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Obesidade, hipertensão, triglicérides elevados e diabetes podem aumentar o risco futuro de insuficiência renal crônica

Fatores de risco podem aparecer até 30 anos antes do diagnóstico, diz estudo

De acordo com um estudo publicado na edição de junho do Journal of the American Society of Nephrology, os possíveis fatores de risco para insuficiência renal crônica podem aparecer até 30 anos antes de o problema ser diagnosticado. Os pesquisadores das divisões de cardiologia e nefrologia do Tufts Medical Center, em Boston (EUA), afirmam que os resultados abrem caminhos para futuras pesquisas, a fim de determinar se certas intervenções precoces podem prevenir doença renal futuro.

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Os autores identificaram 441 novos casos de doença renal crônica entre os participantes do Framingham Heart Study, que foram comparados com 882 pacientes que não desenvolveram a doença. Analisando os dados, aqueles que sofreram doença renal crônica eram 76% mais propensos a ter hipertensão, tinham 71% mais chance de terem sido obesos e 43% mais probabilidade de ter tido triglicérides elevados 30 anos antes do diagnóstico da doença.

Esse grupo também foi 38% mais propenso a ter hipertensão, tinha 35% mais chance de ter níveis de triglicerídeos elevados e quase três vezes mais probabilidade de ter diabetes 20 anos antes do diagnóstico da doença renal crônica, quando comparados com o grupo de controle. Quanto mais fatores de risco o indivíduo teve no passado, maiores as chances de desenvolver o problema renal.

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Aproximadamente 60 milhões de pessoas no mundo têm doença renal crônica, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo os cientistas, a pesquisa mostra que esses fatores de risco estão presentes muito antes da doença ser diagnosticada. Eles afirmam que os médicos deveriam abordar esses fatores de risco mais cedo na vida dos pacientes e emitir esse alerta para a doença renal crônica, de forma a prevenir problemas no futuro.

Oito passos para prevenir e controlar a insuficiência renal crônica

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Quando se fala em insuficiência renal crônica, o foco deve ser a prevenção. Afinal, quando um problema renal dá sinais de sua existência significa que cerca de 70% da sua função já foi comprometida, explica o nefrologista Daniel Rinaldi, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia. Se forem constatadas que essas alterações existem por, pelo menos, três meses, então, o paciente recebe o diagnóstico de insuficiência renal crônica. Apesar do choque ao receber a notícia, é fundamental começar a agir o mais rápido possível para frear a deterioração dos rins. Diabetes descontrolado e hipertensão e até cálculos renais, por exemplo, contribuem com a perda da função renal, problema que atinge cerca de 10 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, e que pode ser considerado avançado quando a taxa de filtração está abaixo de 15%. Neste caso, hemodiálise, diálise peritoneal ou até transplante podem ser necessários. A seguir, confira cuidados fundamentais para prevenir a doença ou ajudar a controlar:

Busque tratamento para hipertensão

Busque tratamento para hipertensão - Foto Getty Images
Busque tratamento para hipertensão - Foto Getty Images

A hipertensão é considerada hoje a principal causa de insuficiência renal crônica. De acordo com o nefrologista Nestor Scho, professor da Unifesp, o aumento da pressão arterial lesiona os vasos sanguíneos dos rins, podendo causar nefropatia hipertensiva. "Dessa maneira, o órgão fica sobrecarregado e pouco a pouco perde sua capacidade de filtragem", explica. Cuidar da hipertensão é fundamental mesmo quando ela não é a causa da insuficiência renal crônica, medida que se torna mais importante ainda em estágio avançado da doença.

Controle o diabetes

Controle o diabetes - Foto Getty Images
Controle o diabetes - Foto Getty Images

"O diabetes é a segunda principal causa de insuficiência crônica renal", afirma o nefrologista Lucio Roberto Requião Moura, do Hospital Israelita Albert Einstein. Isso porque a doença desencadeia a chamada nefropatia diabética, alteração dos vasos dos rins que leva à perda de uma proteína pela urina. Além disso, o diabetes favorece a aterosclerose, formação de placas de gordura nas artérias que dificulta o trabalho de filtração dos rins. Com o tempo, uma quantidade cada vez maior de substâncias tóxicas fica retida no organismo, o que pode levar à morte. Uma forma de detectar o problema, portanto, é fazendo exames de urina para descobrir se está havendo eliminação de proteínas. Quem já tem o diagnóstico de diabetes, por sua vez, precisa ficar mais atento à saúde renal.

