Endoscopia digestiva alta: exame

Procedimento pode identificar ou acompanhar doenças do aparelho digestivo

REVISADO POR
Dr. Dalton Chaves
Endoscopia - CRM 65213/SP
especialista minha vida

O que é endoscopia digestiva alta

Endoscópio é inserido através do sistema digestivo - Foto: Getty Images
endoscopia gástrica alta

A endoscopia digestiva alta é um exame que analisa a mucosa do esôfago, estômago e o duodeno (primeira parte do intestino delgado). Ela é feita usando um tubo flexível (endoscópio) que tem na ponta um chip responsável por capturar as imagens do sistema digestivo como uma câmara.

Outros nomes:

Endoscopia gástrica alta e Esofagogastroduodenoscopia

Quando o exame é pedido

A endoscopia digestiva alta é solicitada pelo médico se você apresentar um ou mais sintomas que sugerem serem decorrentes do esôfago, estômago ou duodeno, que podem ser novos ou então que não estão respondendo ao tratamento inicial. Alguns exemplos são:


  • Sentir-se sem apetite ou saciedade (depois de comer menos do que o habitual)
  • Sentir que a comida está presa atrás do esterno (sensação de corpo estranho)
  • fezes negras
  • vômito com sangue
  • Azia
  • Baixa contagem de hemácias (anemia) que não pode ser explicada
  • Dor ou desconforto na parte superior do abdômen
  • Dificuldade ou dor para deglutição
  • Perda de peso que não pode ser explicada
  • Náuseas ou vômitos que não passam.

Seu médico também pode solicitar este teste se você:


  • Tem cirrose no fígado: o exame identifica varizes nas paredes da parte inferior do esôfago, que se não tratadas podem romper e começar a sangrar
  • Precisa de acompanhamento ou tratamento para uma doença do aparelho digestivo que já foi diagnosticada:O exame também é indicado para a pesquisa do Helicobacter pylori, bactéria responsável pela maioria das úlceras e muitos casos de inflamação do estômago (gastrites).

Usos terapêuticos da endoscopia gástrica alta

A endoscopia digestiva alta também pode ser usada como procedimento terapêutico, uma vez que é considerado um método minimamente invasivo e não requer incisões na região abdominal.

Colocação de balão intragástrico para tratamento de obesidade;Colocação de sondas em pacientes com dificuldade de deglutição;Realizar gastrostomia;Retirada de pólipos (polipectomias);Ligadura elástica / escleroterapia de varizes esofágicas;Remoção de corpos estranhos (moedas engolidas por crianças, por exemplo);Tratamento de lesões sangrantes (úlceras, lesões vasculares, tumores, etc);Dilatação de estenoses (do esôfago, estômago ou duodeno)

A endoscopia digestiva alta também é usada para a realização de biopsias da mucosa do esôfago, estômago ou duodeno.

Como é feita a endoscopia gástrica alta

É aplicado um sedativo intravenoso e uma anestesia local na garganta com xilocaína, que é opcional(borrifada pela cavidade bucal apenas para diminuir tosse ou engasgos). Por conta da sedação, o paciente não sente nenhuma dor e nem se lembra do procedimento. Um protetor de boca será colocado para impedir que você morda no endoscópio. Uma punção venosano braço será realizada previamente ao exame para injetar os sedativos.

Depois que os sedativos fizerem efeito, o endoscópio é inserido através da boca, passando pleo esôfago e estômago até o duodeno. O chip captura as imagens que são transmitidas para uma máquina processadora, que exibe as imagens por uma tela em tempo real. A mucosa do, esôfago, estômago e duodeno é examinada.

Além de capturar imagens, o exame de endoscopia também é usado para realizar biópsias. Após o teste ser concluído, você não será capaz de comer ou beber até que a sedação e anestesia percam o efeito.

Tempo de duração da endoscopia digestiva alta

A endoscopia digestiva alta dura cerca de 5 a 20 minutos, dependendo da complexidade do procedimento.

Pré-requisitos para fazer o exame

É necessário ficar em jejum absoluto durante 8h horas antes da endoscopia e assinar um termo de consentimento. É de extrema importância que o paciente esteja acompanhado de um adulto, pois com a sedação ele poderá precisar de ajuda para se locomover após o exame. Em alguns casos, o médico pode orientar o paciente a cessar o uso de medicamentos que alteram a coagulação do sangue, como anticoagulantes, dias antes do exame.

