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Obesidade afeta percepção de gosto das coisas, indica pesquisa

Investigadores descobriram que ratos obesos tinham 25% menos papilas gustativas do que aqueles com uma dieta saudável

A obesidade vem crescendo de forma alarmante em todo o mundo. No Brasil, estima-se que quase metade da população está acima do peso. Entre 2006 e 2016, índice de brasileiros com a doença passou de 11,8% para 18,9%, segundo uma pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).

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De acordo com uma recente pesquisa, realizada por investigadores do Departamento de Ciências Alimentícias da Universidade Cornell (EUA), a obesidade prejudica a sensibilidade ao sabor das comidas. O estudo foi publicado nesta terça-feira na revista especializada "PLOS Biology".

Para entender por que o índice de massa corporal influencia a capacidade de saborear os alimentos, os pesquisadores alimentaram alguns ratos com uma dieta normal com 14% de gordura e outros com uma dieta que continha 58% de gordura.

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Após 8 semanas, os resultados mostraram que os animais que tiveram a dieta com mais gordura pesavam mais do que os que receberam a comida normal. Além disso, foi constatado que os ratos obesos tinham 25% menos de papilas gustativas do que os roedores magros.

Segundo o relatório, o sobrepeso e a obesidade causam uma redução no número de papilas gustativas devido à inflamação crônica associada ao acúmulo de gordura. Uma papila gustativa tem de 50 a 100 células de três tipos principais, cada uma com diferentes funções na detecção dos cinco principais sabores - salgado, doce, amargo, azedo e umami.

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Normalmente, as papilas gustativas se renovam a cada 10 dias, num processo regido pela morte programada das células antigas e pela diferenciação de receptores novos a partir de células-tronco. Entretanto, nos ratos obesos a morte celular se acelera ao mesmo tempo em que diminui o número de células-tronco, o que torna mais lenta a regeneração das papilas gustativas.

Para verificar as causas exatas, os cientistas repetiram o experimento com ratos geneticamente resistentes à obesidade. Esses animais têm o seu DNA editado para que não engordem muito, independentemente da alimentação. Então, a análise mostrou que não houve redução no número de papilas gustativas ao seguirem a dieta mais gordurosa. Desta forma, os pesquisadores acreditam que o sobrepeso - e não apenas o estímulo oral ao ingerir gordura - que conduz ao entorpecimento do paladar.

"Estes dados sugerem que a adiposidade total derivada da exposição crônica a uma dieta rica em gorduras se associa a uma resposta inflamatória de baixo grau que causa a interrupção dos mecanismos de equilíbrio da manutenção e da renovação do sentido do gosto", disse, Robin Dando, um dos principais autores do estudo.

Os investigadores sugerem que estes resultados poderiam apontar a novas estratégias terapêuticas para aliviar a disfunção do sabor em pessoas obesas. "Se alguém se torna mais sensível ao sabor, é plausível que não necessite tanto de açúcar, gordura ou sal na dieta, e então poderá adotar melhores hábitos alimentícios", completou.