Convulsão

Visão Geral

O que é Convulsão?

Uma convulsão ocorre quando há uma atividade elétrica anormal do cérebro. Essa atividade anormal pode passar despercebida ou, em casos mais graves, pode produzir uma alteração ou perda de consciência acompanhada de espasmos musculares involuntários - que é definido como crise convulsiva ou convulsão. As convulsões geralmente vêm de repente e variam em duração e gravidade. A convulsão pode ser um evento único ou acontecer repetidas vezes. Crises recorrentes caracterizam o diagnóstico de epilepsia.

As crises epilépticas podem afetar um ou os dois lados do cérebro. Os sintomas podem durar de alguns segundos a muitos minutos por episódio. Algumas sensações ocorrem como sinais de alerta para uma convulsão que vai acontecer. Essas incluem:

  • Sentimentos súbitos de medo ou ansiedade
  • Sentir-se mal do estômago
  • Tontura
  • Alterações na visão.

Esses sintomas podem ser seguidos de uma crise, em que a pessoa pode:

  • Perder a consciência, seguida por confusão
  • Ter espasmos musculares incontroláveis
  • Babar ou espumar pela boca
  • Cair
  • Ficar com um gosto estranho na boca
  • Cerrar os dentes
  • Morder a língua, que pode sangrar
  • Ter movimentos oculares rápidos e súbitos
  • Fazer ruídos estranhos, como grunhidos
  • Perder o controle da função da bexiga ou intestino
  • Mudar de humor repentinamente.

Tipos

Existem vários tipos de convulsão. Algumas crises são associadas a lesões cerebrais, como aquelas causadas por traumas no crânio. Com o tratamento, pode haver controle dessas crises.

Crises generalizadas

Acontece quando os dois lados do cérebro são afetados pelo ataque. Os tipos de convulsão generalizada mais comuns incluem:

Crises de ausência (pequeno mal): esses ataques têm poucos sintomas físicos, geralmente se manifestam deixando a pessoa com o olhar perdido por alguns segundos. Você não consegue chamar atenção da pessoa durante esse tempo.

Tônico-clônicas (grande mal): tem associação com a perda súbita de consciência. A fase tônica de caracteriza por endurecimento dos músculos, já a fase clônica envolve movimentos repetitivos e rítmicos que envolvem ambos os lados do corpo ao mesmo tempo. A crise tônico-clônica generalizada também é chamada de crise convulsiva ou, simplesmente, convulsão.

Convulsões focais

As crises focais (ou parciais) são divididas em parciais simples, parciais complexas e aquelas que evoluem para crises generalizadas secundárias. A diferença entre as crises simples e complexas é que, durante crises parciais simples, os pacientes mantêm a consciência; durante crises parciais complexas, eles perdem a consciência.

Crises parciais simples são subdivididas em quatro categorias de acordo com a natureza de seus sintomas: motor, autonômico, sensorial ou psicológica. Os sintomas motores incluem movimentos como espasmos e rigidez. Os sintomas sensoriais decorrentes de crises envolvem sensações estranhas que afetam qualquer um dos cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar ou tato). Sintomas autonômicos afetam o sistema nervoso autônomo, que controla as funções dos nossos órgãos, como o coração, estômago, bexiga, intestinos. Portanto, sintomas autonômicos incluem batimento cardíaco acelerado, dor de estômago, diarreia e perda de controle da bexiga. Crises parciais simples com sintomas psicológicos são caracterizadas por várias experiências envolvendo a memória (a sensação de déjà-vu), emoções (como o medo ou prazer), ou outros fenômenos psicológicos complexos.

Crises parciais complexas, por definição, incluem comprometimento da consciência. Os pacientes parecem estar "fora de contato" ou "olhando para o espaço" durante essas crises. Também pode haver sintomas chamados automatismos. Automatismos consistem em movimentos involuntários, mas coordenados, que tendem a ser sem propósito e repetitivo. Automatismos comuns incluem estalar os lábios, morder e se remexer.

