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Esteatose Hepática

A esteatose hepática, geralmente chamada de gordura no fígado ou fígado gorduroso , é o acúmulo de gorduras no interior das células do fígado

Por Especialista - publicado em 24/08/2007


Esse mal pode pode levar a uma hepatite (inflamação do fígado) e a cirrose se a hepatite não for diagnosticada e a sua causa não for tratada. Este acúmulo geralmente é causado por uma doença do metabolismo ou por agentes tóxicos como medicamentos e álcool. Como são situações distintas, abordarei neste artigo apenas a esteatose relacionada a distúrbio metabólico.

O acúmulo de gordura no fígado, sem a presença do álcool ou outros agentes externos, é denominada doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA). Dentro dessa denominação geral, chamamos de esteatose hepática (EH) a DHGNA sem sinais de hepatite e da esteato-hepatite não alcoólica (EHNA) a
DHGNA com hepatite. A importância dessa diferenciação é que a EH pode levar a EHNA, que por sua vez pode levar a cirrose a longo prazo.

A esteatose hepática, em quase que a sua totalidade, surge do distúrbio do metabolismo denominado resistência à insulina, que é comum em diabéticos,


obesos e portadores da chamada síndrome metabólica. A insulina é um hormônio que regula diversas funções no organismo, entre elas a função de avisar as células de que há glicose em excesso no sangue, promovendo então a utilização da mesma e o acúmulo do excedente em forma de glicogênio no fígado e a produção e acúmulo de lipídeos, principalmente no tecido adiposo.

De modo muito simplificado, na resistência à insulina, a quantidade de insulina produzida no organismo é normal, mas as células diminuem a sua capacidade de detectá-la. Assim, os tecidos do organismo se comportam como se houvesse pouca insulina, mesmo que a sua quantidade esteja aumentada, e invertem o processo de acúmulo para o de liberação de energia, como se houvesse falta de açúcar no sangue (mesmo que também esteja em excesso).

O resultado é que as gorduras acumuladas no tecido adiposo em forma de lipídeos são quebradas e transformadas em ácidos graxos para a sua utilização como fonte de energia. Este excesso de ácidos graxos será captado e acumulado no fígado, como uma defesa do organismo no sentido de reduzir o acúmulo destes nos vasos sangüíneos, que leva a diversas outras doenças, como infartos cardíacos ou cerebrais.

A esteatose hepática é um achado quase universal em obesos (até 95%) e diabéticos do tipo 2 (até 92%), mas também não é incomum em pessoas magras e não diabéticas, com uma incidência na população geral em torno de 24%, o que torna a condição uma das patologias mais freqüentes no nosso meio e a doença hepática mais comum no mundo. Felizmente, a grande maioria dos portadores não apresenta qualquer outra complicação da doença no fígado (o que não exclui outras complicações não-hepáticas da síndrome metabólica, como aterosclerose, hipertensão arterial, doenças cardíacas e outras).

Cerca de 10 a 20% dos portadores de EH, no entanto, por diversos mecanismos ainda em investigação, evoluem com o surgimento de hepatite, a esteato-hepatite não alcoólica. Nós não sabemos quais os portadores de EH desenvolverão EHNA, nem que fatores desencadeiam essa progressão. Mas a destruição contínua de células do fígado causada pela inflamação, com a formação progressiva de cicatrizes (fibrose) leva a longo prazo à deformidade na estrutura do fígado e comprometimento da sua função, uma condição denominada cirrose hepática, em cerca de 3 a 5% dos portadores de EHNA após 20 anos.


Até que os mecanismos de desenvolvimento da EHNA estejam mais adequadamente desvendados, as estratégias de tratamento estão limitadas a tratar as causas da síndrome metabólica: obesidade, sedentarismo, diabetes e dietas inadequadas, associadas ao tratamento medicamentoso da própria síndrome em

si, através de sensibilizantes à insulina se as medidas anteriores não surtirem o efeito desejado.

Assim, todas as pessoas com quadro sugestivo de resistência à insulina, seja obesidade, diabetes, histórico familiar, dislipidemias (elevações no colesterol e triglicérides no sangue) devem ser investigadas em relação à presença de acúmulo de gordura no fígado e, se o mesmo for encontrado (geralmente por ultrassonografia), em relação à presença de hepatite (através de exames de sangue). Todos devem ter a sua patologia de base tratada ou controlada, com dieta (individualizada para cada pessoa), exercícios regulares e/ou medicamentos, para que seja possível evitar a progressão para EHNA e cirrose.


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 Stéfano  Gonçalves

Escrito por:

Stéfano Gonçalves

Gastroenterologia e Hepatologia

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