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Desvende as verdades e as mentiras sobre a catarata

Deixando as dúvidas de lado, você aprende a se proteger contra a doença

Por Minha Vida - publicado em 11/09/2008


Você já presenciou casos de catarata na família, faz uso de lentes corretivas diariamente e trabalha horas na frente do computador. A suspeita surge então: será que a combinação de fatores faz você ficar mais vulnerável à catarata?

Para esclarecer o que influencia e o que não passa de mito quando o assunto é o surgimento da doença, o Minha Vida montou uma lista de hábitos e idéias que rondam a catarata, e buscou especialistas para acabar com as dúvidas. A seguir, Virgilio Centurion, oftalmologista e diretor do Instituto de Moléstias Oculares, e Humberto Cunha, oftalmologista do Hospital de Brasília, esclarecem as questões e dão conselhos para prevenir a doença.

Passar horas continuadas na frente do computador
Ao abusar do tempo passado em frente à máquina, você pode sofrer com dores de cabeça, olhos cansados e secos, e sentir a visão embaçada. No entanto, tais sintomas não estão relacionados à catarata, e sim à síndrome da visão de computador.

"Apesar de o transtorno não existir do ponto de vista científico, os efeitos do uso do computador sobre a visão já são tão marcantes que uma área da ciência multidisciplinar foi criada para estudá-los, a ergoftalmologia", informa Virgilio Centurion, oftalmologista e diretor do Instituto de Moléstias Oculares.

De acordo com ele, o cansaço visual é uma reação natural dos olhos à tensão a que são submetidos. "O usuário precisa forçá-los constantemente para focar e enxergar imagens bem definidas a partir de pontos minúsculos chamados de pixels", explica o especialista.

Algumas medidas simples poupam os olhos de quem precisa passar horas diante da tela do computador. Entre as atitudes positivas, Virgilio cita a lubrificação dos olhos durante o dia. "Quem tem desconforto visual ou dor de cabeça deve fazer pausas enquanto utiliza o computador, olhando para um ponto no horizonte, a uma distância de, pelo menos, seis metros. Isso proporciona o relaxamento do músculo da acomodação", ensina mais um truque.

Certifique-se também, de que a máquina esteja um pouco abaixo ou na altura dos olhos, nunca acima. "Quando o equipamento fica acima dos olhos, ocorre um aumento da fenda palpebral, causando uma exposição maior dos olhos e fazendo a lágrima evaporar mais rápido", esclarece o oftalmologista. Ainda é recomendável o uso de proteção de tela para controlar a luminosidade que chega aos olhos.

Para os adeptos das lentes de contato que, além de trabalhar com computador, ainda enfrentam o ar condicionado do escritório, o conselho de Virgilio é fazer uso de colírio lubrificante. "Ele ameniza os sintomas da fadiga visual, driblando a ardência, irritação e secura", garante.

Ter algum parente que já sofreu de catarata
Mais uma relação que não corresponde às verdades sobre a doença. Nenhum estudo comprova que o fato de algum parente já ter sofrido com a catarata aumenta as possibilidades de você também desenvolver o problema.

A melhor maneira de prevenir a doença é freqüentar o oftalmologista anualmente. "A partir dos 40 anos, a visão começa a dar sinais de mudança e a visita ao especialista é ainda mais importante", lembra o médico do IMO.

Ainda de acordo com Virgilio, a presbiopia ou vista cansada é um dos motivos de preocupação com a saúde oftalmológica e costuma aparecer depois dos 40. Ele explica que o problema é uma alteração que acontece no cristalino e no músculo ciliar, dificultando a visão de perto. Com a entrada na quinta década da vida, a catarata e a degeneração macular podem entrar em cena e, por isso, as consultas oftalmológicas precisam ser mais obrigatoriamente anuais.

Ser diabético
Segundo Virgilio Centurion, a incidência de catarata realmente é maior na população diabética devido ao sorbitol (poliálcool resultante do metabolismo do açúcar), que se acumula no cristalino.

"Já em situações de hiperglicemia, o cristalino absorve água e é ampliado, provocando miopia no paciente. À medida que a taxa de açúcar no sangue volta aos níveis normais, o cristalino se desidrata e retoma o tamanho original. A repetição dessa situação, no entanto, altera as fibras da estrutura do cristalino, resultando em opacificação", detalha sobre mais um fator que leva à predisposição dos diabéticos a sofrer com a catarata mais cedo e com mais freqüência. 

A falta de controle da glicemia pode ainda afetar exames de refração, acusando uma miopia que não existe ou em um grau maior, se comparada com a miopia apresentada com a glicemia equilibrada. O especialista alerta que é muito importante o oftalmologista ter informações precisas sobre a taxa de glicemia do paciente antes de prescrever os óculos. 

