Doença de Graves: sintomas, tratamentos e causas

REVISADO POR
Dr. Sérgio Vêncio
Endocrinologia e Metabologia - CRM 6784-5/GO
especialista minha vida

Visão Geral

O que é Doença de Graves?

Sinônimos: doença de basedow-graves, bócio difuso tóxico

A Doença de Graves é uma condição autoimune (o próprio sistema de defesa provoca a doença) que leva à hiperatividade (funcionamento excessivo) da tireoide. Aproximadamente de 60 a 80% dos casos de hipertireoidismo são causados pela Doença de Graves, que foi descrita pela primeira vez em 1825, na Inglaterra, e, posteriormente, em 1835, por Robert Graves, na Irlanda.

Hipertireoidismo: saiba como o excesso de hormônios da tireoide afeta o organismo - SAIBA MAIS
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Tipos

A Doença de Grave pode aparecer tanto em sua forma normal quanto num tipo mais específico, que afeta a visão. Este tipo, conhecido como Oftalmopatia de Graves, consiste em uma alteração na órbita do olho provocada pela disfunção na tireoide. Na maioria dos casos, este tipo da Doença de Graves surge junto com o hipertireoidismo e é caracterizado pelo deslocamento do globo ocular para frente.

Há, ainda, um outro subtipo da doença, que é bem menos frequente: a dermopatia de Graves. Ela afeta a pele, deixando-a com aspecto mais grosso e avermelhado – principalmente as partes inferiores do corpo, como pernas e pés.

Causas

A Doença de Graves é uma doença autoimune, ou seja, causada por um defeito no sistema imunológico que leva à inflamação da tiróide pelos próprios auto anticorpos, proteínas de defesa que existem para proteger nosso corpo de infecções e agentes agressores.

Na Doença de Graves a tireoide passa a produzir mais quantidade de hormônio do que o normal.

No caso da Oftalmopatia de Graves, as causas ainda não estão totalmente esclarecidas. Suspeita-se, no entanto, que os mesmos anticorpos que inflamam a tireoide se acumulam na gordura que existe normalmente atrás do globo ocular, provocando uma reação inflamatória e deslocando o globo ocular pra frente.

Fatores de risco

Embora qualquer um possa desenvolver a Doença de Graves, existem alguns fatores que aumentam as chances de ocorrência da enfermidade. Confira:

Histórico familiar

Este é um dos fatores de risco mais conhecidos – razão pela qual acredita-se que exista um ou mais genes que tornam uma pessoa mais suscetível à Doença de Graves.

Sexo

Pessoas do sexo feminino são muito mais propensas a desenvolver a doença de Graves do que pessoas do sexo masculino.

Idade

A Doença de Graves geralmente se desenvolve em pessoas com menos de 40 anos.

Outras doenças autoimunes

A presença de uma doença autoimune aumenta o risco de desenvolver a Doença de Graves.

Estresse

Tanto o estresse físico quanto emocional pode contribuir para a ocorrência de Doença de Graves. Situações estressantes podem agir como uma espécie de gatilho para o aparecimento da enfermidade em pessoas que são geneticamente mais suscetíveis.

Gravidez

Gestação ou parto recente podem aumentar o risco da doença, especialmente entre as mulheres que são geneticamente suscetíveis.

Cigarro

O tabagismo pode afetar o sistema imunológico e aumenta o risco de uma pessoa vir a desenvolver a Doença de Graves. Os fumantes que têm doença de Graves apresentam maior incidência de Oftalmopatia.

Sintomas

Sintomas de Doença de Graves

Os principais sinais e sintomas da doença de Graves incluem:

  • Ansiedade e Irritabilidade
  • Tremor nas mãos ou dedos
  • Sensibilidade ao calor, aumento da transpiração e pele quente e úmida
  • perda de peso anormal, apesar de hábitos alimentares normais
  • Aumento da glândula tireoide (bócio)
  • Alterações no ciclo menstrual
  • Disfunção erétil ou diminuição da líbido
  • Evacuações frequentes
  • Batimentos cardíacos rápido ou irregulares (palpitações).

Aproximadamente 30% das pessoas com Doença de Graves também apresentam sinais de Oftalmopatia de Graves, o tipo que ataca o globo ocular. Os principais sinais desta forma da doença são:

  • Olhos esbugalhados (exoftalmia)
  • Sensação de areia nos olhos
  • Pressão ou dor nos olhos
  • Pálpebras retraídas
  • Olhos avermelhados ou inflamados
  • Sensibilidade à luz (fotofobia)
  • Visão dupla
  • Perda de visão, em casos mais graves

No caso da dermopatia de Graves, o paciente fica com a pele vermelha e com aspecto mais grosso, geralmente nas pernas ou nos pés. No entanto, essa forma da doença é mais rara.

