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Terapia hormonal trata os sintomas, mas não impede menopausa

Exercícios e dieta têm os mesmo efeitos da reposição em muitas mulheres

Por muito tempo, ela foi pensada como alternativa para prevenir a menopausa. Muitas mulheres, aflitas com o preconceito que ainda ronda a menopausa, escolhiam a reposição hormonal como recurso para retardar os inconvenientes que o fim da menstruação traz, como oscilações na libido, ondas de calor e ressecamento vaginal.

Mas, hoje em dia, isso está fora de propósito. "A gente pensa duas vezes até mesmo para prescrever a reposição hormonal no tratamento dos sintomas da menopausa", afirma a ginecologista Rivia Lamaita, da Unimed de Belo Horizonte. "Nem sempre as alterações causadas pela interrupção do funcionamento dos ovários incomodam tanto a ponto de ser necessário pensar na reposição". Em tempo: a menopausa, para os médicos, só começa um ano após a última menstruação.

A cautela tem respaldo científico. Segundo a ginecologista, estudos recentes apontam uma série de efeitos colaterais ocasionados por esse tipo de tratamento, como aumento do colesterol ruim, hipertensão, maior incidência de câncer de cólon e de mama, além de diabetes e até casos de acidente vascular cerebral.

Não bastasse aumentar os riscos, alguns hormônios ainda complicam o diagnóstico de alguns problemas, como é o caso de tumores nas mamas. "Alguns hormônios aumentam a densidade mamária , dificultando a identificação de algumas lesões na mamografia", afirma o ginecologista Milcar Moriyama, do Hospital Villa-Lobos, em São Paulo.

Sem radicalismos
Mas não é o caso de demonizar esse tipo de terapia. Sem dúvida, ela apresenta uma série de benefícios e melhora a qualidade de vida de muitas mulheres. A questão é, simplesmente, conter a euforia diante de um método que apresenta algumas contra-indicações. "A reposição é altamente eficaz para controlar sintomas como as ondas de calor (fogachos); alterações no humor e no sono; evolução de um quadro de osteoporose (854); alteração de libido e o ressecamento vaginal típico da menopausa", afirma a médica de Belo Horizonte.

Só vale a pena pensar se os medicamentos são mesmo necessários neste controle. Isso porque não é raro encontrar mulheres acima dos 45 anos com hábitos de vida bem pouco saudáveis (comportamento que agrava os inconvenientes da menopausa). De acordo com a ginecologista, o início de uma atividade física regular e dieta balanceada, muitas vezes, valem pela ingestão hormonal. Há até mesmo casos em que o tratamento torna-se dispensável após o abandono da rotina sedentária e com exageros à mesa.

A nutricionista Maria do Carmo Azevedo viveu a situação. Depois de seis meses fazendo reposição, ela abandonou os hormônios. "Passei a caminhar três por semana e deixei de comer doces, só consumo o açúcar das frutas", afirma. "As ondas de calor foram embora e minha vida conjugal também melhorou, os exercícios me deram até mais disposição. Hoje só tomo remédios para hipertensão, um problema de família e que preciso controlar".

O desaparecimento dos sintomas, no entanto, é previsto. O que varia é o tempo necessário para isso acontecer (de seis meses até seis anos, sendo as duas situações perfeitamente normais). A terapia de reposição hormonal entra quando as mudanças do climatério prejudicam a qualidade da mulher e as vantagens dos medicamentos, na avaliação da paciente, são superiores aos riscos que eles podem causar.

De qualquer forma, o acompanhamento médico faz parte do tratamento. Ao menos uma vez por ano, é preciso ir ao ginecologista e fazer uma bateria de exames gerais para checar se os hormônios estão, realmente, favorecendo a saúde. Mas, para saber se a suspensão não vai trazer inconvenientes só há uma forma: a própria suspensão, segundo a médica Rivia Lamaita.

"Algumas pacientes relatam o aumento de peso, por exemplo, como justificativa para interromper o tratamento", diz a ginecologista. Mas o médico de São Paulo lembra que, nesta fase da vida da mulher, o metabolismo já está mais lento e, por isso, com ou sem a terapia hormonal, o ganho de peso poderá ocorrer.

A suspensão pode ser feita de uma hora para outra, mas não há como prever a reação do organismo. Algumas mulheres passam a sofrer com os sintomas da menopausa novamente, até mais fortes, enquanto outras permanecem sem nenhuma queixa. "Ainda existem controvérsias sobre a interrupção de terapia hormonal. Mas, de maneira geral, quanto menor o tempo, mais seguro o tratamento", afirma o médico do Hospital Villa-Lobos.

Como nos anticoncepcionais, os hormônios de reposição apresentam-se em diversas formas. Há comprimidos de ingestão diária, adesivos que injetam o hormônio a partir do contato com a pele e versões de aplicação vaginal. A escolha varia segundo o conforto da paciente e o tipo de hormônio empregado no tratamento.

Pense na reposição se você...

Passa mal por causa das ondas de calor (fogachos);
Tem alterações freqüentes de humor, o que prejudica suas relações;
Sofre com falta ou excesso de sono;
Recebeu diagnóstico positivo de osteoporose;
Enfrenta alterações na libido;
Sente desconforto por causa do ressecamento vaginal

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