Periodicidade do exame

A endoscopia pode ser feita apenas uma vez ou com uma periodicidade determinada pelo médico, para fins de acompanhamento de uma doença instalada ou para verificar o andamento de um tratamento.

Recomendações pós-exame

Por conta da sedação, o paciente não poderá fazer qualquer atividade que exija muita concentração, como trabalhar ou dirigir. O ideal é que ele saia do hospital e fique em casa, em repouso, até o efeito do sedativo cessar completamente, em torno de 8 horas dependendo do tipo de medicação utilizada.

Contraindicações da endoscopia digestiva alta

Não existem contraindicações muito severas para a endoscopia, mas alguns cuidados a mais devem ser tomados em pessoas que tem problemas cardíacos, respiratórios ou neurológicos, além de pacientes com alergia a medicações. Se estiver em qualquer uma dessas situações, deve avisar o médico antes de marcar o exame.

Gestantes podem fazer?

No primeiro trimestre de gestação, quando o tubo neural do bebê está se formando, a endoscopia digestiva alta só deve ser realizada em gestantes quando ela apresentar alguma doença do trato intestinal que ameace a vida ou sinais de alerta como dor abdominal intensa, dificuldade ao engolir, vômitos severos, sangramento gastrointestinal e obstruções das vias biliares.

O exame em si não traz grandes problemas para a mãe nem para o fato, mas os medicamentos usados durante o procedimento podem causar malformações no feto e até mesmo a interrupção da gestação - no entanto, as chances de o exame causar qualquer um desses problemas são pequenas.

Possíveis complicações e riscos

Há uma pequena chance de haver perfuração no estômago, duodeno ou esôfago, dependendo da doença que o paciente tenha. Também há um pequeno risco de hemorragia no local da biópsia. Pessoas que tem reação aos medicamentos usados no exame podem sofrer com

  • Dificuldade em respirar
  • Transpiração excessiva
  • Pressão arterial baixa
  • Batimento cardíaco lento (bradicardia)
  • Espasmo da laringe.

O risco de alguma complicação acontece, no entanto, é de menos de 1 em 1.000 pessoas.

Possíveis efeitos colaterais

O anestésico local usado na endoscopia deixa o paciente com dificuldades para engolir - sintoma que deve desaparecer depois que passado o efeito. Entretanto, essa anestesia local tem sido cada vez menos utilizada, devido ao uso de sedativos mais potentes, dispensando sua aplicação.

O endoscópio pode causar ânsia de vômito e o paciente pode sentir o movimento do escopo em seu abdômen. Por causa da sedação, o paciente não tem qualquer memória do exame. Quando o paciente acorda, pode sentir um pouco distendido por conta do ar que foi colocado em seu estômago através do endoscópio, mas esse sintoma também tende a desaparecer rapidamente ou imperceptível pela maioria

O que significa o resultado do exame?

Por ser um procedimento no qual o resultado é mostrado ao vivo, o endoscopista pode identificar na hora qual o possível problema e já indicar tratamento, ou então gravar e imprimir algumas imagens e o laudo médico para ser encaminhado a outro médico. Qualquer alteração na cor ou textura da mucosa ou mesmo presença de sangramentos indicam um problema.

Resultados normais

O esôfago, estômago e duodeno devem apresentar uma cor rosada e textura suave e uniforme. Não deve haver nenhum sangramento, tumores, úlceras ou inflamação.

  • Doença celíaca (alergia ao glúten)
  • Varizes esofágicas (veias inchadas no revestimento do esôfago causada por cirrose hepática)
  • Esofagite (inflamação da mucosa esofágica)
  • Gastrite (inflamação da mucosa gástrica)
  • Estreitamento do esôfago
  • Tumores ou câncer no esôfago, estômago ou duodeno (primeira parte do intestino delgado)
  • Úlceras pépticas gástricas
  • Úlceras pépticas duodenais (intestino delgado)
  • Esôfago de Barrett (alteração da mucosa esofágica decorrente da Doença de refluxo).

Fontes Consultadas

Fontes consultadas: Sérgio Bizinelli, gastroenterologista e endoscopista da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva. CRM - 7196 Décio Chinzon, gastroenterologista do Delboni Medicina Diagnóstica. CRM - 49552

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