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Terapia do cartão de crédito camufla conflitos emocionais e sexuais

A compensação é um comportamento típico da estrutura de defesa do ego

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A maioria de nós já deve ter ouvido a frase vou ao shopping para fazer minha terapia do cartão de crédito . Bem comum na sociedade, a atitude parte geralmente das mulheres, que, muito diferente dos homens, adoram passar horas andando de lá pra cá dentro do shopping. Um comportamento típico da estrutura psicológica feminina - gastar, gastar e gastar. O ato compulsivo do ser humano se encaixa dentro dos 16 tipos de mecanismos de auto-defesa da estrutura do ego, dentre eles a compensação. Um ato inconsciente, que momentaneamente causa prazer e satisfação, mas que não proporciona nada além disso.

Por que gastar o que pode e o que não pode?
Todo ser humano passa por problemas durante sua vida. Inconscientemente, procura compensar esses problemas em algo que lhe dê prazer. Ou seja, ações inconscientes que diminuem a ansiedade ou a angústia, tendo como fator desencadeante, por exemplo, um namoro ou casamento desgastado, problemas no trabalho, falta de dinheiro, impossibilidade de realizar um grande sonho etc. A compensação pode ser encarada como compulsão de nível leve e

daí podemos identificar que a pessoa passa por algum conflito interno. O ego (responsável por nossa estrutura de personalidade), quando passa por algum conflito, desestrutura a pessoa, levando a ter atitudes que visam somente a satisfação, dando origem ao que os psicólogos chamam de mecanismo de compensação.

A compensação é um comportamento típico da estrutura de defesa, muito comum na estrutura psicológica feminina. As mulheres, por serem muito vaidosas, buscam a auto-afirmação mais que os homens. Por uma questão de personalidade, elas estão mais dispostas a gastar e comprar o que muitas vezes não precisam, como, por exemplo, todas as novidades em cosméticos e produtos para beleza. A compulsão por gastar, nas mulheres, muitas vezes está ligada ao prazer no sexo. Em casais que a relação sexual não anda bem ou em que o prazer é quase nulo, é comum que elas procurem resolver esse problema de carência na loja mais próxima.

Os homens e a relação com o dinheiro
A cada dez pessoas que gastam por compulsão, 9 são mulheres. Os homens não são tão comedidos assim. Mas, em geral, suas aquisições são mais planejadas e os objetos são os eletrônicos ou automóveis. Dependendo do caráter, ele pode enveredar para gastos com a bebida e também compensar seus conflitos nos jogos de azar. Quando há alguma desilusão amorosa, a tendência do sexo masculino é compensar suas emoções com o sexo pago. Ou ele procura ambientes com bebidas e muitos amigos para farrear ou vai atrás de prostitutas para amenizar a dor. Em média, por volta dos 21 anos, quando o jovem já costuma ter autonomia sobre o dinheiro, é que as compulsões e gastos excessivos podem surgir.

A mídia e seus excessos - cuidados com as crianças
Os veículos de comunicação, principalmente a TV, são os grandes responsáveis por comportamentos excessivos da vida moderna. Eles influenciam nas idéias e decisões da família toda. Levam a informação para dentro de casa e oferecem diversas opções e formas de pagamento. As crianças têm acesso fácil aos meios de comunicação, por isso é necessário que os pais fiquem atentos e não permitam excessos. A criança tende a imitar o comportamento dos pais. Para uma relação saudável com o dinheiro, é necessário que desde cedo elas já tenham uma educação financeira rígida e aprendam a lidar com o próprio dinheiro. A mesada é uma opção inteligente para os pequenos aprenderem o valor do próprio dinheiro. Abrir uma poupança e ensiná-los a poupar é uma ótima experiência.

O brasileiro não sabe poupar
Independente da classe social, apresentamos a famosa compulsão por gastar. Um fato curioso é que a compensação dos problemas financeiros também é resolvida com dinheiro. Se gasta mais na tentativa de esquecer as dívidas. Isso talvez explique a dificuldade da nação em sanar suas dívidas e conseguir dar a volta por cima. Diferente de alguns países da Europa, EUA e Japão, o Brasil não viveu grandes guerras e por isso não vê a necessidade por poupar e também não transmite para novas gerações esse hábito. Nosso país infelizmente ainda vive em função do primeiro mundo, a maioria das marcas que fazem sucesso aqui são as importadas.

Dicas para se manter longe das dívidas
* Afaste a tentação. Não adquira cartões de crédito. Eles estimulam o gasto e criam a falsa impressão de se ter muito dinheiro.
* Tenha alguém de confiança para cuidar de sua conta bancária, que consiga alertar para gastos excessivos e desnecessários
* Tente se policiar, analise se a aquisição é realmente necessária
* Mantenha somente uma pequena quantia de dinheiro na carteira.
* Procure não entrar em financiamentos com muitas parcelas e assumir dívidas. Ao final do mês, elas irão se acumular e o dinheiro poderá faltar.
* Quando a tentação surgir, ligue para os amigos e faça ações simples que lhe distraiam, como pintar, conversar ao telefone, ver um filme.
* Para as mulheres, uma dica coringa: pelo menos uma vez por mês coloque o guarda-roupa a baixo, assim lembrarão quantas peças possuem e podem aprender combiná-las entre si.

Alexandre Bez é psicólogo especialista em relacionamentos, ansiedade e síndrome do pânico Tel: (11) 8588-8007