Prostatectomia radical: cirurgia indicada para câncer de próstata

Alguns tipos de câncer de próstata podem ser revertidos com a técnica

ARTIGO DE ESPECIALISTA

Dr. Francisco Paulo da Fonseca
Urologia - CRM 44006/SP
especialista minha vida

O que é?

Prostatectomia radical é a cirurgia indicada com intuito de tratar o paciente que tenha câncer de próstata localizado, ou seja, quando a doença está confinada na próstata e dentro dos limites da cápsula prostática. Mais de 70% dos pacientes tratados exclusivamente pela cirurgia radical não sofrem mais com a doença, sendo que ela é indicada apenas para tratar câncer de próstata e não recomendada com caráter profilático, ou seja, para prevenir seu aparecimento.

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Outros nomes

A prostatectomia radical também pode ser conhecida como cirurgia radical da próstata ou prostatovesiculectomia radical, com ou sem linfadenectomia ilíaco-obturadora.

Indicações

Mais de 70% dos pacientes tratados exclusivamente pela cirurgia radical não sofrem mais com a doença.

Dentre os vários tipos de padrões de tumores, somente de 15% a 20% representam os tipos mais agressivos. Mas, a exemplo de outros cânceres, o de próstata deve ser diagnosticado em tempo oportuno para a doença ser removida, pois quanto mais se demora no diagnóstico, mais chances o tumor terá de causar metástase, saindo do seu sítio inicial, a próstata.


No Brasil, o tipo mais comum da cirurgia realizada pelos urologistas é aquela feita por via abdominal, embora a mesma conte ainda com outras formas como a perineal, a laparoscópica ou a robótica. A cirurgia consiste num corte de oito a dez centímetros para acessar a próstata e as vesículas seminais, onde estão as células tumorais malignas, removidas em conjunto com os linfonodos ilíaco-obturadores. Os pacientes que são submetidos a cirurgia devem estar bem de saúde, ter expectativa de vida maior de dez anos, independente da sua idade, uma vez que o procedimento dura entre duas e três horas; pacientes com comorbidades graves não devem ser operados.

Contraindicações

As contraindicações da cirurgia podem estar relacionadas à extensão da doença local e à distância. Pacientes com doença avançada localmente não são bons candidatos para a cirurgia e aqueles com doença em outros locais (metástases ósseas e linfonodais no abdômen), também não devem ser operados, mas uma corrente atual vem indicando a cirurgia em casos especiais, ainda com poucos sítios metastáticos. Isso porque, estudos recentes têm mostrado que, nesses pacientes, a vantagem é melhorar a sobrevida e a sua qualidade de vida, principalmente na esfera miccional.

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Quando fazer a cirurgia e exames necessários

Em primeiro lugar, deve-se provar que o paciente é portador de câncer de próstata, através de biopsia, indicada apenas nos casos em que se detecta anormalidade ao toque digital em áreas de consistência mais firme ou endurecida, ou seja, é preciso suspeitar que os pacientes sejam portadores da doença, independente do valor do PSA sanguíneo. Deve-se ainda avaliar a sua situação clínica geral, os remédios e causas que possam influenciar a realização da biopsia. O procedimento é feito com anestesia local ou com sedação, para garantir maior conforto e segurança, tanto ao paciente, quanto ao médico que o executa.

O câncer de próstata é, na maioria das vezes, uma doença de longa duração, que poderá levar mais de dez anos de pós-operatório para que algum mal maior venha ocorrer, daí porque é necessário avaliar a gravidade do caso pelos exames de imagem e pelo resultado da biopsia, de forma a planejar adequadamente a cirurgia, de acordo com a compreensão do volume tumoral, a extensão local dentro dos limites capsulares e a evidência de doença linfonodal. A partir desses parâmetros é que se obtém maior clareza de como será feita a cirurgia. Há casos que devemos ser mais cautelosos em uma região da próstata, inclusive podendo alargar os limites da ressecção local para aumentar as chances de curabilidade do paciente. Cada caso é um caso e cada cirurgia tem sua própria história. Tudo depende da técnica que o urologista usar, que normalmente é aquela na qual ele tem mais experiência.

