Fobia: sintomas, tratamentos e causas

REVISADO POR
Dr. Cyro Masci
Psiquiatria - CRM 39126/SP
especialista minha vida

Visão Geral

O que é Fobia?

A fobia é um medo persistente e irracional de um determinado objeto, animal, atividade ou situação que represente pouco ou nenhum perigo real, mas que, mesmo assim, provoca ansiedade extrema.

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Fobia nem sempre é uma doença em si. Pode ser um sintoma de outra causa subjacente – geralmente um transtorno mental. De qualquer forma, o medo sentido por pessoas que têm fobia é completamente diferente da ansiedade que é natural dos seres humanos. O medo, por si só, é uma reação psicológica e fisiológica perfeitamente que surge em resposta a uma possível ameaça ou situação de perigo. Já a fobia não segue uma lógica propriamente dita, e a ansiedade nesses casos é incoerente com o perigo real que aquilo representa.

A fobia costuma ser de longa duração, provoca intensas reações físicas e psicológicas e pode comprometer seriamente a qualidade de vida de quem a tem.

Tipos

Existem diversos tipos de fobias, que vão desde o medo intenso de situações sociais (fobia social), de lugares cheios de pessoas (agorafobia) até o medo de animais, objetos ou situações específicas (fobia simples).

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais, a fobia simples pode ser dividida em, pelo menos, cinco categorias:

  • Animais (aranhas, cobras, sapos, etc.)
  • Aspectos do ambiente natural (trovoadas, terremotos, etc.)
  • Sangue, injeções ou feridas
  • Situações (alturas, andar de avião, elevador ou metrô, etc.)
  • Outros tipos (medo de vomitar, contrair uma doença, etc.).

Causas

A causa de muitas fobias ainda é desconhecida pelos médicos. Apesar disso, há fortes indícios de que a fobia de muitas pessoas possa estar relacionada ao histórico familiar, levando a crer que fatores genéticos possam representar um papel importante na origem do medo persistente e irracional.

No entanto, sabe-se também que as fobias podem ter uma ligação bastante direta com traumas e situações passadas. Isso acontece porque a maioria dos problemas emocionais e comportamentais é desencadeada por dificuldades que uma pessoa enfrentou ao longo da vida. Todas as pessoas passam por momentos difíceis, mas algumas delas podem desenvolver, com o tempo, sentimentos de angústia que podem evoluir para um quadro de fobia.

Fatores de risco

Apesar de as causas de uma fobia não estarem totalmente esclarecidas, os médicos e psiquiatras acreditam que uma série de fatores possa estar envolvida. Veja:

Idade

Alguns tipos de fobia se desenvolvem cedo, geralmente na infância. Outras podem ocorrer durante a adolescência e há aquelas que também podem surgir no início da vida adulta, até por volta dos 35 anos de idade.

Histórico familiar

Se alguém de sua família tiver algum tipo fobia, você tem mais chances de desenvolvê-la também. Esta poderia ser uma tendência hereditária, mas especialistas suspeitam que crianças sejam capazes de aprender e adquirir fobia somente observando as reações de uma pessoa próxima, da mesma família, a alguma situação de pouco ou nenhum perigo.

Temperamento

O risco de se desenvolver uma fobia específica pode aumentar se você tiver temperamento difícil, for sensível e tiver um comportamento mais inibido e retraído do que o normal.

Evento traumático

Passar por uma situação traumática ou por uma série de eventos traumáticos ao longo da vida podem levar ao desenvolvimento de uma fobia.

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Sintomas

Sintomas de Fobia

Os sinais e sintomas dependem muito do tipo de fobia que você tem. No entanto, independentemente do tipo, algumas características são notadas em todos os indivíduos que apresentam fobias:

  • Sentimento de pânico incontrolável, terror ou temor em relação a uma situação de pouco ou nenhum perigo real
  • Sensação de que você deve fazer todo o possível para evitar uma situação, algo ou alguém que você teme
  • Incapacidade de levar sua vida normalmente por causa de um medo ilógico
  • Presença e aparecimento de algumas reações físicas e psicológicas, como sudorese, taquicardia, dificuldade para respirar, sensação de pânico e ansiedade intensos, etc
  • Saber que o medo que sente é irracional e exagerado, mas mesmo assim não ter capacidade para controlá-lo.
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Diagnóstico e Exames

Buscando ajuda médica

Caso você ou alguém que você conheça está apresentando algum tipo de medo irracional, ilógico ou desproporcional a alguma situação, procure ajuda psiquiátrica para tratar deste medo. Principalmente se o medo sentido estiver comprometendo gravemente a qualidade de vida e estiver prejudicando o desempenho no trabalho, nos estudos e nos relacionamentos.