Buscando ajuda médica

Algumas condições médicas podem fazer com que os sinais e sintomas associados à doença de Graves sem agravem. Consulte um médico se você sentir quaisquer possíveis problemas relacionados à Graves a fim de obter um diagnóstico rápido e preciso.

Procure atendimento de emergência se você apresentar sinais e sintomas relacionados ao coração, como batimentos cardíacos rápidos ou irregulares, ou se tiver perda de visão.

Diagnóstico e Exames

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar a Doença de Graves são:

  • Clínico geral
  • Oftalmologista
  • Endocrinologia
  • Cardiologia
  • Dermatologia
  • Ginecologia
  • Urologia

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quando os sintomas surgiram?
  • Os sintomas são frequentes ou ocasionais?
  • Qual a intensidade dos sintomas?
  • Você já foi diagnosticado com alguma outra condição médica antes?
  • Você já teve algum problema envolvendo a tireoide ou outra parte do sistema endócrino?
  • Você tem histórico familiar de doença endócrina? Qual?
  • Você fuma?

Diagnóstico de Doença de Graves

O diagnóstico para a Doença de Graves costuma incluir os seguintes procedimentos:

História médica e exame físico

Uma detalhada história médica deve ser levantada pelo médico. Além disso, o exame físico deve ser minucioso, observando-se pulso, pressão arterial, olhos, pele, tiróide, sistema neurológico, palpação do abdome, etc...

Exames de sangue

O médico poderá solicitar exames de sangue para determinar os níveis de hormônio estimulante da tireoide (TSH), o hormônio da hipófise que normalmente estimula a glândula, bem como os níveis de hormônios produzidos pela tireoide (T3 e T4). Pessoas com doença de Graves geralmente têm menos quantidade de TSH no sangue e níveis mais elevados de hormônios da tireoide. Os anticorpos envolvidos na doença também podem ser dosados pelo laboratório.

Ultrassom

Este exame faz uso de ondas sonoras de alta frequência para produzir imagens de estruturas internas do corpo. O ultrassom pode mostrar se a tireoide está maior que o normal assim como avalia a presença de nódulos e o fluxo sanguíneo na tiróide.

Outros exames de imagem

Se o diagnóstico da oftalmopatia de Graves não estiver claro a partir de uma avaliação clínica feita no próprio consultório, o médico pode pedir exames de imagem, como a tomografia computadorizada ou radiografias. Ressonância magnética, que utiliza campos magnéticos e ondas de rádio para criar tanto imagens transversais ou em 3D, também podem ser utilizados como forma de diagnóstico.

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Doença de Graves

Os principais objetivos do tratamento para a doença de Graves são: inibir a produção dos hormônios da tireoide e bloquear o efeito desses hormônios no corpo. Alguns tratamentos possíveis incluem:

Terapia com iodo radioativo

Neste tipo de tratamento, o paciente ingere iodo radioativo. No organismo, essa substância entra nas células da tireoide e causa uma inflamação (actínica) das células tiroideanas, levando em médio prazo a diminuição da glândula, assim como a diminuição da produção dos hormônios. Com isso, os sintomas começam a desaparecer gradualmente. Esse processo pode demorar de algumas semanas a alguns meses. Este método de tratamento, no entanto, pode causar alguns efeitos colaterais. O mais conhecido deles é a piora da oftalmopatia de Graves.

Este tratamento, por outro lado, não pode ser ministrado a pacientes que já tenham problemas oculares graves. Ele também não é recomendado para mulheres grávidas ou mulheres que estejam amamentando. Outro problema decorrente deste método é que o iodo radioativo diminui consideravelmente a atividade da tireoide, de modo que, após o fim do tratamento, o paciente pode desenvolver o hipotireoidismo (falta de hormônio tiroideano) e precisar repor os hormônios produzidos pela glândula.

Medicamentos anti-tireoide

O tratamento também pode ser feito com o uso de medicamentos anti-tireoideanos, que servem como uma alternativa à ingestão de iodo radioativo. Como todos os tipos de tratamento, também há restrições, principalmente a mulheres grávidas que estejam no primeiro trimestre da gestação. Converse com um médico sobre a melhor opção de medicamento para você.

Betabloqueadores

Estes medicamentos não são capazes de inibir a produção de hormônios da tireoide, mas podem, sim, bloquear o efeito desses hormônios no corpo do paciente, principalmente no coração. Eles podem fornecer alívio relativamente rápido a batimentos cardíacos irregulares, tremores, ansiedade ou irritabilidade, intolerância ao calor, sudorese, diarreia e fraqueza muscular. Os betabloqueadores devem ser prescritos com cuidado a pessoas com asma e diabetes.

