Dança afro alonga e trabalha musculatura e flexibilidade

Além de resgatar raízes africanas, te deixa em forma para torcer pelo Brasil

POR ANDRESSA BASILIO PUBLICADO EM 23/06/2010

Que tal aproveitar o estímulo da Copa do Mundo e fazer um treinamento diferente e que tem tudo a ver com a África? Mas não se trata de futebol, estamos falando da dança afro, uma aula de dança nada convencional que promete deixar o corpo em forma. O ritmo africano atravessou o oceano e veio levantar o alto astral dos brasileiros.

Isso mesmo, as danças, além de empolgantes, são embaladas por músicas típicas e são uma ótima opção para aqueles que procuram algo alternativo à monotonia da academia. De quebra, você ganha um banho de cultura. Ah, sim... O corpinho sarado é garantido, desde que as aulas sejam praticadas com certo rigor. 

Do Brasil colônia para academia

dança afro - foto divulgação
dança afro

A dança afro foi trazida pelos escravos no período colonial e, com o passar do tempo, sofreu alterações e agregações culturais. Mesmo assim, não é uma modalidade muito conhecida pelos brasileiros. "Existia certo preconceito de que a dança afro só tratava de culto aos deuses. Pensando nisso, pensei em diversificar e criar uma dança que agregasse também outros tipos de dança que se relacionam ou que foram influenciadas pela cultura africana, como o hip hop e a capoeira, por exemplo", diz a professora Solange Ferreira, da academia Pulsarte, que fez uma releitura da dança africana tradicional.

A aula é temática e, além do trabalho físico, conta com movimentos lúdicos e históricos que remetem aos gestos que os africanos costumam fazer em seu cotidiano. Os temas passam por mitologia, folclore e cultura afro contemporânea. "Na primeira parte da aula fazemos um aquecimento, depois começamos com a introdução de movimentos que são variados. Procuramos sempre agregar passos do cotidiano africano também, como, por exemplo, movimentos de lavar roupa e peneirar a comida", explica Solange. 

Além de ficar por dentro dessa cultura, você ainda interage com os simbolismos típicos que dão todo o tom da riqueza cultural africana. "Se vamos falar de Oxum, orixá das águas e padroeira da fecundidade durante a aula, procuramos movimentos que representam a maternidade e assim, além dos benefícios físicos da aula, temos também um mergulho cultural."

E por falar em benefícios

dança afro - foto divulgação
dança afro

A proposta inusitada já é suficiente para aguçar a curiosidade, porém, para quem precisa de um estímulo, saiba que em uma hora e meia de aula é possível perder até 700 calorias. "A aula é muito dinâmica, com parte aeróbia intensa, principalmente em relação aos membros inferiores, que ficam 85% do tempo flexionados para que haja maior equilíbrio postural", explica Solange.

Além do fortalecimento das pernas, a professora da pulsarte destaca o aumento da resistência física, do tônus muscular, o alongamento corporal, aumento da flexibilidade, além de o desenvolvimento de consciência rítmica, corporal e postural. "Como a dança africana conta com a exaltação da vida e a valorização da procriação, há muitos movimentos que trabalham os músculos pélvicos, o que ajuda a deixar o quadril solto e a cintura definida", diz Solange.  

Peculiaridades

A dança afro da Pulsarte conta com algumas peculiaridades interessantes em relação às aulas de dança normais. Além de aprimorar os conhecimentos sobre deuses, rituais e crenças do continente africano, a música que embala a aula é feita ao vivo.

Isso mesmo, os músicos ficam na sala tocando instrumentos que variam de acordo com a temática. "Nós acreditamos que nesse contato ?ao vivo? o aluno aprende mais sobre a noção rítmica e as aulas ficam mais ricas, já que as músicas são intensificadas de acordo com a velocidade dos passos executados", afirma Solange.  

E para aproximar o público ainda mais das tradições africanas, a dança é feita com os pés descalços, reforçando o caráter terreno e contribuindo para a liberação da tensão do corpo. As roupas precisam ser leves e quanto mais coloridas melhor, para entrar no clima alegre e festivo dos povos africanos e, é claro, da Copa do Mundo.

A parte final da aula é chamada de Cangira - expressão utilizada em rituais religiosos - e é o momento reservado para o aluno extravasar e mostrar o que a aula lhe trouxe de bom. É um exercício feito individualmente ou em duplas, em que os músicos tocaram para um de cada vez fazer o que quiser, pode ser dançar, cantar, gritar ou tudo junto. O importante é se sentir bem. "Essa hora é boa porque você se refaz. Os alunos saem todos cansados da aula, porém relaxados", garante Solange Ferreira.  

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