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Mãe e filha: Esse elo pode revolucionar a relação com o cabelo natural

Conheça histórias de três mulheres que passaram por obstáculos antes de aprenderem a se amar e como suas mães as influenciaram nessa jornada

Não é novidade que crianças com o cabelo crespo e cacheado costumam escutar diferentes comentários em relação ao formato dos seus fios. Mesmo que isso esteja mudando aos poucos, a realidade é que o padrão de beleza ainda atinge as pessoas desde seus primeiros anos.

Palavras que machucam podem ser enraizadas e, mesmo após anos, ainda causar um grande impacto na vida adulta.

Dessa forma, cuidar da autoestima das meninas pode fazer delas mulheres mais fortes, seguras e confiantes. A forma como Stephanie Milena (21), cria a pequena Anna Vitória (3), é um exemplo disso.

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Mãe e filha sempre tiram fotos em conjunto, exibindo diferentes looks e penteados. É visível para todos o quanto as duas se divertem durante esses ensaios, sempre gerando comentários positivos nas redes sociais.

Mas nem sempre Stephanie ouviu elogios em relação a sua aparência. Durante a nossa conversa, a mineira contou que na escola recebia comentários maldosos e racistas de outras crianças, todas direcionados ao seu cabelo. Foi depois destes episódios que ela passou a alisar os fios.

De mãe para filha

No entanto, a maternidade foi transformadora para essa relação. Quando a jovem descobriu que estava grávida de Anna, algo mudou dentro dela, a fazendo abandonar a química e assumir seu cabelo crespo.

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Apesar de ouvir muitos questionamentos e perder oportunidades de trabalho por não se adequar ao padrão, hoje ela se sente mais empoderada e segura como nunca.

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É essa força e autoestima que Stephanie busca transmitir a sua filha. Desde o nascimento de Anna, faz questão de encher de elogios, ressaltando a beleza natural que ela possui. É assim que, apesar de tão pequena, Anna se sente feliz com a sua própria aparência.

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"Ela faz questão que eu trance o cabelo dela ou faça penteados. Ela chega na creche toda feliz, mostrando o cabelo para as amiguinhas e dizendo: 'A mamãe disse que eu sou linda, meu cabelo é lindo'", conta Stephanie.

Apesar de Anna ainda não escutar nenhum comentário negativo na escola, essa é uma das questões que assombra sua mãe. Sabendo que há a possibilidade de algum episódio de preconceito acontecer no futuro, ela reforça ainda mais a beleza de sua filha, além de oferecer um forte apoio emocional.

Em mundo que pode ser cruel em relação às aparências, Stephanie conta que o papel dos pais deve ser de mostrar a beleza e inteligência de seus filhos. Com mais crianças usando o cabelo natural e aprendendo a se amar, uma acaba influenciando a outra, fazendo com que o mundo mude aos poucos.

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Ela define três pilares para que os pais ajudem seus filhos:

"É essencial ensinar que na vida haverá comentários maldosos, mas que estaremos lá para ajudar no que eles precisarem, para que nada apague a sua luz", finaliza Stephanie.

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Ensinando pelo exemplo

Como ferramentas de empoderamento, ela busca mostrar exemplos de meninas que também têm cabelo crespo, além de se preocupar com brinquedos e personagens que fazem parte do dia a dia de sua filha.

"Faço meu cabelo igual ao dela, e digo que princesas podem ter muitos tipos de cabelo. Ela ama bonecas, mas ainda sinto muita dificuldade em encontrar bonecas que a representam", conta.

Stephanie fez parceria com uma loja de brinquedos que montam bonecas parecidas com as crianças. "Eles fazem questão de fazer bonecas como se fossem minha filha, para ela se sentir representada", complementa.

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Mirella da Silva, de 23 anos, concorda que este tipo de atitude é essencial para que as meninas se amarem como são. "Eu tenho certeza que se eu tivesse tido inspiração, bonecas e personagens parecidas comigo, eu não teria alisado meu cabelo. A representatividade na infância teria impedido isso", conta.

Durante sua infância, a jovem não conhecia ninguém com o cabelo cacheado. Talvez por isso, não se achava bonita e nem costumava receber elogios, o que a fazia se comparar com suas amigas de escola.

Uma das lembranças mais marcantes foi quando, aos 6 anos de idade, seu irmão fez comentários maldosos em relação ao seu cabelo, a fazendo chorar.

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Suas amigas, todas com o cabelo liso, começaram a pressioná-la para também alisar os fios. Como sua mãe não autorizou a aplicação de química, Mirella começou a escovar os cabelos aos 10 anos de idade.

"Na época, todas as cantoras que eu gostava, como a Katy Perry, tinham cabelo liso. Eu queria parecer com elas e sonhava em ter uma franja", conta. Aos 13 anos ela realizou um alisamento químico pela primeira vez.

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Durante a época de escola, a mãe de Mirella não tinha tempo para cuidar do seu cabelo, fazendo penteados considerados "estranhos". Os comentários preconceituosos também estavam sempre presentes, a fazendo ouvir coisas negativas em relação ao volume natural de seu cabelo.

