dadas, mais cedo na vida, ou as vacinas que são raras possam provocar o desenvolvimento da artrite reumatoide. Mas, de uma maneira geral, nossos estudos nos fazem considerar improvável que as vacinas possam ser consideradas fatores de risco para o aparecimento dessa doença.

As conclusões do estudo sueco nos auxiliam no dia-a-dia, pois combatem uma crença muito comum e equivocada: a de que, em longo prazo, as vacinas podem afetar o sistema imunológico e atacar o organismo, provocando condições inflamatórias, como a artrite reumatoide. 

A crença é uma forma de conhecimento popular revestida de convicção, confiança e alto grau de certeza, a respeito de um determinado fenômeno ou objeto. As crenças em saúde, apesar de muitas vezes não corresponderem ao conhecimento científico, não necessitam de comprovação para serem aceitas e incorporadas ao repertório popular. Essa integração ao contexto cultural ocorre em consequência da repetição do que se acredita verdadeiro nos contatos individuais e informais dos grupos sociais, ao longo do tempo. Assim, o conhecimento popular se difunde.

As crenças, conhecimentos, atitudes, valores, emoções e condições sócio-ambientais constituem-se em determinantes da conduta da população em relação à saúde. Em outras palavras, a forma de acreditar do indivíduo impõe influências restritivas ou libertadoras ao seu processo de decisão e ação, no que diz respeito à promoção da saúde, à prevenção de doenças e ao tratamento de determinadas moléstias. 

Concepções errôneas e mitos populares relacionados à saúde estão presentes nos mais variados extratos sociais. Em mais de duas décadas exercendo a medicina, o reumatologista revela que já teve que desmistificar muitas falsas crenças. A consulta médica, às vezes, se transforma numa aula, pois, em alguns casos, o paciente necessita mais de informação correta do que de medicamentos.

O estudo sueco tem implicações práticas sobre as recomendações a respeito de vacinas que os médicos devem repassar à população em geral, e em especial, aos pacientes com risco de desenvolver artrite reumatoide, como filhos de pais com a doença. 

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