Parto humanizado: o que é, benefícios e depoimento

Conheça mais sobre o conjunto de práticas que visa dar à mulher o protagonismo na hora do nascimento de seu filho

Nascer é o acontecimento mais natural às espécies. O instinto que faz com que as fêmeas saibam como dar à luz sem nem serem ensinadas é um dos fatores que conectam os humanos às nossas origens evolutivas. Com o passar dos séculos, a cerimônia do nascimento foi sendo vista como um procedimento médico, pelo menos na cultura ocidental. Mas isso não significa que perdemos o instinto.

Como forma de possibilitar que os partos envolvam menos intervenções desnecessárias e considerem mais o bem estar da mulher e do bebê, o conceito de parto humanizado vem se popularizando.

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O que é?

Parto humanizado é um conceito usado no Brasil para designar um nascimento que ocorre de acordo com os preceitos da humanização do parto. Entre os principais nortes da assistência humanizada ao parto, está o protagonismo da mulher e suas escolhas, considerando o momento não como um evento médico, mas social, emocional, familiar e espiritual. Assim, os profissionais de saúde deverão enxergar o nascimento como um acontecimento natural, sem a necessidade injustificada de interferências.

Os partos feitos com assistência humanizada ocorrem de acordo com as descobertas científicas mais recentes tanto a respeito da saúde da mãe quanto do bebê. Assim, segundo a Organização Mundial da Saúde, um parto humanizado é um procedimento saudável, pois respeita o processo natural e evita condutas desnecessárias ou de risco para a mãe e o bebê.

De acordo com o Ministério da Saúde, um parto humanizado requer a criação um ambiente acolhedor e a inclusão de procedimentos hospitalares que rompam com o tradicional isolamento imposto à mulher que vai ter um filho. Por isso, o órgão considera que, para haver uma assistência humanizada, é necessário uma atitude ética e solidária por parte dos profissionais de saúde.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) criou, em 2000, um guia com as recomendações para uma experiência de parto positiva. Em fevereiro deste ano, elas foram atualizadas. Esse guia reúne as práticas recomendadas, as que não devem ser feitas e as que podem acontecer sob circunstâncias específicas durante o pré-natal, o trabalho de parto e os cuidados logo após o nascimento.

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Práticas recomendadas para humanização do parto:

Práticas não recomendadas para um parto humanizado

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Vantagens do parto humanizado para a mãe

Um parto humanizado considera o protagonismo da mãe, o que é, por si só, um benefício. Segundo Érica de Paula, psicóloga e doula, um parto com assistência humanizada garante à mulher que ela só vai passar por intervenções caso seja necessário.

Andrea Rebello, ginecologista e obstetra, também ressalta os benefícios emocionais, pois a mulher é acolhida e amparada em um momento que, apesar de ser muito especial, é de fragilidade.

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Assim, um parto com assistência humanizada é positivo tanto para a saúde física quanto mental.

Vantagens do parto humanizado para o bebê

A humanização do parto só passa a considerar a cesárea como via de nascimento em casos estritamentes necessários e justificados. Por isso, a maioria dos bebês nasce pela via vaginal, o que traz benefícios à imunidade e sistema respiratório. Há também pesquisas que indicam que o parto normal está associado ao menor risco de algumas doenças na infância.

"Quando esses bebês nascem, eles não choram escandalosamente", comenta a obstetra. Sair do útero para o mundo externo pode ser muito traumático. Quando respeitada a sua hora, esse momento tende a ser mais tranquilo também para o recém-nascido.

Assim como a mãe, esse bebê nascido com uma assistência humanizada não sofrerá nenhuma intervenção desnecessária (colírio nos olhos, aspiração, esfregação, banho precoce), bem como ficará próximo à mãe, o que é importante para estabelecer um vínculo entre os dois.

Benefícios para a a mãe Benefícios para o bebê
Protagonismo da mãe Potencialização do sistema respiratório
Intervenções cirúrgicas só quando necessário intervenções cirúrgicas só quando necessário
Ambiente acolhedor Menor risco de contrair doenças
Rápida recuperação Maior tranquilidade ao sair do útero
Maior vínculo com o bebê Maior vínculo com a mãe

Vantagens do parto humanizado para o obstetra

Um obstetra que segue as práticas humanizadas tem a garantia de que está fazendo seu trabalho de acordo com as evidências científicas mais recentes.

Cesárea humanizada

A cesárea é uma via de nascimento que pode ser humanizado. Ela deve ser opção apenas em situações em que seja estritamente necessária, o que é o caso de 10% a 15% dos nascimentos, de acordo com a OMS.

Quando isso acontece, há algumas recomendações para uma assistência humanizada a esse parto, de acordo com as especialistas consultadas:

Papel da doula

A doula é uma profissional que informa, acolhe e auxilia a gestante a lidar com questões tanto emocionais como práticas no pré-parto e no momento em que o bebê nasce. Quando ela acompanha o parto, pode ajudar a mulher a passar por esse momento interpretando o que a equipe médica diz e evitando procedimentos desnecessários. ?É como se você tivesse uma líder de torcida que fosse sua melhor amiga?, explica a obstetra.

"A presença de uma doula no trabalho de parto comprovadamente reduz o tempo, a necessidade de analgesia, a quantidade de intervenções e aumenta a satisfação com o processo e o sucesso na amamentação", explica Érica, que também exerce a profissão.

Como escolher um obstetra humanizado?

De acordo com Andrea, a melhor forma de descobrir que um obstetra exerce práticas humanizadas é através da indicação de outras mulheres que já foram atendidas por ele. Há grupos e clínicas que indicam ou oferecem a contratação de equipes inteiras.

Como foi ter meus 3 filhos em partos humanizados

Vanicléia Pereira Meira Gonçalves, ou Vani, como prefere ser chamada, tem 29 anos e vive a experiência de ser mãe intensamente. Bancária e doula, ela teve seus três filhos, Isabela, Agatha e Vitor, entre 2014 e 2018. Todos eles nasceram com assistência humanizada. O primeiro parto aconteceu em ambiente hospitalar. Já as crianças mais novas vieram a este mundo em casa.

Com o apoio de seu marido, Rafael Henrique Gonçalves, sempre fez questão que seus partos fossem humanizados. No primeiro parto, o casal contratou uma doula e uma obstetra que sabiam que adotavam essas práticas. Os outros profissionais de saúde foram da própria maternidade. Já os últimos dois partos foram domiciliares e contaram com uma equipe completa.

Confira a história e o depoimento de Vani nesta matéria.

Fontes:

Andrea Rebello Moreira. Ginecologista e Obstetra, formada pela Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública com residência em ginecologia e obstetrícia na Casa de Saúde Santa Marcelina e especializada em Patologia do Trato Genital Inferior pela Unifesp.

Érica de Paula. Psicóloga formada pela Universidade de Brasília (UnB), Doula e Educadora Perinatal e autora do livro Parto Ativo.

Organização Mundial da Saúde, 2018, "WHO recommendations: intrapartum care for a positive childbirth experience"