Automedicação alivia a dor, mas deixa seu corpo mais vulnerável

Aspirina e vitamina C podem causar de úlcera à hemorragia

POR REDAÇÃO - PUBLICADO EM 17/10/2008

Você não tem dúvida: anda sempre com uns comprimidos na bolsa, afinal nunca se sabe quando a dor de cabeça vai incomodar. Ou, quem sabe, aquele enjôo terrível, resultado de uma refeição mais pesada. A precaução, no entanto, pode custar caro á sua saúde, como alerta o médico José Caruso, professor de farmacologia da Uninove, em São Paulo. Quando há uma inflamação, por exemplo, nossas defesas formam um edema na região. Esse edema comprime os nervos da região vizinha, causando a dor , explica. Quanto maior a intensidade da reação imune, portanto, maior a dor . E o que acontece quando você toma um remédio que alivia o desconforto? Essa reação de defesa pede a força.

Os antiinflamatórios (classe que inclui os analgésicos) agem neste mecanismo, inibindo que a reação de defesa seja muito vigorosa. Quando a prescrição do medicamento é feita por uma especialista, não há problema, afinal este risco foi calculado , diz o professor de farmacologia. Chegam menos células de defesa. Então a compressão e a dor diminuem . O problema é quando você age por conta própria, podendo vir a sofrer com a ação dos microorganismos que, com suas defesas inibidas, sentem-se mais à vontade para agir.

E não é só isso. Quando você toma remédios sem orientação médica, fica sujeito a uma série de inconvenientes até mais graves do que o mal estar que estava perturbando antes. Abaixo, o médico José Caruso chama a atenção para os perigos mais comuns, ajudando você a proteger sua saúde contra elas.

Aspirina: o analgésico, composto basicamente por ácido acetilsalicílico, vence a disputa na categoria popularidade. Difícil encontrar quem nunca tomou ou não tenha em casa uma cartelinha com os comprimidos. Pouca gente desconfia, no entanto, que eles não têm nada de inocente. O ácido acetilsalicílico inibe a produção do muco que protege o estômago. Então, os ácidos que agem na digestão podem afetar as paredes do órgão, causando úlceras e sangramentos do trato digestivo . E nem pense que tomar o remédio com leite é solução: o leite é básico, portanto diminui ou corta o efeito da aspirina, um ácido.

Os cardiologistas usam o ácido acetilsalicílico na prevenção do infarto, porque a fórmula é anticoagulante. Usá-lo,por exemplo, após uma extração de dente ou contra cólica menstrual vai diminuir a dor, mas o sangramento aumenta.

Diclofenaco sódico: o antiinflamatório está entre os mais comuns. Mas as complicações renais que ele pode causar, principalmente entre os idosos, exigem cuidados no consumo. E vale lembrar que não estamos falando de alergia ao medicamento. Mas, sim, de uma reação adversa provocada pela ingestão indiscriminada , diz o médico. O problema pode surgir de uma hora para outra mesmo em pessoas que jamais tiveram qualquer incidente. Por isso, nas consultas, os médicos fazem uma série de perguntas antes de receitar qualquer fórmula. Investigamos doenças anteriores, o quadro atual, o histórico da família, riscos de associações a outros medicamentos e alergias antes de prescrever qualquer coisa , afirma José Caruso.

Xaropes contra tosse: basta a criança começar a ranger a garganta, que os pais enfiam uma colherada do remédio goela abaixo. Um perigo, porque muitos deles contêm iodo na fórmula e, se a criança for alérgica, pode sofrer com caroços, coceira e vermelhidão na pele. Isso sem falar na ação dos broncodilatadores, que causam taquicardia e podem prejudicar o coração.

Antiespasmódicos: o intestino funciona alheio ao seu comando. Ao tomar algum remédio para conter os espasmos (contração dolorosa), há retardo no esvaziamento do intestino e cresce o armazenamento de toxinas pelo seu organismo.

Vitaminas: uma alimentação balanceada dispensa qualquer tipo e suplementação, já que os nutrientes estão divididos entre as refeições. No entanto, em alguns casos podem surgir carências. Mas só um nutricionista ou um médico são capazes de identificá-las a partir de exames físicos e de sangue. O exagero na vitamina C, por exemplo, pode prejudicar seu estômago (já que ela é ácida e destrói o muco protetor das paredes, como acontece com a aspirina). Além disso, tomando vitaminas sem necessidade, você só desperdiça dinheiro. O organismo não faz reserva desses nutrientes. Se não precisa, ele elimina , afirma o médico.

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