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Primeiros mil dias: entenda a importância dos cuidados nessa fase

Os cuidados com o bebê até os dois anos de idade têm consequência para toda a vida

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, os cuidados da mãe na gestação, parto e nos primeiros dois anos do bebê são fundamentais para a saúde do indivíduo durante o resto de sua vida. Por isso, criaram o Programa dos Mil Dias, que engloba os aproximados 270 dias da gestação mais os 730 dias dos dois primeiros anos do bebê. Entram também os cuidados antes da gestação, se ela for planejada.

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Durante estes 1000 dias, diversos cuidados são incentivados à gestante e posteriormente às crianças, com veremos a seguir.

Fases dos mil dias

Os mil dias do bebê têm cuidados diferentes em cada fase. Entenda melhor como cada fase funciona:

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Antes da gravidez

Computa o planejamento da gravidez e a preparação do organismo para ela.

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Gravidez

Considera os cuidados da mulher com a sua saúde, ganho de peso adequado, alimentação e bem-estar da criança.

1 a 12 meses

Considera os cuidados com a amamentação, transição para alimentação sólida, e cuidados no desenvolvimento infantil, além da vacinação.

1 a 2 anos

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São cuidados semelhantes ao primeiro ano, envolvendo desenvolvimento, alimentação infantil e cuidados de saúde e vacinação.

Principais cuidados em cada fase

Mas afinal, como devem ser esses cuidados em cada fase dos mil dias do bebê? Listamos os principais para você entender melhor e colocar em prática.

Antes da gestação

Mulher em consulta com ginecologista planejando gravidez - Foto: Getty Images
Mulher em consulta com ginecologista planejando gravidez - Foto: Getty Images

Quando a gravidez for planejada é importante que a mulher veja como está sua saúde antes de tentar ter o bebê, tratando condições de saúde que a mãe tenha previamente, como hipertensão, diabetes, sífilis, anemia, correção do peso. Além do abandono do tabagismo.

Além disso, é muito importante se preparar com nutrientes, como fazer a suplementação de ácido fólico (essencial para a formação do tubo neural do bebê) e em alguns casos complementar a vitamina D, cálcio e ômega 3. Em casos de anemia, pode haver suplementação de sulfato ferroso.

Gestação e pré-natal

Gestante segurando ultrassom em frente à barriga - Foto: Getty Images
Gestante segurando ultrassom em frente à barriga - Foto: Getty Images

O pré-natal é o fator fundamental durante a gestação, já que o acompanhamento médico regular permite a observação o desenvolvimento correto do bebê. Além disso, o especialista monitora como está a saúde da mãe, verificando se ela está tendo uma alimentação balanceada, ganho de peso adequado para cada fase da gestação e também desenvolvimento de doenças da gestação, como o diabetes gestacional e a pré-eclâmpsia.

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Ganho de peso da mãe

O ganho de peso na gestação varia conforme o peso inicial da mãe:

Exames necessários

Nessa fase são realizadas as ultrassonografias, que não apenas revelam o sexo do bebê, como também são importantes para avaliação do bebê e até mesmo o diagnóstico de problemas congênitos.

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Vacinação

A vacinação correta na gravidez é outro fator que deve ser observado. As três vacinas hoje indicadas para as mães são a vacina tríplice bacteriana, vacina para hepatite B e a vacina da gripe (influenza). Elas são fundamentais para prevenção de doenças que podem afetar o bebê, como a rubéola.

Grávida comendo salada - Foto: Getty Images
Grávida comendo salada - Foto: Getty Images

Alimentação na gravidez

A alimentação nessa fase é muito importante também, com alguns nutrientes em destaque, como:

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É recomendado também que a mulher consuma fontes de cálcio e tente reduzir o consumo e café nesta fase, já que ele é um estimulante e pode fazer mal.

Outro ponto importante da alimentação nesta fase é que a mãe nunca deve comer por dois. A mulher grávida deve comer de forma equilibrada e não deve consumir muito mais do que comia antes, até porque isso pode levar a um ganho de peso que depois será mais difícil de ser perdido.

Parto

Mulher com seu bebê após o parto - Foto: Getty Images
Mulher com seu bebê após o parto - Foto: Getty Images

O tipo de parto influencia muito na saúde da mãe. O ideal é que sempre tente-se ter um parto normal e que ocorra entre a 39 e a 41ª semana, quando o bebê está com peso adequado para o nascimento. O parto normal traz uma série de benefícios ao bebê, tais quais:

A mãe também se beneficia, já que sua recuperação é muito mais rápida, por não precisar haver cortes (a não ser em casos de episiotomia). Para ter uma ideia: a cirurgia abdominal da cesariana provoca uma perda em torno de 1,5 litros de sangue, enquanto que o parto normal costuma provocar perda de até meio litro.

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No entanto, é importante salientar que a cesariana quando bem indicada também é importante, pois existem circunstâncias em que o parto normal pode trazer mais prejuízos do que benefícios. São os casos de:

Entre outras situações. Nestes casos, uma cesariana pode reduzir o sofrimento fetal e ajuda-lo a nascer em um ambiente menos hostil.

Amamentação

Mulher amamentando seu bebê - Foto: Getty Images
Mulher amamentando seu bebê - Foto: Getty Images

A amamentação deve ser a alimentação exclusiva do bebê até os 6 meses de idade, fase em que o leite materno fornece todos os nutrientes dos quais o bebê precisa, além de fornecer substâncias de atividades protetoras e imunoreguladoras, que auxiliam na proteção do bebê contra doenças, infecções e alergias.

