Evite as doenças de pele no verão

Frieiras; micoses e fungos nas unhas e nos cabelos aumentam junto à transpiração

POR REDAÇÃO - ATUALIZADO EM 02/12/2010

Com a chegada do verão é natural o aumento da transpiração e umidade do corpo, conseqüentemente aumentam os casos de micoses, uma doença causada por dermatófitos, fungos que aproveitam as condições favoráveis, para se reproduzirem e desencadear um processo infeccioso. Diante da problemática, o dermatologista Valter Claudino, do Hospital e Maternidade Portuguesa de Santo André, recomenda que os indivíduos redobrem os cuidados com a higiene para evitar a contaminação, já que os fungos estão presentes em todos os lugares.

A micose pode ser superficial ou profunda. No primeiro caso, os fungos atingem a parte externa da pele, ao redor dos pêlos ou das unhas e alimentam-se de queratina - proteína. A micose superficial mais comum é a frieira, também conhecida como pé-de-atleta, e normalmente atinge a pele entre os dedos dos pés.

Já as micoses profundas - infecções fúngicas - afetam a profundidade da pele. Porém ela pode ser subcutânea, atingindo a circulação sangüínea e linfática, além de chegar aos órgãos internos como pulmões, intestinos, ossos e até o sistema nervoso, gerando sérias complicações.

Existem diversos tipos de micoses, que atingem áreas diversas do corpo e manifestam-se de forma parecida, confira na tabela abaixo:

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Protetor Solar - Foto Getty Images
Protetor Solar

Pitiríase versicolor
Como identificar: manchas brancas, vermelhas ou acastanhadas, recobertas por discreta descamação.
Áreas atingidas: face, pescoço e couro cabeludo

Pitiríase Alba
Como identificar: manchas brancas, sem escamação, provocadas em peles desidratadas após exposição ao sol. Não se trata de micose.
Áreas atingidas: pele, em geral

Tinea cruris
Como identificar: áreas avermelhadas e descamativas. Acompanha muita coceira.
Área atingida: virilha

Tinea intertriginosa
Como identificar: manchas avermelhadas e coceira.
Áreas atingidas: abaixo das mamas, comum em obesos

Tinea interdigital
Como identificar: placas esbranquiçadas com fissura e descamação.
Áreas atingidas: entre os dedos das mãos e pés

Onicomicose
Como identificar: deformação e esfarelamento da unha que também descola do dedo
Áreas atingidas: unhas das mãos e dos pés.

Diferente do que muita gente pensa, a micose de praia pitiríase versicolor não é adquirida no litoral ou piscina, o fungo causador da doença está presente na pele, porém o desenvolvimento ocorre somente em algumas pessoas e não permite que a pele contaminada se bronzeie durante exposição ao sol, apresenta manchas claras, castanhas ou avermelhadas.

As formas mais comuns de se contrair a doença são por meio do contato com animais de estimação; chuveiros públicos; lava-pés de piscinas e saunas; andar descalço em pisos úmidos ou públicos; toalhas compartilhadas ou mal-lavadas; equipamentos de uso comum como botas e luvas; roupas e calçados de pessoas infectadas; alicates de cutículas, tesouras e lixas não esterilizadas; contato com material contaminado e o uso de roupas úmidas por tempo prolongado.

Na maioria dos casos, os principais sintomas são coceiras, alterações da pele como manchas de coloração avermelhada ou esbranquiçada, lesões que variam de tamanho e quantidade. As crianças podem ser atingidas pelas brotoejas, que se manifestam por meio de bolinhas de água, principalmente na região do pescoço, resultado do calor e do excesso de transpiração.

A cura para a doença pode demorar alguns meses, porém existem medicamentos eficazes e seguros para o tratamento, que variam de acordo com o tipo da doença, e exige persistência, já que muitas vezes o fungo parece ter sido eliminado, quando na verdade ele ainda permanece no corpo. Portanto, o tratamento não deve ser interrompido e é importante seguir todas as orientações do especialista.

Além de evitar todas as formas de contágio, o ideal também é adotar alguns procedimentos que visam diminuir o risco de se contrair a micose, como usar sandálias; enxügar bem as áreas de dobras e espaço entre dedos dos pés e virilhas; utilizar roupas íntimas de algodão, já que as sintéticas dificultam a transpiração; evitar o uso de roupas quentes e justas; não utilizar pentes ou escovas de outras pessoas, entre outros cuidados.

Segundo o dermatologista, a micose é uma das doenças mais comuns na época do Verão, porém deve-se ficar atento para diversas outras problemáticas e jamais esquecer do protetor solar, mesmo quando não há exposição prolongada ao sol. Outra doença de pele típica da estação é a larva migrans ou bicho geográfico, causada por parasitas intestinais do cão e do gato, que ao defecarem na terra ou areia eliminam nas fezes ovos que se transformam em larvas, que penetram na pele causando a doença. "As pessoas também devem ficar atentas com as frutas cítricas, como o limão, figo, manga e caju, pois o sumo em contato com a pele exposta ao sol pode causar manchas, tipo queimadura", alerta o especialista.

Os tratamentos dessas doenças podem ser feitos com medicamentos de uso tópico, como pomadas, em alguns casos remédios via oral.

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