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Eletrônicos prejudicam a concentração das crianças

O alerta vai para que os pais controlem mais o tempo dos filhos em frente à TV

Longas horas em frente à televisão, seja assistindo à programação ou jogando vídeo-game, podem atrapalhar a concentração das crianças na escola, segundo um novo estudo da Universidade do Estado de Iowa, nos Estados Unidos. Apesar de haver muita discordância nesse assunto, os especialistas disseram que a nova pesquisa traz evidências de que esse tipo de diversão pode provocar problemas de atenção e aumentar a agressividade das crianças.

Acompanhando, por um ano, mais de 1,3 mil crianças em idade escolar e entrevistando pais e professores, os pesquisadores descobriram que aquelas que ficavam mais de duas horas por dia em frente à TV - o limite recomendado pela Academia Americana de Pediatria - tinham 67% maior propensão de exceder o nível médio de problemas de atenção na escola. E testes com 210 estudantes universitários mostraram efeitos similares, porém ainda mais preocupantes, pois a associação entre o tempo de exposição à televisão e o comportamento do adolescente parece acompanhá-lo por toda a adolescência até a fase adulta.

Entretanto, nenhum dos participantes foi diagnosticado com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, que são casos mais extremos que atingem de 3% a 7% das crianças em idade escolar.

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Embora os resultados sejam claros, eles não comprovam uma relação de causa e efeito, e, por isso, os autores relativizam os efeitos da mídia. Segundo Douglas Gentile, um dos pesquisadores do estudo, nem todas as crianças são influenciadas na mesma proporção e não há um único mecanismo que determina nosso comportamento. Pelo contrário, ele é uma combinação de todo "vai e vem" que recebemos - a mídia é apenas uma variável. O especialista acrescentou ainda que o estudo possivelmente oferecerá aos pais uma defesa de primeira linha, porque o tempo em frente à tela é algo que eles podem controlar.

Obesidade infantil

Além dos problemas comportamentais, longos períodos em frente à TV podem gerar problemas mais sérios, como a obesidade infantil, por exemplo. Estudos mostram que os comerciais de alimentos fazem apelo ao consumo de produtos altamente calóricos e pobres nutricionalmente.

Uma pesquisa da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, analisou 640 horas de propagandas e correlacionou o resultado com hábitos de mais de 800 alunos entre 7 e 14 anos. Os comerciais de alimentos foram os mais frequentes, sendo que 60% eram de produtos ricos em gordura, açúcar ou sal. No grupo pesquisado, 24% estavam acima do peso ou eram obesos e 73% assistiam a mais de duas horas de TV por dia.

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Outro estudo mostrou que crianças acima do peso tendem a dobrar o consumo de alimentos quando são expostas a anúncios de comida na TV. Pesquisadores britânicos da Universidade de Liverpool compararam o consumo de comida em crianças de 9 a 11 anos após anúncios de brinquedos e de alimentos enquanto assistiam a um desenho animado. As mais gordinhas aumentaram a dose em 134%, já as de peso normal, em 84%. A conclusão é que o peso da criança é determinante na hora de decidir o que beliscar enquanto assistem à televisão e que os anúncios têm forte impacto nessa decisão. Mas os especialistas concordam num ponto: o papel dos pais é fundamental para reverter esse cenário.

Nem tudo é ruim

Televisão e vídeo-game são vilões? O tema é controverso e existem pesquisas que apontam a tendência contrária. Duas pesquisas publicadas no final do ano passado na Revista de Psicologia Experimental, nos Estados Unidos, indicaram que, se os jogos mais violentos estimulam a agressividade, os jogos que envolvem lógica e cooperação podem fazer com que as crianças apresentem um comportamento mais amistoso e colaborativo.

A despeito da fama negativa que o videogame tem acumulado, duas pesquisas recentes apontam que os jogos eletrônicos podem ser usados para diluir a agressividade. As pesquisas indicam que testar as habilidades motoras e de raciocínio em jogos violentos, de fato, aumenta a agressividade. Não apenas as atitudes ficam mais calmas, como os pensamentos assumem características mais tranquilas.

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Na conclusão, os responsáveis pelos dois estudos indicam que os efeitos do videogame sobre os seres humanos são sim semelhantes aos de outros estímulos visuais, como a televisão e o cinema, sem haver tanto motivo para demonizar o aparelho que atrai atenções de todas as idades, hoje em dia. "As crianças mostram o quanto o exemplo e a convivência interferem no nosso dia a dia", afirma a pediatra Fátima Parente. "Se elas presenciam gestos violentos, tendem a agir com agressividade. Na idade adulta, isso é mais sutil de se notar, porque a quantidade de estímulos que recebemos é maior e a personalidade tem aspectos mais firmes. Mas também acontece".