Apesar disso, os resultados finais devem ser sempre os mesmos: o objetivo é zelar para que a doença seja controlada localmente, preservando a ereção e a continência urinária. Importante também considerar que depois de concluída, a cirurgia deve permitir que o paciente acorde sem dor e o mais confortável possível.

Tipos da cirurgia (como é realizada)

Pacientes mais magros sempre são mais facilmente operados pela cirurgia aberta. Mas, com toda certeza, pacientes obesos são melhor tratados pelo acesso perineal ou pela cirurgia robótica, por tornar a cirurgia mais segura, com maior visibilidade e sempre com menor sangramento intra-operatório.

Cirurgia aberta

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A cirurgia aberta exige destreza e perfeição, para que haja segurança ao realizar todos os tempos cirúrgicos. Os cortes podem ser maiores ou menores, de acordo com a experiência do cirurgião.

Perineal

A prostatectomia perineal é feita com acesso pelo períneo e bem indicado no paciente obeso, pois na abdominal a próstata fica muito profunda para seu acesso com os instrumentos cirúrgicos.

Laparoscópica e robótica

Esses dois tipos exigem vários cortes menores para a passagem dos trocateres. Costumam causar menor sangramento intra-operatório, sendo usados para desobstrução da uretra prostática causada por crescimento benigno, chamado hiperplasia benigna da próstata, por comprimir a uretra e causar jato miccional afilado, fraco, lento e por vezes com saída de jatos intermitentes de urina.

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Complicações possíveis

Complicações podem ocorrer durante o intra e pós-operatório em qualquer cirurgia, mas existem riscos relacionados a saúde previa geral do paciente, a anatomia peculiar do pacientes, as anomalias anatômicas pessoais, que são impossíveis de serem detectados mesmo com toda a tecnologia disponível no mundo de hoje. A arte da cirurgia deve estar associada à modernidade técnica para que se possa obter os melhores resultados. Deve-se então priorizar a formação médica e investir na estrutura hospitalar para se obter os melhores resultados almejados.

Médicos urologistas, treinados para este tipo de procedimento, são especialistas familiarizados com as várias alterações que podem ocorrer com a próstata, sabendo como usar, por exemplo, recursos endoscópicos para solucionar alguma anormalidade que ocorra no trato urinário. Os melhores resultados da cirurgia estão diretamente relacionados ao número de cirurgias realizadas, à boa orientação que estes profissionais tiveram na sua formação e no convívio com outros médicos em congressos durante sua vida profissional. Nenhum médico pode deter todos os conhecimentos e ter vistos todos os casos que poderão surgir.

Recuperação e sequelas

Doenças sistêmicas e mesmo as específicas urológicas, como as relacionadas ao músculo da bexiga, podem influenciar a recuperação, já que tudo depende de como o paciente se encontra clinicamente antes da cirurgia. Muitas variáveis estão relacionadas, como a situação anatômica e funcional da bexiga, idade da doença, estado miccional e da função sexual prévias ao procedimento. A cirurgia costuma melhorar a obstrução do fluxo miccional, por exemplo, mas pacientes com mais de 70 anos podem demorar até dois meses, para atingirem a continência urinária completa, enquanto que os que têm menos de 60 anos podem ficar absolutamente continentes, desde a retirada da sonda da bexiga. Em média, os pacientes ficam bem após dez dias da retirada da sonda da bexiga.

Já a recuperação da ereção depende da idade do paciente que está sendo operado e a qualidade da sua ereção antes da mesma. Homens com boa ereção devem continuar assim após a cirurgia. Pacientes mais debilitados sexualmente podem não se recuperar ou piorar a sua função sexual. Entretanto, pacientes hígidos (sadios) podem continuar a ter suas funções recuperadas nos pós-operatório, em geral em dias, meses ou melhorando progressivamente até dois anos após a cirurgia. Infelizmente, apesar de poderem ficar com ereção perfeita e terem orgasmo, não vão mais ejacular, pois o produto ejaculado (sêmen) provêm da próstata e das vesículas seminais que foram removidas. Estes pacientes passarão a ter orgasmo "a seco".

Referências

Escrito por: Francisco Paulo da Fonseca, urologista - CRM: 44006/SP.

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