7 alimentos naturais que podem ser tóxicos | Minha Vida
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7 alimentos naturais que podem ser tóxicos

Carambola, espinafre e castanha-do-pará são alguns dos alimentos que podem causar intoxicação

É comum pensar que os alimentos naturais são sempre benéficos para a saúde. Mas em alguns casos é preciso tomar certo cuidado principalmente para pessoas que apresentam algum problema de saúde. Isto porque alguns alimentos contam com fatores antinutricionais. "O termo 'fator antinutricional' é dado aos compostos desses alimentos de origem vegetal que ao serem consumidos, diminuem o valor nutricional ou efeito benéfico do alimento. Eles interferem na digestibilidade, absorção ou utilização de nutrientes e, se ingeridos em altas concentrações, podem acarretar efeitos danosos à saúde", explica a nutricionista Hannah Médici. A seguir, saiba quais são esses alimentos e os cuidados necessários ao consumí-los.

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Carambola: risco para quem tem problemas renais

Carambola pode prejudicar os rins - Foto: Getty Images
Carambola pode prejudicar os rins - Foto: Getty Images

A carambola tem em sua composição o ácido oxálico que em quantidade elevada na urina aumenta a formação de cálculos de cálcio renais, por ser pouco solúvel na urina, e ainda pode causar irritação nas mucosas intestinais.

Assim, a carambola quando consumida em excesso pode causar pedras nos rins de pessoas saudáveis. Em pessoas que já tem problemas renais as complicações podem ser ainda maiores. A carambola possui uma toxina, que é absorvida no processo de digestão da fruta, filtrada pelo rim e eliminada através da urina.

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No entanto, quando uma pessoa apresenta quadro de problema renais, com cerca de 10 a 15% de capacidade de funcionamento dos rins, essa toxina, que é um aminoácido modificado, vai para a corrente sanguínea, e se une as proteínas no sistema nervoso central. É por isso que essa toxina é chamada de neurotoxina, podendo afetar o sistema nervoso, causando soluços fortes, confusão mental, agitação, convulsões, sonolência, coma e até levar a morte em casos mais graves.

Assim, quando consumida por quem tem algum grau de problema renal, a carambola pode levar a intoxicação. "Nestes casos a maneira de retirar a toxina da corrente sanguínea é através da filtração do sangue na hemodiálise, que deve ser feita imediatamente correndo-se o risco de não dar tempo e a pessoa ir a óbito", explica a nutricionista Talitta Maciel, do Espaço Reeducação Alimentar.

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Um dos grandes riscos é que problemas renais na maioria das vezes são assintomáticos. Então, a pessoa pode ter algum grau de insuficiência e não saber, comer a carambola e passar mal. Os diabéticos também devem evitar o consumo da carambola. "Isto porque a glicemia alta pode causar danos renais. Pessoas que não apresentam sinais de problemas renais, o ideal é fazer exames para verificar a função do órgão antes de fazer o consumo da fruta", orienta Talitta Maciel.

Para pessoas saudáveis, a quantidade recomendada de carambola é uma unidade do fruto maduro por dia. "Não há uma quantidade que pode ser considerada prejudicial porque isso é muito individual. A pessoa pode consumir meia carambola e causar problemas caso tenha alguma doença no rim, como também pode ingerir grandes quantidades do fruto e não desenvolver nada", observa Talitta Maciel.

Espinafre: evite o consumo das folhas cruas

Entenda como o espinafre pode prejudicar sua saúde - Foto: Getty Images
Entenda como o espinafre pode prejudicar sua saúde - Foto: Getty Images

O espinafre é rico em ácido oxálico e ácido fítico. O alto teor destes fatores antinutricionais inibe a absorção dos minerais cálcio e ferro de alimentos consumidos junto com esta verdura. "Os ácidos oxálico e fítico também contém saponina que pode levar à inflamação no intestino", observa Talitta Maciel.

Assim, o consumo em excesso de espinafre pode levar a cálculos renais, artrite, reumatismo e gota, além de deficiência de cálcio e ferro por interferência na absorção destes minerais.

