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Novo antidepressivo preserva a libido e diminui a variação de peso

O remédio, que acaba de ser aprovado pela Anvisa, também exige prescrição médica cautelosa

Por Minha Vida - publicado em 28/08/2008


Eles são vistos como o remédio da moda: basta qualquer coisa dar errado e pimba! Há quem lance mão dos comprimidos de efeito mágico. É muito arriscado tomar antidepressivos por conta própria. Há efeitos colaterais de vários níveis, além de prejudicar a resposta do organismo a um tratamento prescrito pelo médico , afirma o psiquiatra Joel Rennó Jr, da Associação Americana de Psiquiatria.

Na entrevista a seguir, o médico detalha as diferenças entre os tipos de antidepressivos disponíveis hoje em dia, explica as mudanças nas fórmulas que diminuem a baixa na libido e o ganho de peso, além de alertar para a importância de um acompanhamento do especialista neste tipo de tratamento.

O melhor antidepressivo
O melhor antidepressivo não existe, mas sim aquele que se adaptou melhor ao seu organismo. Na libido, tanto os ISRS quanto os ISRSN podem interferir negativamente. A taxa de descontinuação por eventos adversos foi semelhante ao placebo (substância inócua) na desvenlafaxina, sendo os eventos mais relatados (maior ou igual a 5%) a náusea, vertigem, sudorese, constipação e diminuição do apetite. O ganho de peso e a disfunção sexual, que são dois importantes efeitos colaterais (principalmente pelo relato das mulheres), tiveram baixíssima incidência na desvenlafaxina. Portanto, a medicina atual tem se preocupado em descobrir novas moléculas que tenham eficácia superior aliada a um perfil de efeitos colaterais baixos ou administráveis ao longo do tratamento.

Tricíclicos
Os tricíclicos: ação sobre a serotonina e noradrenalina. Estão caindo em desuso devido seus efeitos colaterais muito pronunciados: diminuição da libido, bloqueio do orgasmo e prisão de ventre nos idosos. A retenção urinária também é comum, um problema grave nos homens com aumento de próstata. Outro cuidado com relação aos tricíclicos refere-se às interações medicamentosas e riscos de arritmias cardíacas em pessoas predispostas e com problemas significativos da condução elétrica do coração.

IMAOS
Os IMAOS são indicados para casos muito graves de depressão, porque possuem uma interação com certos alimentos devido à presença da tiramina, encontrada em queijos, condimentos e vinhos. Não devem ser utilizados, antes ou após os tricíclicos, sem um período de descanso. Alguns medicamentos e anestesias devem ser evitados durante o seu uso. Há pouca prescrição dessa classe de medicamentos na atualidade.

ISRS
Os ISRS, considerados de última geração, possuem efeitos colaterais menos pronunciados e têm ação mais direcionada na serotonina. Exemplos incluem a fluoxetina, sertralina, paroxetina, citalopram e escitalopram.

ISRSN
Os ISRSN, também de última geração, além de menos efeitos colaterais, agem na serotonina e noradrenalina. Costumam ser tão eficazes que os tricíclicos pelo duplo mecanismo de ação e possuem um perfil de efeitos colaterais similares ao dos ISRS. Exemplos são a duloxetina, a venlafaxina e a nova opção que é o succinato de desvenlafaxina (recém aprovado pelo FDA- agência que controla os medicamentos nos Estados Unidos) e a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária Brasileira). A desvenlafaxina é um metabólito ativo da venlafaxina.

Efeitos colaterais
Não existem medicamentos sem efeitos colaterais, nem mesmo os chamados naturais escapam. Alguns pacientes suportam bem essas reações ou sentem em menor intensidade. Antidepressivos de última geração (ISRS e ISRSN) dão menos eventos adversos. Quando surgem, os problemas ocorrem, geralmente, nos primeiros dias ou semanas de tratamento e costumam sumir depois disso.

Bebidas alcoólicas
O uso de álcool deve ser evitado na vigência de todos os antidepressivos. Até porque os reflexos podem ficar bastante prejudicados, causando dificuldades para atividades simples, como dirigir e trabalhar.

Poupando o fígado
O novo antidepressivo a ser lançado, a desvenlafaxina, é um ISRSN com uma estrutura diferente: o seu metabolismo é independente do complexo de enzimas do fígado conhecido como CYP2D6. Na prática, isso significa que a desvenlafaxina tem um baixo potencial de interação medicamentosa, uma grande vantagem para todos os pacientes que utilizam outros

medicamentos. Nas mulheres, por exemplo, seria um desastre uma interação medicamentosa que diminuísse a eficácia do contraceptivo oral que ela estivesse tomando.

Depressão na gravidez
Em relação à prescrição de medicamentos para grávidas, as pesquisas indicam que o tratamento com antidepressivos tricíclicos (ADT) e de inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRS) estão justificados antes, durante e após a gravidez. Não há relatos de malformações congênitas ou a taxa encontrada foi igual da população geral, em mulheres que não tomavam quaisquer medicamentos (3%-4%). Os riscos e benefícios devem ser cuidadosamente avaliados pelo especialista. Não podemos também deixar de salientar que a própria depressão da gravidez não tratada pode oferecer riscos para a mãe e feto (baixo peso e parto prematuro). De preferência, devem ser evitados antidepressivos muito novos ou recém-lançados, cujos efeitos na gravidez ainda são desconhecidos.

Ação diferente nos homens e mulheres
Não há diferenças clínicas entre homens e mulheres. O único fator que precisa ser notado é a interação entre estrógenos orais e antidepressivos. Através de alterações no metabolismo hepático, os primeiros podem aumentar a chamada biodisponibilidade dos antidepressivos, com mais risco de efeitos colaterais acentuados.

Tratamento em xeque
O uso inadequado de um determinado antidepressivo no presente significa que o tratamento da depressão está sendo feito de forma incorreta. Em casos graves, depressão tende a se tornar crônica. Quando há permanência de sintomas residuais depressivos (em um subtratamento ou administração errada do medicamento), a resposta a tratamentos futuros pode ficar prejudicada, além de aumentarem as chances de recaída.



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