Cirurgia

A cirurgia para remover toda ou parte da sua tireoide (chamas de tiroidectomia ou tiroidectomia subtotal) também é uma opção de tratamento para a doença de Graves. Após a cirurgia, o paciente provavelmente precisará repor o hormônio produzido pela tireoide.

Entre os maiores riscos da cirurgia incluem danos permanentes para as cordas vocais e às pequenas glândulas localizadas ao lado da tireoide (chamadas de glândulas paratireoides). São essas glândulas que produzem um hormônio capaz de controlar o nível de cálcio no sangue.

E a oftalmopatia de Graves?

Os sintomas leves deste tipo da Doença de Graves podem ser gerenciados e tratados por meio do uso de lágrimas artificias. Caso os sintomas sejam mais graves, o médico poderá recomendar outros tipos de tratamento. Veja:

  • Corticosteroides, que podem diminuir o inchaço dos olhos
  • Prismas, que corrigem a visão dupla causada pela doença
  • Cirurgia de descompressão orbital. Nesta cirurgia, o médico remove o osso entre a órbita e as regiões ao redor, fazendo com o que o olho volte à aparência normal
  • Radioterapia orbital. Recomendado em casos mais graves.

Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

Se você tem doença de Graves, estabeleça como prioridade o seu bem-estar físico e mental. Comer bem e praticar exercícios físicos de forma supervisionada por um cardiologista podem promover a melhora de alguns sintomas durante o tratamento e, assim, ajudá-lo a se sentir melhor.

Fique atento, pois disfunções na tireoide afetam diretamente no metabolismo do corpo. Isto significa que o índice de massa corporal e armazenamento de gordura pelo corpo dependem muito do funcionamento desta glândula. É muito comum sofrer com a perda de peso durante a Doença de Graves, mesmo mantendo bons hábitos alimentares. Com o tratamento, a atividade da tireoide tende a diminuir drasticamente, podendo levar o paciente a ganhar muito peso em pouco tempo. Desta forma, uma dieta balanceada e rica em nutrientes, aliada a exercícios físicos adequados, podem ajudar o paciente a manter o peso normal mesmo após o fim do tratamento.

Outro ponto importantíssimo para conviver bem com a Doença de Graves é cooperar com o médico e obedecer ao tratamento.

Complicações possíveis

Se não for devidamente tratada, a Doença de Graves pode causar algumas complicações sérias de saúde. Confira:

Complicações na gravidez

Aborto espontâneo, parto prematuro, disfunção da tireoide fetal, insuficiência cardíaca, pré-eclâmpsia e malformações congênitas estão entre as principais complicações que podem acometer uma mulher grávida com Doença de Graves que não foi adequadamente tratada.

Distúrbios cardíacos

Sem a devida atenção médica, essa doença também pode conduzir a problemas no ritmo cardíaco, alterações na estrutura e função dos músculos do coração e, também, à incapacidade do coração de bombear sangue suficiente para o corpo (insuficiência cardíaca congestiva).

Tempestade da tireoide

Trata-se de uma complicação rara, mas potencialmente fatal da doença de Graves, em que a tireoide funciona de forma ainda mais ativa. Este aumento súbito e drástico da quantidade de hormônios da tireoide pode produzir uma série de sintomas, como febre, sudorese, vômitos, diarreia, delírio, fraqueza muscular, convulsões, batimentos cardíacos irregulares, pele e olhos amarelos (icterícia), pressão arterial alterada, entre outros. A tempestade tireoideana requer atendimento médico de emergência.

Osteoporose

Hipertireoidismo não tratado também pode levar à osteoporose. A densidade óssea depende, em parte, da quantidade de cálcio e outros minerais que os ossos contêm. Excesso de hormônio tireoidiano interfere diretamente na capacidade do corpo de incorporar cálcio no interior dos ossos, levando, assim, ao seu enfraquecimento.

Expectativas

Diversos tipos de tratamento para a Doença de Graves costumam causar efeitos colaterais. Por essa razão, é imprescindível que os pacientes conversem com médicos a respeito das opções de terapias disponíveis para a enfermidade.

No entanto, em termos gerais, o tratamento para a Doença de Graves se mostra eficaz.

Prevenção

Prevenção

Não existem formas conhecidas de se prevenir a ocorrência da Doença de Graves.

Fontes e referências

  • Fadlo Fraige Filho, endocrinologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo (CRM/SP 13986)
  • Clínica Mayo – organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos que reúne conteúdos sobre doenças, sintomas, exames médicos, medicamentos, entre outros.
  • Associação Americana de Tireoide - organização voltada para estudos da tireoide, bem como para prevenção e tratamento de distúrbios da tireoide por meio de pesquisas, orientação clínica e educação.