O terceiro tipo de crise parcial é aquele que começa como uma crise focal e evolui para uma convulsão generalizada. Em cerca de dois terços dos pacientes com epilepsia parcial, convulsões as crises podem ser controladas com medicamentos. As crises parciais que não podem ser tratadas com as drogas podem muitas vezes ser tratadas cirurgicamente.

Causas

Todos os tipos de convulsão são causados pela atividade elétrica desorganizada e súbita do cérebro. Entre as causas mais frequentes estão:

  • Níveis anormais de sódio ou glicose no sangue
  • Infecção cerebral, incluindo meningite
  • Lesão cerebral que ocorre ao bebê durante o parto ou nascimento
  • Problemas cerebrais que ocorrem antes do nascimento (defeitos cerebrais congênitos)
  • Tumor cerebral
  • Asfixia
  • Abuso de drogas
  • Choque elétrico
  • Febre (especialmente em crianças pequenas)
  • Febre alta
  • Lesões na cabeça
  • Doença cardíaca
  • Doenças relacionadas ao calor (ver intolerância ao calor)
  • Drogas ilícitas, como o pó de anjo (PCP), cocaína, anfetaminas
  • Insuficiência renal ou hepática
  • Nível baixo de açúcar no sangue
  • Fenilcetonúria (PKU), que pode provocar ataques em bebês
  • Envenenamento
  • AVC
  • Toxemia de gestação
  • Uremia relacionada à insuficiência renal
  • Pressão sanguínea muito alta (hipertensão maligna)
  • Picadas e ferroadas de animais peçonhentos
  • Utilização de drogas ilícitas, como cocaína e anfetaminas
  • Suspensão de álcool após ter ingerido grandes quantidades na maioria dos dias
  • Suspensão de certas drogas, incluindo alguns analgésicos e pílulas para dormir
  • Suspensão de benzodiazepínicos.

Às vezes, a convulsão não tem causa identificada. Esses casos são chamados de crises idiopáticas. Geralmente ocorrem em crianças e adultos jovens, mas podem ocorrer em qualquer idade. Pode haver um histórico familiar de epilepsia ou convulsão.

Diagnóstico e Exames

Primeiros socorros

Se você testemunhar uma convulsão, tente manter a calma e antes de qualquer coisa chame um serviço de emergência. Preste muita atenção para o que acontece durante e após a crise.

Durante uma convulsão:

  • Proteja a pessoa de uma lesão
  • Tentar repousar a pessoa suavemente no chão, caso ela dê sinais de que irá cair
  • Tente afastar os móveis ou outros objetos que possam ferir a pessoa durante a convulsão
  • Se a pessoa que está tendo uma convulsão já está no chão quando você chegar, coloque algo macio sob sua cabeça
  • Não force nada, incluindo os dedos, na boca da pessoa. Colocar algo na boca da pessoa pode causar ferimentos a ele ou ela, como dentes lascados ou uma mandíbula fraturada. Você também poderia ser mordido
  • Vire a pessoa para o seu lado, com a boca para baixo, a menos que a pessoa resista a ser movida
  • Não tente soltar ou chacoalhar a pessoa
  • Se a pessoa vomitar, vire a pessoa para o lado.

Preste muita atenção ao que a pessoa está fazendo para que você possa descrever a convulsão para o resgate ou médico:

  • Que tipo de movimento do corpo ocorreu?
  • Quanto tempo durou a convulsão?
  • Como a pessoa agiu imediatamente após o ataque?
  • Existem lesões?

Após uma convulsão:

  • Verifique se a pessoa sofreu lesões
  • Se a pessoa está tendo dificuldade para respirar, use o dedo para limpar suavemente a boca de qualquer vômito ou saliva
  • Afrouxe roupas apertadas em volta do pescoço e da cintura da pessoa
  • Forneça uma área segura, onde a pessoa possa descansar
  • Não dê nada para ela comer ou beber até que a pessoa esteja totalmente acordada e alerta
  • Fique com a pessoa até que ela esteja acordada e familiarizada com o ambiente. A maioria das pessoas vai ficar sonolenta ou confusa após uma convulsão.

