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Candidíase: o que é, tipos, sintomas e tratamentos

Visão Geral

O que é Candidíase?

A candidíase (CID 10 - B37) é uma infecção causada pelo fungo Candida, famosa por afetar órgãos genitais femininos, levando à vermelhidão, dor e coceira vaginal.

A doença, porém, não é restrita às mulheres e casos de candidíase em homens podem aparecer na pele, unhas, garganta, boca e até na corrente sanguínea.

Cerca de 90% dos casos de candidíase são causados pelo fungo da espécie Candida albicans. No entanto, a doença pode ocorrer devido a outras espécies, como a glabrata, tropicalis, krusei, parapsilosis e saccharomyces cerevisae, mesmo que mais incomuns.

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Saiba mais: Candidíase é uma alergia vaginal? Especialista responde

Sintomas

Sintomas de Candidíase

Sintomas da candidíase vaginal

Sintomas da candidíase no pênis

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Sintomas da candidíase oral

Sintomas da candidíase de esôfago

Sintomas da candidíase na pele

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Sintomas da candidíase invasiva

Visão Geral

Tipos

Candidíase vaginal

A candidíase vaginal é a forma mais comum da candidíase, que acomete mulheres com sistema imunológico fraco ou flora vaginal desequilibrada. Nesses casos, o fungo, que já está presente no organismo, consegue se replicar mais, já que o corpo perde os recursos necessários para contê-lo.

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Shutterstock (Kateryna Kon)
Shutterstock (Kateryna Kon)

Candidíase masculina (balanopostite)

A candidíase masculina é chamada também de candidíase no pênis. Não é tão comum quanto a candidíase vaginal, porém merece cuidados quando se manifesta.

Na maioria dos casos da candidíase peniana, a vulnerabilidade no organismo causada por problemas de saúde é fator primordial para que o fungo se reproduza em excesso no homem. Diabetes e higiene precária são fatores frequentes para a doença.

Candidíase na boca

A candidíase oral é caracterizada por pequenas aftas na boca e dificuldade para engolir.

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Pode ser diagnosticada em crianças, idosos, pessoas com diabetes, em adultos após o contato íntimo desprotegido e pacientes em fase de tratamentos que comprometem o sistema imunológico.

Candidíase de esôfago

A candidíase de esôfago é também chamada de esofagite de causa infecciosa causada pelo fungo Candida albicans. É o mais raro dos tipos de inflamações no esôfago e predominam nos pacientes de baixa imunidade, principalmente em portadores de AIDS e câncer.

Tende a ser mais comum em idosos e raramente acomete crianças, exceto quando há comprometimento de imunidade.

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Candidíase na pele (Intertrigo)

A candidíase na pele é conhecida como intertrigo candidiásico, sendo uma infecção causada na pele que pode aparecer sem outros fatores associados.

Ocorre principalmente pelo atrito entre as peles, criando assim pequenas lesões em que surge um ambiente propício (calor, umidade e alimento) para a proliferação de bactérias e fungos.

Geralmente, as partes do corpo que estão mais vulneráveis a essa doença são dobras como:

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Candidíase invasiva

A candidíase invasiva é uma infecção que recebe vários nomes, como candidíase disseminada, e ocorre principalmente pessoas com um sistema imunológico enfraquecido.

Costuma atingir recém-nascidos de baixo peso e hospedeiros imunocomprometidos - por isso, acaba sendo uma infecção mais hospitalar.

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Nesse caso, o fungo atinge a corrente sanguínea, podendo afetar qualquer órgão (como válvulas cardíacas, cérebro, baço, rins e olhos) e causar complicações graves.

Em casos mais graves ela pode evoluir para uma candidemia (candidíase na corrente sanguínea), que pode ser fatal.

Causas

Desequilíbrio da flora vaginal

A principal causa da candidíase vaginal é o fungo Candida albicans, quando entra em desequilíbrio na flora vaginal. Esse micro-organismo existe, naturalmente, em pequenas quantidades no organismo da mulher.

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No entanto, alguns fatores podem levar ao desequilíbrio da Candida no corpo da mulher e à reprodução anormal do fungo.

Áreas quentes e úmidas são mais propícias para o fungo se propagar. Por isso que as partes íntimas, zonas de dobra de pele e garganta e boca são mais propícias ao aparecimento do problema.

Além disso, o desequilíbrio da concentração desse fungo pode aparecer com mais facilidade em adultos ou crianças que possuem o sistema imunológico debilitado, já que são as defesas do nosso organismo que ajudam a conter seu crescimento exagerado.

Candidíase na gravidez

Na gravidez, mudanças fisiológicas da região genital da mulher, como maior vascularização local, aumento na produção de lactobacilos e mudança do pH da vagina - que fica mais ácida - pode favorecer a proliferação de fungos e a ocorrência de candidíase.

Candidíase e sexo

A candidíase não é considerada uma Infecções sexualmente transmissível (IST). Por isso, mulheres e homens que nunca tiveram relações sexuais podem ter candidíase.

