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Calendário oficial tem menos vacinas do que os pediatras recomendam

Mesmo assim, as mães esquecem as doses e expõem as crianças a doenças graves

Perguntados, os pais nem pensam para responder: a vacinação, principalmente no primeiro ano de vida do bebê (quando as defesas do organismo ainda são muito frágeis), assume papel de grande importância. Na prática, no entanto, o discurso tem outros contornos. Um estudo que acaba de ser realizado pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo mostra que apenas 70% das crianças pertencentes às famílias de classe A da região Sudeste do Brasil recebem todas as doses de imunização, recomendadas pelo Ministério da Saúde, nos primeiros 18 meses de vida. Os especialistas trabalhavam com estimativas em torno dos 95%, consideradas dentro do patamar ideal.

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"Este dado é muito sério, porque estamos falando e crianças com acesso a hospitais e postos de saúde, inclusive da rede privada. Os pais têm informação e recursos, ou seja, só podemos entender que se trata de negligência", afirma a pediatra Fátima Avelino, da Sociedade Brasileira de Pediatria. O calendário oficial, disponível gratuitamente na rede pública, inclui doses contra doenças como tuberculose, caxumba, meningite, hepatite B, poliomielite (paralisia infantil) e sarampo.

Além das vacinas chamadas obrigatórias, há outras que são recomendadas pelos pediatras. "Mas, a não ser em casos especiais, os pais precisam pagar pelas doses, caso julguem adequadas", afirma a pediatra Helena Sato, diretora-técnica da Divisão de Imunização da Secretaria de Saúde de São Paulo. A meningite é um exemplo: pelo calendário oficial, aos dois, quatro e seis meses de idade, os bebês tomam doses contra um tipo da doença, causado pelo Haemophilus influenzae tipo B.

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"Mas as vacinas contra os demais tipos meningite só são encontradas em clínicas privadas", diz o médico Ricardo Cunha, responsável pela área de vacinas da Diagnósticos da América S. A. DASA. A meningite pode causar inúmeras complicações e seqüelas neurológicas, como epilepsia, infartos cerebrais e retardo mental em crianças.

A exceção fica por conta dos pacientes de risco, que podem tomar as doses gratuitamente nos Centros de referência de imunobiológicos especiais. "Este é o caso das crianças que não têm o baço ou são imunodeprimidas, por exemplo", afirma a pediatra Helena Sato. "Para isso, a mãe precisa de uma prescrição médica, que pode ser assinada por um especialista da rede pública ou da rede privada de saúde".

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No caso do calendário oficial, os esquecimentos começam a surgir após o primeiro ano de vida do bebê, quando as visitas ao pediatra diminuem. "A partir do segundo ano, percebemos que há um aumento de doses ou vacinas em atraso, fato que se acentua nos reforços que são obrigatórios entre 4 e 6 anos de idade", diz Cunha. Tanto o calendário do Ministério da Saúde, como o da Sociedade Brasileira de Pediatria prevêem reforço de doses de algumas vacinas, como contra poliomielite.

Mas vale lembrar que essas diferenças de indicações não são estáveis. "A diferença ocorre porque o papel da Sociedade Brasileira de Pediatra é informar a população quanto ao que há de mais novo relacionado à imunização. Já o Ministério da Saúde apresenta as principais vacinas disponíveis. Isso, no entanto, está em discussão permanente: estudos para avaliar a inclusão de novas vacinas na rede básica são feitos constantemente. Hoje temos 3,5 milhões de crianças com menos de um ano de idade no Brasil, qualquer alteração tem um impacto enorme nas políticas de saúde", diz a diretora-técnica da Divisão de Imunização da Secretaria de Saúde de São Paulo .

As vacinas que são recomendadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria, mas só estão disponíveis na rede privada ou nos Centros de referência de imunobiológicos especiais, são as seguintes:

Pneumococo: contra meningite (doses aos 2, 4, 6 e 12 meses de idade)

Meningococo: contra meningite (doses aos 3, 5 e 12 meses de idade)

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Varicela: contra catapora (duas doses, aos 12 meses e aos 4 anos de idade)

Hepatite A: duas doses, aos 12 e aos 18 meses de idade

DTPA: difteria; tétano e coqueluche (uma dose aos 14 anos de idade)

Abaixo, veja a lista completa de vacinação exigida ao longo da infância, segundo o calendário oficial do Ministério da Saúde.