O segredo para evitar as complicações oculares do diabetes é o controle rigoroso dos níveis de glicemia. "O controle do diabetes requer visitas constantes ao oftalmologista. A harmonia de ação entre este profissional e o demais especialistas que acompanham o paciente é fundamental", frisa Virgilio. 



Usar lentes corretivas o dia todo
As lentes de contato foram feitas para o uso diário, de 12 a 14 horas. Usá-las além desse período, dormir com elas ou não intercalar seu uso com os óculos causam alguns incômodos. Geralmente, as causas desses incômodos estão relacionadas a olhos secos, irritabilidade e fadiga visual. Mas, nada têm a ver com a catarata. 

O primeiro passo de quem deseja trocar os óculos pelas lentes é expor o desejo ao oftalmologista. Ele fará os testes necessários, saberá orientar sobre o tipo de lente mais adequado e dará conselhos sobre manutenção do acessório. O acompanhamento do profissional durante a fase de adaptação também é essencial. "Às vezes, independente da validade e da assepsia adequada, o paciente pode ser obrigado a trocar seu tipo de lente", explica.

Virgilio alerta que o uso de lentes de contato requer cuidados. "Mesmo aquelas embalagens que indicam próteses próprias para dormir precisam ser retiradas a cada dois dias. O especialista deve ser visitado freqüentemente para avaliar os riscos de desenvolvimento de úlcera de córnea, que aparece mais facilmente nos adeptos das lentes de uso prolongado".

Forçar a vista, lendo em locais pouco iluminados
Apesar de não ser um hábito recomendado, você não corre o risco de desenvolver a doença por causa dele. "Ler no escuro pode provocar a famosa vista cansada, diminuindo a performance visual", alerta o especialista do IMO. Virgilio informa que iluminação adequada, seja ela natural ou artificial, faz parte da boa conduta para preservar a visão.

Ainda de acordo com o oftalmologista, a boa iluminação é aquela que oferece contraste e quantidade de luz ideais para a realização de determinada tarefa. Enquanto isso, a iluminação que cria ofuscamento é a mais prejudicial aos olhos. "Na hora de ler, posicione a lâmpada a uns 50 centímetros acima da sua cabeça. A luz deve incidir pelo lado contra-lateral à mão que escreve. Com essa posição, 60 watts de potência na lâmpada são suficientes para iluminar o ambiente de leitura", recomenda. 

Fumar
Os fumantes apresentam um risco duas vezes maior de desenvolver a catarata, indicando mais um motivo para abandonar o cigarro. Estudos científicos comprovam que quanto mais alguém fuma, maior a chance de desenvolver catarata. Ao fumar, a pessoa também aumenta a probabilidade de sofrer com a degeneração macular relacionada à idade ou DMRI. "A DMRI representa, hoje, a principal causa de cegueira no mundo ocidental, em pessoas com mais de 50 anos", constata o médico do IMO. 

"Os efeitos maléficos do tabagismo também estão associados à queda das pálpebras, provocando uma diminuição do campo visual e podendo acarretar a oftalmopatia de Graves", fala Virgilio sobre a doença que tem sintomas como retração palpebral, edema, lacrimejamento e fotofobia. 

Expor-se ao sol, sem a devida proteção dos olhos
A exposição do cristalino à radiação ultravioleta de maneira contínua está entre as prováveis causas do desenvolvimento da catarata. "Daí a importância da proteção anti-UV com lentes especiais", destaca o oftalmologista Virgilio Centurion.

Humberto Cunha, oftalmologista do Hospital de Brasília, ressalta que a prevenção, neste caso, é das mais simples: basta se proteger com os óculos escuros. Óculos de sol piratas, no entanto, são ainda mais perigosos que a falta do acessório. A pupila, que automaticamente se fecharia diante da luminosidade, fica dilatada quando utilizamos lentes escuras, deixando os olhos mais vulneráveis à ação dos raios , explica Virgilio.

Na hora da compra dos óculos escuros, verifique o nível de proteção contra a radiação ultravioleta (tanto UVA quanto UVB) que as lentes oferecem. Tal informação deve estar disponível no adesivo afixado aos óculos ou em livretos contendo informações técnicas sobre o produto.

Fazer uso de corticóides
"O uso diário de corticóides pode provocar o aparecimento da catarata", confirma Virgilio. Tratamentos prolongados à base do medicamento podem resultar em problemas como a catarata devido à absorção sistêmica.

Segundo Humberto, é sempre aconselhável que o paciente procure um médico para estabelecer um regime de acompanhamento do uso de corticóide. Discutir a possibilidade de tomar doses mínimas é mais um conselho do especialista do Hospital de Brasília.



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