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Por que o médico precisa saber minha glicemia? Endocrinologista tira dúvidas

A médica Denise Reis Franco responde perguntas dos leitores sobre monitoramento do diabetes

Fazer a medição da glicemia é fundamental para controlar o diabetes. O monitoramento do índice glicêmico pode indicar se o tratamento está adequado ou se algumas mudanças são necessárias. Esse acompanhamento vai possibilitar ao médico tomar decisões e auxiliar o paciente a evitar consequências mais sérias.

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Para esclarecer as muitas dúvidas sobre o monitoramento da glicemia, o portal Minha Vida convidou a endocrinologista Denise Reis Franco, educadora em diabetes pela International Diabetes Federation (IDF) e diretora coordenadora do Departamento de Educação da Associação Diabetes Brasil (ADJ), para participar de um chat sobre o assunto. (Leia a íntegra do chat aqui)

Veja, a seguir, as principais dúvidas dos leitores sobre monitoramento de glicemia:

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Como funciona o monitoramento glicêmico?

A monitorização da glicemia faz parte do tratamento do diabetes e através dela conseguimos saber se o paciente está bem controlado e se o tratamento está adequado ou não, principalmente para pacientes que não usam insulina. Para os pacientes em insulinoterapia, é o monitoramento que decide a dose de insulina que ele deve usar em cada refeição.

O que pode acontecer a quem não monitora o diabetes?

É como se você estivesse com um tampão nos seus olhos. A monitorização permite saber em qual direção o tratamento está indo, se o paciente sabe o que fazer com essa informação e é bem orientado pelo seu médico. Quanto mais vezes o paciente monitora, melhor o controle glicêmico.

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Existe alguma forma de monitorar o diabetes sem ter que ficar se picando toda hora?

Nos anos 1950 a 1960, fazíamos monitorização pela urina, misturando-a com um reagente químico no calor. Depois, foram criadas tirinhas reagentes de glicose na urina. Nos anos 1960, começaram as monitorizações pela pontinha de dedo, levando o que fazíamos apenas no laboratório para dentro de casa, ainda usando tiras reagentes, mas com as gotas de sangue. Nos anos 90 foi quando começou a aparecer a monitorização contínua da glicose. Temos a possibilidade de ver o perfil de glicemia durante 24 horas traçado espelhando o que está acontecendo em nosso sangue.

Depois, começou a medição no interstício (em que o sensor fica subcutâneo e mede a glicemia em outro local que não o sangue). O que houve é que no início desta tecnologia tínhamos números muito diferentes e o tempo que levava para ler o interstício era longo. Hoje, temos melhorado essa tecnologia e a metodologia é tão boa que você pode ter dados muito semelhantes do sensor e da glicemia na ponta de dedo. Hoje, usamos isso na prática em alguns monitores novos, como o FreeStyle Libre da Abbott, que traça o perfil de glicose nas 24 horas do dia, monitorando os dados a cada 8 horas, com resultados muito próximos às medições capilares.

Por que o médico precisa saber a minha glicemia em tantos momentos do dia?

Temos duas situações em que saber a glicemia é importante. A primeira é para quem está em insulinoterapia intensiva, como o paciente diabético tipo 1. Ele vai precisar medir a glicemia para saber a dose da insulina em cada refeição, porque o tratamento se baseia nesse dado. Se ele não monitora, vai estimar a dose e pode aplicar mais ou menos do que o necessário. Se é um paciente com diabetes tipo 2 que toma medicação e insulina basal, é preciso monitorar para decidir a dose de insulina. O médico se baseia na insulina de jejum para tomar essa decisão. A medida é importante para isso.

Como posso saber se tive hipoglicemia noturna? Preciso acordar para medir a glicemia no meio da noite?

Para um paciente com terapia oral, ela vai ser importante se o médico quer fazer ajustes da dose e da terapia. Se o paciente começa a passar mal, por exemplo, é preciso verificar se está com hipoglicemia ou hiperglicemia. É possível, dessa forma, checar qual a melhor conduta.

Para um paciente com terapia oral, ela vai ser importante se o médico quer fazer ajustes da dose e da terapia. Se o paciente começa a passar mal, por exemplo, é preciso verificar se está com hipoglicemia ou hiperglicemia. É possível, dessa forma, checar qual a melhor conduta.

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Não tenho o hábito de verificar a glicemia diariamente. O que isso pode me causar ao longo do tempo?

Se você for um paciente com diabetes tipo 2 e que não depende da mudança da sua terapia com base na glicemia (insulinodependentes devem medi-la constantemente para saber quanto devem aplicar após cada refeição), muitas vezes seu médico pode orientar que faça pontas de dedo mais esporádicas, em situações em que você não se sinta bem, quando vai a uma festa ou quando tem sintomas como boca seca, sonolência ou muita fome, o que pode sugerir tanto hiperglicemia ou uma hipoglicemia. Isso não quer dizer que o diabetes não está bem controlado, porque usamos a hemoglobina glicada como parâmetro de controle. Para o paciente diabético tipo 1, não é possível tratá-lo se não fizermos a medição, pois ele depende disso para tomar decisões diárias de tratamento.