Uma pessoa que teve uma convulsão não deve dirigir, nadar, subir escadas, ou operar máquinas até que tenha visto um médico.

Epilepsia: como ajudar uma pessoa com convulsão?

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar uma crise epiléptica são:

  • Clínico geral
  • Neurologista
  • Pediatra.

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram. Anote caso você tenha sentido algo diferente antes da convulsão e como você se sentiu depois dela
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça a uma pessoa que testemunhou a convulsão para te acompanhar.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • O que aconteceu durante a crise?
  • Que tipo de movimento do corpo ocorreu?
  • Quanto tempo levou?
  • Como a pessoa agiu imediatamente após a crise?
  • Existem lesões relacionadas às crises?
  • Alguma vez você já teve uma convulsão antes? Se sim, qual foi o diagnóstico e como as crises são tratadas?

Se você tem epilepsia, o médico pode perguntar:

  • Quais os medicamentos foram prescritos?
  • A dosagem do seu medicamento mudou recentemente?
  • Você tomou o seu medicamento exatamente como prescrito?
  • Você tomou os medicamentos prescritos ou não prescritos justamente com álcool?
  • Você já usou algum produto de medicina alternativa recentemente?
  • Quando foi sua última convulsão?
  • Em média, com que frequência você tem convulsões?
  • Você já teve outros problemas de saúde nos últimos três meses?
  • Você já teve uma concussão (lesão traumática cerebral) no passado? Há quanto tempo? Quão grave foi? Você perdeu a consciência? Quais testes foram utilizados para avaliar a sua lesão na cabeça?
  • Você já teve problemas com dores de cabeça?
  • Você toma, parou de tomar ou mudou a dose de quaisquer medicamentos, incluindo medicamentos sem receita médica ou drogas ilegais?
  • De repente você reduziu ou parou de beber álcool?

Diagnóstico de Convulsão

O médico irá considerar o seu histórico médico completo e os eventos que levaram à convulsão. Por exemplo, doenças como enxaqueca, distúrbios do sono e estresse psicológico extremo podem causar sintomas de perda de consciência.

Testes de laboratório podem ajudar a diagnosticar algumas causas da convulsão. Esses incluem:

  • Exames de sangue para verificar se há desequilíbrio eletrolítico
  • Punção lombar para afastar a suspeita de infecção
  • Triagem toxicológica de teste de drogas, venenos ou toxinas.

Um eletroencefalograma pode ajudar o médico a diagnosticar uma convulsão. Exames de imagem, como a tomografia computadorizada ou ressonância magnética, também podem ajudar, fornecendo uma imagem clara do cérebro, permitindo que o seu médico veja qualquer anormalidade, como o fluxo sanguíneo bloqueado ou um tumor.

Prevenção

Prevenção

Em muitos casos, uma convulsão não pode ser evitada. No entanto, a manutenção de um estilo de vida saudável pode lhe dar a melhor chance de reduzir o seu risco. Isto inclui dormir bem, comer uma dieta saudável e fazer exercícios regularmente.

Engajar-se em técnicas de redução de estresse pode ajudar a reduzir convulsões. Você também deve se abster de tomar drogas ilegais.

Se você estiver sob medicação para a epilepsia ou outras condições médicas, não se esqueça de toma-los conforme as instruções para evitar convulsões.

Convivendo (prognóstico)

Expectativas

Tratamentos para convulsão variar de acordo com a causa das crises. Ao tratar a causa das convulsões, você pode ser capaz de evitar crises futuras. Com o tratamento regular, as pessoas com epilepsia podem experimentar uma redução ou desaparecimento dos sintomas convulsivos.

Fontes e referências

  • Revisado por: Luis Otávio Caboclo, neurologista do Hospital Albert Einstein - CRM SP 85764
  • Sociedade Brasileira de Neurocirurgia
  • Ministério da Saúde
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