Idade: Ao nascer

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Vacinas: VACINAS BCG ID; Vacina contra hepatite B (1)

Doses: dose única; 1ª dose

Doenças Evitadas: Formas graves de tuberculose; Hepatite B

Idade: 1 mês

Vacinas: Vacina contra hepatite B

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Doses: 2ª dose

Doenças Evitadas: Hepatite B

Idade: 2 meses

Vacinas: Vacina tetravalente (DTP + Hib) (2); VOP (vacina oral contra pólio); VORH (Vacina Oral de Rotavírus Humano) (3)

Doses: 1ª dose; 1ª dose; 1ª dose

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Doenças Evitadas: Difteria, tétano, coqueluche, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b; Poliomielite (paralisia infantil); Diarréia por Rotavírus

Idade: 4 meses

Vacinas: Vacina tetravalente (DTP + Hib); VOP (vacina oral contra pólio); VORH (Vacina Oral de Rotavírus Humano) (4)

Doses: 2ª dose; 2ª dose; 2ª dose

Doenças Evitadas: Difteria, tétano, coqueluche, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b; Poliomielite (paralisia infantil); Diarréia por Rotavírus

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Idade: 6 meses

Vacinas: Vacina tetravalente (DTP + Hib); VOP (vacina oral contra pólio); Vacina contra hepatite B

Doses: 3ª dose; 3ª dose; 3ª dose

Doenças Evitadas: Difteria, tétano, coqueluche, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b; Poliomielite (paralisia infantil); Hepatite B

Idade: 9 meses

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Vacinas: Vacina contra febre amarela (5)

Doses: dose inicial

Doenças Evitadas: Febre amarela

Idade: 12 meses

Vacinas: SRC (tríplice viral)

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Doses: dose única

Doenças Evitadas: Sarampo, rubéola e caxumba

Idade: 15 meses

Vacinas: VOP (vacina oral contra pólio); DTP (tríplice bacteriana);

Doses: reforço; 1º reforço

Doenças Evitadas: Poliomielite (paralisia infantil); Difteria, tétano e coqueluche

Idade: 4 - 6 anos

Vacinas: DTP (tríplice bacteriana; SRC (tríplice viral)

Doses: 2º reforço; reforço

Doenças Evitadas: Difteria, tétano e coqueluche; Sarampo, rubéola e caxumba

Idade: 10 anos

Vacinas: Vacina contra febre amarela

Doses: reforço

Doenças Evitadas: Febre amarela

(1) A primeira dose da vacina contra a hepatite B deve ser administrada na maternidade, nas primeiras 12 horas de vida do recém-nascido. O esquema básico se constitui de 03 (três) doses, com intervalos de 30 dias da primeira para a segunda dose e 180 dias da primeira para a terceira dose.

(2) O esquema de vacinação atual é feito aos 2, 4 e 6 meses de idade com a vacina Tetravalente e dois reforços com a Tríplice Bacteriana (DTP). O primeiro reforço aos 15 meses e o segundo entre 4 e 6 anos.

(3) É possível administrar a primeira dose da Vacina Oral de Rotavírus Humano a partir de 1 mês e 15 dias a 3 meses e 7 dias de idade (6 a 14 semanas de vida).

(4) É possível administrar a segunda dose da Vacina Oral de Rotavírus Humano a partir de 3 meses e 7 dias a 5 meses e 15 dias de idade (14 a 24 semanas de vida). O intervalo mínimo preconizado entre a primeira e a segunda dose é de 4 semanas.

(5) A vacina contra febre amarela está indicada para crianças a partir dos 09 meses de idade, que residam ou que irão viajar para área endêmica (estados: AP, TO, MA MT, MS, RO, AC, RR, AM, PA, GO e DF), área de transição (alguns municípios dos estados: PI, BA, MG, SP, PR, SC e RS) e área de risco potencial (alguns municípios dos estados BA, ES e MG). Se viajar para áreas de risco, vacinar contra Febre Amarela 10 (dez) dias antes da viagem.