Obesidade, hipertensão, triglicérides elevados e diabetes podem aumentar o risco futuro de insuficiência renal crônica

Fatores de risco podem aparecer até 30 anos antes do diagnóstico, diz estudo

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 30/06/2014

De acordo com um estudo publicado na edição de junho do Journal of the American Society of Nephrology, os possíveis fatores de risco para insuficiência renal crônica podem aparecer até 30 anos antes de o problema ser diagnosticado. Os pesquisadores das divisões de cardiologia e nefrologia do Tufts Medical Center, em Boston (EUA), afirmam que os resultados abrem caminhos para futuras pesquisas, a fim de determinar se certas intervenções precoces podem prevenir doença renal futuro.

Os autores identificaram 441 novos casos de doença renal crônica entre os participantes do Framingham Heart Study, que foram comparados com 882 pacientes que não desenvolveram a doença. Analisando os dados, aqueles que sofreram doença renal crônica eram 76% mais propensos a ter hipertensão, tinham 71% mais chance de terem sido obesos e 43% mais probabilidade de ter tido triglicérides elevados 30 anos antes do diagnóstico da doença.

Esse grupo também foi 38% mais propenso a ter hipertensão, tinha 35% mais chance de ter níveis de triglicerídeos elevados e quase três vezes mais probabilidade de ter diabetes 20 anos antes do diagnóstico da doença renal crônica, quando comparados com o grupo de controle. Quanto mais fatores de risco o indivíduo teve no passado, maiores as chances de desenvolver o problema renal.

Aproximadamente 60 milhões de pessoas no mundo têm doença renal crônica, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo os cientistas, a pesquisa mostra que esses fatores de risco estão presentes muito antes da doença ser diagnosticada. Eles afirmam que os médicos deveriam abordar esses fatores de risco mais cedo na vida dos pacientes e emitir esse alerta para a doença renal crônica, de forma a prevenir problemas no futuro.

Oito passos para prevenir e controlar a insuficiência renal crônica
Quando se fala em insuficiência renal crônica, o foco deve ser a prevenção. Afinal, quando um problema renal dá sinais de sua existência significa que cerca de 70% da sua função já foi comprometida, explica o nefrologista Daniel Rinaldi, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia. Se forem constatadas que essas alterações existem por, pelo menos, três meses, então, o paciente recebe o diagnóstico de insuficiência renal crônica. Apesar do choque ao receber a notícia, é fundamental começar a agir o mais rápido possível para frear a deterioração dos rins. Diabetes descontrolado e hipertensão e até cálculos renais, por exemplo, contribuem com a perda da função renal, problema que atinge cerca de 10 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, e que pode ser considerado avançado quando a taxa de filtração está abaixo de 15%. Neste caso, hemodiálise, diálise peritoneal ou até transplante podem ser necessários. A seguir, confira cuidados fundamentais para prevenir a doença ou ajudar a controlar:

Busque tratamento para hipertensão

A hipertensão é considerada hoje a principal causa de insuficiência renal crônica. De acordo com o nefrologista Nestor Scho, professor da Unifesp, o aumento da pressão arterial lesiona os vasos sanguíneos dos rins, podendo causar nefropatia hipertensiva. "Dessa maneira, o órgão fica sobrecarregado e pouco a pouco perde sua capacidade de filtragem", explica. Cuidar da hipertensão é fundamental mesmo quando ela não é a causa da insuficiência renal crônica, medida que se torna mais importante ainda em estágio avançado da doença.