No entanto, pessoas com uma flora genital e sistema imunológico mais prejudicado podem acabar desenvolvendo a candidíase após o sexo.

Por isso, indica-se que a pessoa em tratamento para candidíase tenha uma abstinência sexual.

Fatores de risco

Alguns fatores aumentam o risco da infecção pelo fungo Candida e dele se espalhar pelo organismo. Veja quais são:

Uso de antibióticos

A microbiota vaginal é formada por diversas bactérias. Algumas delas são aliadas do organismo e ajudam a conter as bactérias e fungos que podem ser nocivos.

No entanto, antibióticos de largo espectro - aqueles que são eficazes contra uma ampla gama de bactérias - podem matar essas bactérias saudáveis na sua vagina, o que pode levar ao crescimento de leveduras, como o fungo da candidíase vaginal.

Aumento dos níveis de estrogênio

Infecções fúngicas parecem ocorrer mais frequentemente em mulheres com aumento dos níveis de estrogênio - por exemplo, em mulheres que estão grávidas, que tomam altas doses de pílulas de estrogênio ou que fazem terapia hormonal de estrógeno.

Doces e carboidratos em geral

O consumo excessivo de doces e carboidratos propiciam o crescimento do fungo da candidíase vaginal de duas formas. A primeira é através da alteração do pH, que se torna mais ácido, logo é um ambiente muito mais propício para que a Candida se prolifere.

Além disso, a glicose também serve como alimento para esse fungo, portanto quando ela está em excesso no sangue, pode ajudar no aparecimento da candidíase vaginal.

Por isso, pessoas com diabetes também podem apresentar mais crises recorrentes de candidíase vaginal (além dos outros tipos).

Sexo sem proteção

Embora a candidíase não seja considerada uma IST, ela pode ser transmitida por meio do contato sexual, principalmente para as genitálias e boca.

Locais e roupas úmidos

O fungo a candidíase prefere locais úmidos, por isso a vagina é um local tão comum para essa infecção. Frequentar piscinas, ficar muito tempo com roupas de banho molhadas ou mesmo não secar corretamente a região genital pode propiciar uma candidíase vaginal.

Outros fatores que interferem no sistema imunológico

Alimentos que pioram o quadro

Um dos fatores que desencadeiam os sintomas de candidíase é a alimentação. "O fungo precisa de um ambiente ácido para se reproduzir, e alimentos ricos em carboidratos simples, gorduras e proteínas animais contribuem para essa acidez", explica o nutrólogo Roberto Navarro.

Veja alguns alimentos que podem atrapalhar a recuperação da candidíase:

Diagnóstico e Exames

Buscando ajuda médica

Caso você apresente coceira vaginal, dor e vermelhidão na área genital, aliadas ou não de corrimento vaginal branco e espesso, procure um ginecologista ou urologista imediatamente.

Se apresentar sintomas de outros tipos de candidíase, é aconselhado procurar um clínico geral ou até mesmo dermatologista (para candidíase em unhas e pele).

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar uma candidíase vaginal são:

Não é preciso ter vergonha de conversar com o(a) médico(a) a respeito dos sintomas, principalmente se a candidíase aparecer em regiões genitais. Lembre-se que se trata de profissional formado(a) e especializado(a) para te atender da melhor maneira para a cura da doença.

Antes de ir ao médico, anote em um papel algumas informações relevantes, como data da última relação sexual e menstruação; e nomes dos medicamentos e suplementos que você toma.

Diagnóstico de Candidíase

Como identificar a candidíase?

A candidíase tem sintomas muito semelhantes a outros problemas de saúde, por isso o único jeito de confirmar é fazer um exame de cultura da região afetada, para verificar se a infecção é causada por fungo e que fungo é esse. Veja a seguir o diagnóstico específico de cada tipo:

Diagnóstico da candidíase vaginal

O diagnóstico da candidíase vaginal começa a ser feito com o histórico do paciente, como infecções vaginais passadas e também se a paciente já teve alguma IST.

O próximo passo é um exame físico. O ginecologista usa um espéculo para segurar as paredes vaginais para visualizar melhor a vagina e o colo do útero. Ele também pode colher amostras de corrimento para análise laboratorial.

O outro passo é justamente essa análise do corrimento vaginal. Se as infecções por candidíase vaginal forem recorrentes, o médico pode inclusive pedir uma análise mais detalhada.

Diagnóstico da candidíase peniana

O diagnóstico da candidíase peniana começa a ser feito com o histórico do paciente, como infecções vaginais passadas e também se a paciente já teve alguma IST.

Depois são feitos os exames para observar as condições do pênis.

Diagnóstico da candidíase oral ou esofágica

A candidíase oral ou esofágica tem o diagnóstico feito com um exame de cultura de escarro e da boca para verificar a ocorrência do problema.

Diagnóstico do intertrigo

O diagnóstico do intertrigo é feito com base na observação dos sintomas da doença e através de exames como:

Também é indicada a realização de exame de sangue para o diagnóstico mais preciso, principalmente, para verificar se o indivíduo não está com diabetes. O intertrigo pode ser um dos sintomas iniciais da diabetes.

