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Conheça as sete lutas que influenciam o MMA

O esporte exige muito treino para desenvolver uso da força e agilidade

POR ANA PAULA DE ARAUJO - publicado em 17/01/2012


MMA (Mixed Martial Arts, do inglês) deixou de ser um punhado de letras ou assunto de quem não sai da academia ou pratica lutas marciais. A atividade, que desenvolve o corpo e queima calorias adoidado (são mil calorias, no mínimo, perdidas a cada hora e meia) caiu nas graças de quem acompanha campeonatos esportivos e atrai cada vez mais praticantes - realidade bem diferente da época em que Carlos Gracie, um dos fundadores do jiu-jitsu brasileiro, propôs um desafio a representantes de várias lutas: provar qual delas era mais eficiente.

"No começo, não tínhamos muitas regras e o esporte era chamado de vale-tudo. Dos anos 1930 para cá, a atividade foi evoluindo até chegar ao MMA que se conhece hoje", afirma Diogo Souza, coordenador de MMA da Team Nogueira Academia, no Rio de Janeiro. "O estilo atual une várias artes marciais, é modulado por regras e preserva a integridade física do atleta." De cada modalidade, o MMA tirou uma característica. "Quanto mais modalidades um lutador estudar, melhor será seu desempenho", diz Gregor Gracie, lutador de MMA e treinador de jiu-jitsu da academia Rolls Gracie, em Nova York. A seguir, saiba o que essa luta pegou emprestado de cada modalidade. 

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Gregor Gracie lutando Jiu-jitsu - Divulgação

Jiu-jitsu

Influência: Superar as adversidades com a força do oponente

Jiu-jitsu quer dizer "arte suave". Para Diogo Souza, coordenador de MMA da Team Nogueira Academia (cujos donos são os irmãos Minotauro e Minotouro, atletas famosos na modalidade), essa é a definição perfeita para a contribuição da arte marcial para o MMA. Isso porque o lutador não usará a própria força para aplicar o golpe, mas sim a força de seu oponente. "Além disso, o jiu-jitsu é a arte mais eficiente no chão", completa Gregor Gracie, lutador de MMA e treinador de jiu-jitsu da academia Rolls Gracie, em Nova York. Gracie acredita que, para ser eficiente no MMA, o lutador precisa estudar essa arte marcial.  

Muay thai - Getty Images

Muay thai

Influência:

movimentos contundentes

Se o jiu-jitsu influenciou a luta no chão, é o muay thai que comanda a parte chamada de "striker", ou seja, socos, chutes, joelhadas e cotoveladas. "O muay thai tem os movimentos explosivos. Como o combate começa em pé, existe a marcação do raio de ação do oponente realizada com esses golpes", explica Souza. Um exemplo de atleta oriundo desta arte marcial é o lutador Anderson Silva, um dos principais expoentes brasileiros no UFC (Ultimate Fighting Championship, considerado o maior campeonato de MMA do mundo).  

Judô - Getty Images

Judô

Influência: derrubada do adversário

Para projetar seu oponente ao solo com eficiência, o MMA adaptou técnicas do judô. "É muito bom para o atleta de MMA saber judô, pois nas lutas é comum um atleta agarrar o outro ainda de pé, o que chamamos de clinch", afirma Gracie. Isso acontece por meio de duas alavancas: enquanto uma parte do corpo puxa o adversário, a outra empurra - por exemplo, o lutador puxa seu adversário com o braço e o empurra com a perna.  

Wrestling - Getty Images

Wrestling

Influência: desgaste do oponente

Junto ao jiu-jitsu e ao muay thai, o wrestling é uma das lutas que mais influenciaram o MMA. Assim como o judô, ela também trabalha a derrubada do adversário, mas com um elemento a mais: a isometria. "O lutador de wrestling, além de derrubar o oponente, consegue segurá-lo um bom tempo no chão, pois o wrestler tem capacidade de manutenção de força por um longo período. Isso desgasta o adversário", afirma Diogo Souza. Depois de dominar o outro lutador no chão, é possível iniciar o que é chamado de grounding pounding, que acontece quando um combatente está por cima do outro e tenta acertar seu rosto e tronco com socos e cotoveladas.  

Karatê - Getty Images

Karatê

Influência: agilidade

Um lutador está a certa distância do outro e, em um instante, já está próximo. Para Gregor Gracie, a principal vantagem do karatê é essa: encurtar distâncias em pouco tempo. "O lutador que entende as técnicas do karatê mantém certa distância de seu adversário e, em poucos segundos, já está colado nele", explica. Isso permite que o atleta se aproxime, golpeie e, rapidamente, se afaste, sem ser golpeado. O atleta que treina karatê também se torna mais observador. "Esse lutador, quando sabe que não pode nocautear o oponente, estuda o tempo certo para acertá-lo com precisão. Ele analisa o raio de ação do adversário e analisa melhor a luta. Seu ataque também é mais rápido e ele tem maior tempo de resposta", afirma Diogo Souza. O principal representante do karatê no MMA é o lutador soteropolitano Lyoto Machida. 

Boxe - Getty Images

Boxe

Influência: destreza das mãos

Assim como o muay thai, o boxe também trabalha com movimentos contundentes. No entanto, como nessa luta somente as mãos são ferramenta de golpe, elas acabam sendo trabalhadas de maneira mais refinada e com mais variedade de ataque. "O boxe tem trabalhos de curta distância, com golpes cruzados e ganchos na região abdominal. Isso traz grande índice de nocautes", justifica o treinador de MMA da Team Nogueira Academia. "Essa luta dá maior destreza nas mãos, trazendo maior precisão e força de golpe." 

Capoeira - Getty Images

Capoeira

Influência: coordenação e flexibilidade

Influência recente, a capoeira não pode ser ignorada. Por usar muitos golpes de perna, essa luta traz grande mobilidade e desenvolve a flexibilidade do lutador. "A principal vantagem da capoeira é trabalhar bem os dois lados, tanto direito quanto esquerdo. Por isso, o competidor aprimora a coordenação, consegue chutar com as duas pernas e trocar facilmente de base", diz Gracie.  

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