"Quando o espinafre é cozido, pode ser consumido diariamente sem problemas. Contudo, sua versão crua deve ser ingerida no máximo uma vez por semana, mas do que isso os problemas podem aparecer", explica Talita Maciel.

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Portanto, é preciso ter alguns cuidados ao consumir o espinafre. Pessoas com tendência à formação de cálculos renais, problemas renais em geral, artrite reumatoide, ácido úrico, gota e reumatismo devem evitar o alimento cru ou cozido. Enquanto pessoas saudáveis não devem ingeri-lo em grandes quantidades.

Sempre consuma o espinafre cozido, com a tampa da panela aberta, pois isto ajuda a saponina a evaporar. Não utilize o caldo de cozimento do espinafre porque ele contém muitos dos antinutrientes desta verdura.

Mandioca brava: ela contém uma espécie de veneno

A mandioca brava pode causar problemas de saúde sérios quando preparada de forma errada - Foto: Getty Images
A mandioca brava pode causar problemas de saúde sérios quando preparada de forma errada - Foto: Getty Images

O principal problema está na mandioca da espécie Mahihot Esculenta, mais conhecida como mandioca brava. "Ela é rica em glicosídeos cianogenéticos que liberam uma substância chamada ácido cianídrico, um tipo de veneno, por isso ela não pode ser consumida cozida como a mandioca comum", alerta Talitta Maciel.

O ácido cianídrico presente na mandioca brava pode causar cansaço, fraqueza muscular, agitação, falta de ar, confusão mental, convulsão, coma e até a morte. "A mandioca brava só pode ser consumida quando submetida à temperaturas muito elevadas que destroem o efeito do veneno, por isso ela apenas é utilizada na preparação de farinhas", diz Talitta Maciel. É muito raro encontrar essa mandioca, mas vale ficar atento.

Existem mais de 250 tipos de mandiocas. Para garantir a saudabilidade do alimento, é importante saber a origem desta mandioca e não consumir aquela que encontrar na natureza. "A mandioca brava costuma ser mais fina e ter o caule mais fibroso", explica Maciel.

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Algumas oleaginosas

Consumir algumas oleaginosas pode levar a excessp de selênio - Foto: Getty Images
Consumir algumas oleaginosas pode levar a excessp de selênio - Foto: Getty Images

Consumir além de seis castanhas-do-pará por dia pode ser prejudicial para a saúde. Isto porque esta quantidade do alimento possui 542 mcg de selênio, 774% da recomendação diária. O consumo ocasional de uma quantidade maior não vai causar nenhum problema, o que complica é o consumo crônico de altas quantidades da castanha. Pode ocorrer uma overdose de selênio que leva a uma condição tóxica conhecida como selenose. Os sintomas deste problema são náuseas, vômitos, dor abdominal, fadiga, irritabilidade, descamação das unhas, perda de cabelo, mau hálito, distúrbios gastrointestinais e danos ao sistema nervoso.

Assim, a orientação é ingerir entre uma e duas castanhas-do-pará por dia, considerando que cada castanha tem cerca de 5 gramas, consuma até 10 gramas. Além disso, fique pelo menos dois dias da semana sem consumir este alimento para evitar excesso de selênio.

Também é preciso ter cuidados ao consumir as amêndoas ou a castanha de caju. "Elas possuem cianeto, por isso devem ser ingeridas torradas para eliminar esse veneno", destaca Talitta Maciel. O problema do cianeto é que ele impede a absorção de minerais como potássio, magnésio e outros e isto favorece complicações como tireoide.

A castanha de caju conta com uma substância chamada urishol. "Trata-se de uma toxina alergênica que irrita bastante a pele, causando inflamações", diz Maciel. O urishol desaparece quando a castanha de caju é torrada, por isso é importante consumi-la apenas desta forma.