Fique atento ao peso

Fique atento ao peso - Foto Getty Images
Fique atento ao peso - Foto Getty Images

Pessoas com excesso de peso (Descubra seu peso ideal) tem um risco maior de desenvolver hipertensão e diabetes, o que já é motivo o suficiente para não deixar o ponteiro da balança subir, aponta o nefrologista Lucio. Soma-se a isso o fato de que a obesidade altera a forma como o sangue chega nos rins pela influência de determinados hormônios, sobrecarregando o órgão. Além disso, estar acima do peso é fator de risco para o colesterol e triglicérides alto.

Adapte sua dieta

Adapte sua dieta - Foto Getty Images
Adapte sua dieta - Foto Getty Images

Quando o assunto é alimentação, analisar a doença de base que desencadeou a insuficiência renal é fundamental. Se for o diabetes, por exemplo, a dieta deve ser aquela indicada para quem sofre dessa doença. Se for a hipertensão, então deve haver redução do consumo de sal. "Entretanto, de forma geral, recomenda-se que o paciente evite a ingestão excessiva de proteínas, principalmente de origem animal, que dão origem a elementos tóxicos no organismo que fariam os rins trabalharem mais", explica o nefrologista Nestor. Em casos específicos de insuficiência ainda, pode haver retenção de potássio no organismo. Pacientes com este problema precisam preparar os alimentos de uma maneira que faça com que eles liberem parte desse nutriente. Legumes, por exemplo, precisam ser cozidos.

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Informe-se sobre medicamentos

Informe-se sobre medicamentos - Foto Getty Images
Informe-se sobre medicamentos - Foto Getty Images

A automedicação é perigosa mesmo para pessoas saudáveis. Para quem sofre de insuficiência renal, entretanto, o uso sem avaliação médica adequada pode acelerar o quadro de deterioração dos rins. "Os mais perigosos são os anti-inflamatórios não hormonais", alerta o nefrologista Lucio. Por isso, explique seu problema no início de toda consulta médica para evitar agravar a doença.

Maneire na ingestão de álcool

Maneire na ingestão de álcool - Foto Getty Images
Maneire na ingestão de álcool - Foto Getty Images

Embora não haja estudos comprovando a relação isolada da ingestão de álcool com a insuficiência renal crônica, o abuso de bebidas alcoólicas compromete o funcionamento do organismo como um todo. Assim, recomenda-se maneirar no consumo. Se for beber alguma bebida, entretanto, o nefrologista Nestor aconselha optar pelo vinho. "Ele contém antioxidantes que podem ajudar na eliminação de toxinas concentradas no corpo", afirma.

Apague o cigarro

Apague o cigarro - Foto Getty Images
Apague o cigarro - Foto Getty Images

"O cigarro é responsável por piorar os níveis de pressão arterial e ainda está envolvido com alterações hormonais que pioram a função renal", explica o nefrologista Lucio. Além disso, o tabagismo desencadeia um efeito de vasoconstrição, diminuindo o volume de sangue filtrado pelos rins. Neste caso, não existe a opção da moderação. O paciente deve acabar com o vício.

Pratique exercícios

Pratique exercícios - Foto Getty Images
Pratique exercícios - Foto Getty Images

O último cuidado recomendado para quem sofre de insuficiência renal crônica é a prática regular de exercícios. "Ele previne o diabetes, a hipertensão, a obesidade, entre outros problemas, e ainda melhora a circulação e a função renal", afirma o nefrologista Nestor. Segundo ele, qualquer atividade já é melhor do que o sedentarismo, mas é sempre recomendado buscar um treino que agrade o paciente para que ele não se sinta desestimulado com o tempo.