Diagnóstico da candidíase invasiva

A candidíase invasiva tem como diagnóstico os exames de cultura de escarro, boca, vagina, urina, fezes, ou pele não significa necessariamente infecção invasiva e progressiva.

É preciso realizar exames de cultura do fungo no sangue, fluido pericárdio ou mesmo amostras de tecidos retiradas em biópsias para confirmar o diagnóstico.

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Candidíase

O tratamento da candidíase, seja onde for sua localização, normalmente consiste no uso de pomadas antifúngicas ou medicamentos antimicóticos de uso local. No entanto, existem situações de candidíase recorrente, em que é necessária a mudança da terapia e do estilo de vida.

Candidíase recorrente: como tratar

Quem convive com quadros de candidíase frequentemente, vale a pena conversar e ser examinado pelo seu médico para determinar se existem fatores de risco (uso de corticoides, infecção pelo HIV, diabetes, por exemplo). Também pode-se investigar qual é a espécie de Candida responsável.

Muitas vezes os tratamentos comuns para candidíase não matam outros tipos do fungo, e a pessoa passa a ter recorrência. A cultura do local infectado pode auxiliar na detecção do fungo e terapia direcionada.

Em casos de candidíase vaginal recorrente, o médico pode indicar medicamentos orais para que o quadro não retorne. Além disso, mudanças na alimentação pode ajudar esses casos.

Saiba Mais: O que fazer quando nenhum tratamento de candidíase funciona?

Como tratar a candidíase na gravidez

Os antifúngicos orais presentes no mercado para tratamento da candidíase são contraindicados para gestantes. Portanto o ideal é que use-se pomadas locais.

Por isso, na gravidez é comum episódios recorrentes de candidíase, já que muitas vezes o fungo torna-se resistente aos tratamentos tópicos com cremes.

Tratamento para candidíase invasiva

No caso específico deste tipo de candidíase mais grave, o manejo do tratamento é feito no hospital, com suspensão de medicamentos imunossupressores e administração de medicamentos mais fortes.

Remédios caseiros para candidíase

Receitas caseiras para a candidíase podem aliviar os sintomas, porém não tratam a doença. Entre os tipos de tratamentos feitos em casa, os que se destacam são:

A violeta genciana a 1%, se aplicada pelo médico localmente na vagina, pode também melhorar os sintomas.

Saiba mais: Mitos do tratamento caseiro para candidíase

Medicamentos para Candidíase

Remédios para candidíase

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique.

Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Convivendo (prognóstico)

Candidíase tem cura?

De acordo com o ginecologista Fabiano Sakae Kuteken, a candidíase possui cura.

Os testes de cura só estão indicados após tratamento de infecções persistentes não-albicans, tendo pelo menos duas culturas negativas com uma semana após o tratamento e intervalo de pelo menos uma semana entre as duas tomadas.

Lembrando que existem pacientes que têm o fungo Candida na flora vaginal, mas são assintomáticos (não apresentam sintomas).

Convivendo/ Prognóstico

Uma vez que você for diagnosticado com candidíase, é importante manter alguns cuidados, como:

Complicações possíveis

Quando a candidíase vaginal não é tratada corretamente, ela pode se tornar um quadro persistente, tendo quadros de repetição em intervalos cada vez menores de tempo.

Em casos mais sérios, em que existe depressão do sistema imunológico, a candidíase é capaz de atingir órgãos vitais, e inclusive, gerar complicações nos rins, pulmões e levar a óbito.

Especialistas respondem sobre complicações da candidíase:

Prevenção

Prevenção

A maioria dos casos de candidíase, incluindo a vaginal, pode ser evitada mantendo a pele limpa e seca, utilizando antibiótico apenas com orientação médica, e seguindo um estilo de vida saudável, incluindo alimentação adequada.

Pessoas com diabetes devem tentar manter o açúcar no sangue sob controle. Se você tem HIV ou outra doença que favoreça episódios recorrentes de candidíase, o uso contínuo de drogas antifúngicas pode ajudar a minimizar crises.

Fazer a higiene íntima regularmente, preferir roupas com tecidos de algodão e evitar peças justas, além de evitar o uso contínuo de absorventes internos, também ajudam a evitar a candidíase vaginal. Usar camisinha em todas as relações sexuais também é uma ótima recomendação.

Referências

Ministério da Saúde

Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo

Manuais MDS

Fabio Laginha, médico ginecologista (CRM-SP 42141)

(5) Valter Javaroni, médico urologista (CRM RJ-52575160)

Diogo Mendes, médico urologista (CRM DF-6439)

Maira Marzinotto, médica gastroenterologista (CRM SP-124994)

Angélica Pimenta, médica dermatologista (CRM-SP 120.847)

Renato Tomioka, médico ginecologista (CRM-SP 130201)

Melissa Ganam Antoun Guedes, médica ginecologista (CRM-MG 40145)

Vania Carolina Pereira Stancka, médica ginecologista (CRM-SP 136342)

Fabio Sakae Kuteken, médico ginecologista da Rede de Hospitais São Camilo de SP