Óleo de copaíba

O óleo de copaíba pode causar intoxicação - Foto: Getty Images
O óleo de copaíba pode causar intoxicação - Foto: Getty Images

O óleo de copaíba é consumido em gotas diluídas em água e faz sucesso devido à sua ação anti-inflamatória e porque algumas pesquisas iniciais apontaram que ele ajuda na prevenção do câncer e é aliado do sistema nervoso central.

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Contudo, esse óleo pode causar intoxicação se consumido em excesso, podendo levar à diarreia, vômito, problemas de pele, irritação no intestino e fígado. "O óleo de copaíba deve ser introduzindo aos poucos no dia a dia não ultrapassando 6 gotas diárias, começar com 1 gota na primeira semana de uso e ir aumentando gradativamente semana a semana até chegar as 6 gotas, evitando assim que o organismo não reconheça o óleo e cause os sintomas de intoxicação", explica Talitta Maciel. O consumo deve ser observado e em caso de alguma reação suspender o uso.

Erva de São João

Entenda os problemas que a erva de São João causa na saúde - Foto: Getty Images
Entenda os problemas que a erva de São João causa na saúde - Foto: Getty Images

A erva de São João é uma planta medicinal muito usada como antidepressivo natural, sendo consumida na forma de cápsulas. A recomendação da erva varia entre 100 e 300 miligramas por dia, sendo que só o médico poderá determinar a quantidade a ser ingerida. Porém, seu usou tem contraindicações importantes.

A erva de São João tem ação fotossensibilizante, de modo que já foram descritos casos de pacientes que ingeriram a planta e apresentaram dor após um banho de sol. Há relatos de casos em que a ingestão da erva de São João levou a psicose com alucinações e ilusões em pessoas sem histórico de desordens psiquiátricas pessoais ou na família. Também há trabalhos que descrevem casos de pacientes que desenvolveram estado de mania após a ingestão da erva. Ainda há o perigo de hipertensão se a erva de São João for combinada com alguns alimentos como queijo, repolho, picles e vinhos.

O Food and Drug Administration (FDA), organização dos Estados Unidos que controla alimentos e remédios, emitiu uma advertência sobre as interações provocadas pelo uso da planta concomitantemente com medicamentos anti-retrovirais. Isto porque a planta pode interferir na ação dos medicamentos contra o HIV.

Pesquisadores da Universidade de Zurique, Suíça, descobriram que a erva de São João interfere no efeito imunossupressor da ciclosporina, utilizada na prevenção da rejeição de órgãos transplantados. Pacientes transplantados de coração que utilizavam a ciclosporina e ingeriram a planta apresentaram rejeição aguda.

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Pesquisas mostram que ocorrem sangramentos e falhas de contraceptivos orais em mulheres que utilizam a erva de São João. Portanto, quem utiliza pílulas deve evitar a planta. Estudos ainda apontam que a erva de São João podem interagir com sinvastatina e com os seguintes fármacos: antidepressivos tricíclicos, amitriptilina, nortriptilina, anticonvulsivantes (carbamazepina, fenitoína, fenobarbital), anticoagulantes, femprocumona e varfarina (Stockley, 2002).

A erva de São João ainda diminui o efeito anticoagulante do medicamento warfarina e pode aumentar a toxicidade de outros medicamentos como nefazodona ou inibidores seletivos da receptação de serotonina. Quando usado com a paroxetina, a erva de São João produziu náuseas e perturbação psiquiátrica.

Cogumelos

Alguns cogumelos podem prejudicar a saúde - Foto: Getty Images
Alguns cogumelos podem prejudicar a saúde - Foto: Getty Images

É importante ficar atento ao ingerir os cogumelos. Isto porque muitos deles podem ser venenosos. "Cerca de 80% dos cogumelos são comestíveis, mas existem aproximadamente 4 mil espécies venenosas", observa Talitta Maciel.

Os cogumelos mais consumidos são o shimeji, shitake, champignon, Portobello, cogumelo-do-sol, hiratake, cogumelo salmão e cogumelo rei. Para evitar cogumelos venenosos, é importante ter informações sobre a origem do cogumelo, dados sobre o produtor, número de lote, entre outros. E nada de colher cogumelos das árvores e ingerir!