Ao fazer automedição da glicemia, quais os valores que podem ser considerados satisfatórios?

Primeiro, temos que saber se você tem ou não diabetes. Os valores normais para quem não tem diabetes é acordar com glicemia abaixo de 99 mg/dL e que, duas horas após a refeição, a glicemia esteja abaixo de 140 mg/dL. Se a pessoa já tem diabetes, deve ter sua meta de glicemia individualizada com seu médico. Mas, de modo geral, um bom controle é acordar com glicemia abaixo de 120 mg/dL e que, duas horas após a refeição, esteja entre 160 e 180 mg/dL.

Ouvi falar de um novo medidor de glicemia que mede o diabetes pelo líquido intersticial. O que isso muda na medição?

Quando você mede a glicemia no interstício é um valor de glicose que chega atrasado com relação ao sangue. Portanto, se você verificar a glicemia em um momento em que ela varia rapidamente, os valores podem ser bem diferentes. É um bom recurso para monitorar o diabetes se você observar sua glicemia nos momentos de pouca variabilidade: quando não está comendo, não está fazendo exercício ou não acabou de colocar sua dose de insulina. Mas, com os sensores mais novos, esse tempo tem diminuído e ficado mais próximo do valor medido na ponta do dedo. Mesmo em aparelhos que medem a glicemia pelo sangue, eles podem ter diferenças de 15% entre eles, mesmo usando a mesma gota de sangue. Então, a variação também pode acontecer nesses casos.

Medir a glicemia no braço é seguro?

As medidas da glicemia com aparelhos de glicemia capilar são recomendadas para serem feitas nas pontas de dedo e algumas verificações podem ser feitas em lugares alternativos. Existem aplicadores específicos para braço, palma de mão, entre outros locais. Eles são usados quando a glicemia não varia muito: fora dos horários da refeições e atividade física. Os aparelhos que avaliam glicose de interstício podem ser feitos onde há o interstício. No caso do FreeStyle Libre, ele é indicado no braço, porque é onde foi testado.

Minha medição oscila muito tanto em jejum como durante a noite. Como fazer corretamente a medição? E o valor glicêmico?

A monitorização reflete como está o controle. Se está variando muito, é preciso modificar a terapia, ou porque falta um ajuste na medicação ou falta ajuste no plano alimentar. A monitorização vai ajudar a entender o que está acontecendo e a tomar as medidas adequadas de acordo com o resultado. Por exemplo, se você faz uso de insulina, acorda de manhã com a glicemia boa, toma café e duas horas depois ela fica muito alta, a dose aplicada não foi suficiente para cobrir o que você comeu ou você comeu muito mais do que deveria com aquela dose. Por isso, medir a glicemia pode ajudar a levar os dados ao médico e ele te ajudar a ter menos oscilação.

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Como prevenir diabetes?

O diabetes tipo 2 pode ser prevenido, já o tipo 1 não tem como. No diabetes tipo 2, se eu tenho fatores de risco, é preciso reduzi-los cuidando do excesso de peso, tratando hipertensão e colesterol alto e fazendo atividade física. Dessa forma, tenta-se prevenir a doença.

Diabetes tem cura?

Por enquanto não há cura para diabetes tipo 1 e 2. O que acontece é que em algumas situações a cirurgia bariátrica pode melhorar o quadro, mas se o paciente engordar de novo, ele pode voltar a ter o problema. Então, ele deve ser sempre monitorado.

Quais os sintomas do diabetes?

O diabetes é denunciado por comer muito, fazer muito xixi e tomar muita água. Esses sintomas principais podem estar associados a cansaço, dores nas pernas, candidíase vaginal e visão embaçada.

Meu pai tem diabetes e ultimamente tem tido muita insônia. Quero saber se a diabetes causa algum distúrbio no sono.

Pode causar distúrbios no sono, sim. Seu pai pode estar tendo hipoglicemia durante a madrugada. Às vezes, os distúrbios de sono podem ser a causa do diabetes porque quando tem alteração no sono e houve um aumento da produção de hormônios que elevam a glicemia, a pessoa pode ter o risco de desenvolver diabetes aumentado. Distúrbios do sono causam também hipertensão, obesidade e outros fatores de risco. Por isso, é importante tratá-los.

Quais as interferências que estresse e ansiedade podem ter no diabetes?

Podem interferir bastante. Toda vez que tem uma situação de estresse, nosso organismo produz hormônios que aumentam a glicemia para lidar com isso. Em alguém que já tem diabetes, situações que saem da rotina podem predispor a descompensação da glicemia. Além disso, infecções e cirurgias também podem levar à descompensação.

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