"Ouvia comentários sobre meu cabelo ser muito volumoso, que eu deveria passar prancha. Sempre molhava o cabelo para sair de casa. Não gostava do volume", conta.

Buscando apoio fora de casa

As coisas começaram a mudar quando Mirella ingressou na faculdade, em novembro de 2015. Inspirada por amigas que tinham cabelo cacheado e com o apoio de sua amiga Valéria, ambas entraram em transição capilar e enfrentaram o processo juntas.

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"Estava saturada de alisar o cabelo. A raiz crescia e eu me sentia mal. Não podia frequentar piscinas, praias, não podia sair em dias de chuva. Gastava dinheiro com isso. Não reconhecia mais aquela menina de cabelo alisado na faculdade, comecei a me conhecer e entender minha essência", relatou a jovem.

Neste processo, percebeu que não teve inspiração de sua mãe da infância simplesmente porque ela não era expressiva sobre o assunto. Não queria que ela alisasse os fios pelo gasto de dinheiro, mas nunca elogiava ou apoiava o uso do cabelo natural. Hoje em dia, ela busca não repetir esse tipo de comportamento com sua irmã, de apenas 14 anos.

Para ela, crianças e adolescentes não aprendem apenas com palavras. Mirella acredita que o exemplo é a principal forma de educar. Isso é essencial pois, segundo ela, se aceitar como você é durante a infância e adolescência ajuda a ter segurança e autoestima na vida adulta.

"Quando eu alisava o cabelo, eu era mais introvertida e tímida, o que já mudou muito hoje em dia. Hoje, sou reconhecida por ter o cabelo cacheado. Meu cabelo é minha identidade", conta.

Papel das amizades

Grazielly Lima, de 21 anos, também contou com a ajuda de uma amiga na jornada de aceitação em relação aos seus cabelos.

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Quando criança, ela sempre usava o cabelo preso. Isso a fazia questionar as suas diferenças em relação às outras meninas.

Aos 6 anos, ela passou pelo seu primeiro processo de alisamento químico. "Isso aconteceu porque indicaram para minha mãe como algo que ajudava a acabar com os piolhos e ainda ajudaria a deixar o cabelo mais fácil de cuidar", contou.

Não podendo interferir nessa decisão, ela acabou mudando toda textura de seu cabelo. Durante seu tempo na escola, o alisamento se tornou algo contínuo, mas não a fez escapar de comentários racistas e preconceituosos daqueles que comparavam seu cabelo aos das colegas de classe, que possuíam os fios lisos naturalmente.

"Eu nunca dizia nada. Cada vez mais sentia vergonha, pois era algo meu. Não importava o que fizesse, aquele cabelo era parte de mim. Ficava extremamente triste, porém nunca falei com nenhum adulto sobre. Isso foi contribuindo para que cada vez mais ao crescer eu odiasse a imagem que o espelho refletia", conta.

As coisas começaram a mudar quando Grazielly chegou aos 15 anos de idade. Ao conhecer uma menina de cabelo cacheado, seu sentimento por aquela textura começou a florescer. Foi através dessa amiga que Grazi conheceu o processo de transição capilar e, através de grupos do Facebook, achou o apoio que precisava para voltar aos seus fios naturais.

De filha para mãe

Ao falar para sua mãe que voltaria a sua textura original, a reação não foi positiva. "Ela disse que eu não aguentaria, que eu nunca ia me acostumar", conta, e completa: "Muitas pessoas julgaram, disseram que meu cabelo estava horrível, que eu precisava de uma progressiva e coisas do tipo".

Comentários como estes a fizeram desanimar muito, mas graças ao apoio de sua amiga, Grazi não desistiu da transição. Através da internet e do suporte de amigos, ela começou a ganhar segurança e autoestima, passando a conversar mais sobre esses tópicos em casa.

Assim, aos poucos, sua mãe também foi mudando de ideia, até que se tornou mais uma a incentivar a filha a deixar os fios naturais crescerem. Após um tempo, sua mãe, que também alisava o cabelo, decidiu dar um fim na química.

"Um dia ela foi na casa de uma tia minha e voltou com o cabelo cortado. Eu fiquei extremamente feliz, vi que tudo o que eu aprendi e tentei trazer para casa deu certo", conta.

Quando chegou sua vez de cortar o cabelo, foi sua mãe que a ajudou a se livrar finalmente de toda parte alisada. O incentivo também veio através de presentes como faixas de cabelo, para que Grazi pudesse fazer diferentes penteados.

Esse processo de apoio entre mãe e filha foi algo que a marcou fortemente, lembrado como um dos momentos mais lindos vividos por Grazielly. Ela não culpa sua mãe por ter alisado seus cabelos, pois acredita que ela foi ensinada a acreditar que cabelo crespo era algo feio e impossível de ser aceito.

"Se tivéssemos tido mais referências, como bonecas, personagens de desenhos, novelas e filmes e catálogos de lojas que fossem como nós, nunca iríamos escolher quebrar nossa identidade", explica.

Ela acredita que os pais devem explicar aos seus filhos que todos nós somos diferentes. Na cor, cabelo e personalidade. E que isso é o que nos torna especiais. Assim, ela espera que no futuro possamos ter crianças que se respeitem e se amem, do jeito que elas são.