Na consulta médica

Qualquer médico pode diagnosticar uma fobia, mas os médicos que estão mais familiarizados com o problema são:

  • Psiquiatra (primeiro lugar, é o especialista no transtorno, o único listado que tem formação específica para o problema)
  • Psiquiatra Infantil
  • Neurologista (não é especialista mas na prática clínica acaba atendendo muita gente com o problema
  • Clínico Geral (não é especialista mas na prática clínica acaba atendendo muita gente com o problema
  • Pediatra.

Um profissional não médico que também faz o diagnóstico é o psicólogo.

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quando o medo persistente por determinada situação, algo ou alguém começou?
  • O medo cresceu com o passar do tempo?
  • Você considera seu medo ilógico, irracional ou desproporcional?
  • O que as outras pessoas já lhe disseram sobre o medo que você sente?
  • O que te faz ter medo?
  • Você apresenta outros sintomas quando sente medo? Quais?
  • Qual a intensidade destes sintomas?
  • Você sente que o medo está comprometendo sua qualidade de vida? Em que sentido?
  • Você foi diagnosticado com alguma condição de saúde mental? Qual?
  • Você tem outros sintomas que possam ser considerados ilógicos, exagerados e também desproporcionais?
  • Você tem algum parente próximo que sofra de alguma fobia?
  • Você já procurou ajuda médica antes?

Diagnóstico de Fobia

Não existem exames laboratoriais capazes de diagnosticar uma fobia. O diagnóstico, em vez disso, é baseado em uma entrevista clínica minuciosa. A avaliação final do especialista seguirá algumas diretrizes diagnósticas.

Para ser diagnosticada com uma fobia, uma pessoa deve se enquadrar em determinados critérios presentes no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, publicado pela Associação Americana de Psiquiatria. Este manual é usado por diversos especialistas de saúde mental para diagnosticar condições psiquiátricas e psicológicas.

Os critérios de diagnóstico variam muito de acordo com o tipo de fobia.

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Tratamento e Cuidados

Tratamento de Fobia

O tratamento para a fobia tem como objetivo reduzir a ansiedade e o medo provocados por motivo ilógico, irracional e exagerado, ajudando no gerenciamento das reações físicas e psicológicas decorrentes deste medo.

Há três diferentes tipos de abordagem que podem ser seguidos pelos especialistas e pacientes: a psicoterapia, o uso de medicamentos específicos ou, ainda, a união de ambos.

Betabloqueadores, antidepressivos e sedativos costumam ser as medicações mais recomendadas pelos médicos e, quando unidas a terapias comportamentais, o resultado costuma ser bastante eficiente.

Medicamentos para Fobia

Os medicamentos mais usados para o tratamento de fobias são:

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

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Convivendo (prognóstico)

Complicações possíveis

Se não forem devidamente tratadas, as fobias podem comprometer gravemente a vida das pessoas e levá-las a situações extremas.

  • Isolamento social: evitar lugares, coisas e pessoas que você teme pode causar problemas profissionais, familiares e de relacionamento
  • Depressão: muitas pessoas com fobias estão mais sujeitas a desenvolver depressão e outros transtornos de ansiedade
  • Abuso de substâncias: o estresse de viver e conviver com uma fobia pode levar ao abuso de substâncias e à dependência química e psíquica, como o tabagismo, o alcoolismo e o vício em determinados tipos de drogas
  • Suicídio: alguns indivíduos com fobias específicas são mais propensos a cometer suicídio.
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Prevenção

Prevenção

Como as causas de fobias são desconhecidas pelos médicos e especialistas, infelizmente não há formas conhecidas de prevenção. Buscar ajuda médica é sempre o melhor caminho para pessoas que já apresentem os sintomas.

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Fontes e referências

  • Revisado por: Cyro Masci, psiquiatra e Diretor da Clínica Masci, em São Paulo (CRM/SP 39126)
  • Clínica Mayo – organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos que reúne conteúdos sobre doenças, sintomas, exames médicos, medicamentos, entre outros.
  • Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde (BVS MS) – site que reúne publicações, folhetos, cartazes, vídeos e legislação para acesso online produzidos pelo Ministério de Saúde e pelas entidades vinculadas.