O leite materno ainda contém enzimas já conhecidas pelo organismo da criança e proteínas de fácil digestão, podendo evitar cólicas. Os nutrientes também vêm na medida certa para que sejam absorvidos pelo organismo do pequeno sem competição.

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O ato de amamentar também estimula os ossos do crânio, melhorando o encaixe dos dentes e garantindo a formação certa dos dentes.

Além disso, a amamentação aumenta o vínculo entre a mãe e o bebê, o faz se sentir acolhido e amado, algo muito importante nesta fase, em que a mãe é o referencial que o bebê tem do mundo.

Alimentação do bebê

Bebê comendo papinha - Foto: Getty Images
Bebê comendo papinha - Foto: Getty Images

Depois dos seis meses de idade, é preciso se preocupar com a transição dos alimentos líquidos para os sólidos. Neste período o leite materno continua sendo oferecido como complemento - e esta complementação é estimulada até os dois anos de idade da criança. No entanto, é preciso que a criança tenha acesso a outros nutrientes importantes que o leite não oferece, como ferro, zinco, potássio, selênio, vitaminas A, C, D e do complexo B.

Normalmente a partir do sexto mês os pais começam a introduzir as papas de frutas amassadas ou raspadas, além da inclusão de uma papa salgada principal em uma refeição, normalmente o almoço. Entre o sétimo e oitavo mês de vida do bebê inclui-se mais uma papa salgada, evoluindo a consistência delas. O ideal é que até o 12º mês o bebê consiga comer itens com a consistência próxima a da comida da família.

É importante que a papa salgada seja composta sempre por verduras, legumes, uma proteína (como carne de vaca, frango e gema de ovo cozida) e um carboidrato integral. No começo, no entanto, é importante apresentar os alimentos separadamente, para que o pequeno conheça os sabores e também possíveis alergias sejam detectadas. O ideal é oferecer um alimento novo a cada 3 dias. Nesta ordem, as carnes e proteínas podem ser as últimas, já que sua digestão é mais difícil.

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Apresentar os alimentos de forma variada nessa fase faz com que os pequenos conheçam melhor esses itens e continuem comendo-os conforme crescerem. Além disso, é muito importante que as papas não sejam enriquecidas com sal e açúcar, para que o pequeno conheça e aprenda a apreciar o sabor natural dos alimentos.

Além disso, o ideal é evitar que o bebê até dois anos tenha acesso frequente a alimentos industrializados, como refrigerantes, doces, iogurtes. Como é uma fase em que as alergias alimentares podem aparecer, o ideal é que a alimentação do bebê seja o mais próximo do natural possível.

Por fim, vale lembrar que é nesta fase que o bebê começa a regular seus mecanismos de saciedade e ele sabe melhor do que ninguém quando já comeu o suficiente e quando precisa comer mais. Se o pequeno se recusar a comer tudo que você colocou no prato, não há problema, assim como é aceito que ele coma mais, caso raspe o prato. Desta forma, ele começa a entender sozinho qual o limite alimentar dele.

Desenvolvimento do bebê

Os primeiros mil dias são um período fundamental para o desenvolvimento do bebê. Existem diferentes fases do desenvolvimento infantil, divididas da seguinte forma:

Bebê olhando nos olhos e rindo com a mãe - Foto: Getty Images
Bebê olhando nos olhos e rindo com a mãe - Foto: Getty Images

Do nascimento aos 2 meses: nesta fase algumas ações são importantes, como conversar com o bebê olhando nos olhos, falar de forma carinhosa, estimulá-lo com objetos coloridos a uma distância de mais ou menos 3 centímetros, deitá-lo de barriga para cima e estimulá-lo a levantar o pescoço, para que ele fortaleça a musculatura desta região.

Dos 2 aos 4 meses: nesses meses você pode estimular que o bebê toque objetos com as mãos, sempre conversando olhando para ele. Uma boa dica é deitá-lo de bruços, apoiado nos bracinhos, e brincar com ele, mostrando brinquedos.

Dos 4 aos 6 meses: nesta idade, uma boa ideia é sempre esperar a reação do bebê ao lhe oferecer algo, seja comida ou um brinquedo. É importante também estimulá-lo a tentar alcançar os objetos oferecidos. Estimular o bebê com os sons fora de seu campo de visão também o ajuda a procurar por eles, virando a cabeça. Também é a época para estimulá-lo a mudar de posição, rolando.

Dos 6 aos 9 meses: nesta fase o bebê já começa a buscar atenção das pessoas e é importante que os pais se mostrem atentos aos pedidos dela. Brinquedos fáceis de segurar são importantes para que ela treine segurá-los e muda-los de mão. Além disso, é uma fase interessante para estimular a fala, conversando e cantando bastante para a criança, e usando palavras fáceis que ela possa repetir. Brincar no chão é interessante para que ela se estimule a sentar, se arrastar e depois engatinhar.

Dos 9 aos 12 meses: nesta idade brincadeiras com gestos, como palmas e dar tchau, são importantes para que o pequeno imite. Vale também estimular que a criança comece a pegar objetos menores, usando o movimento de pinça do indicador e do dedão. Livros com figuras ajudam a criança a se expressar e interagir com os pais.

Dos 12 aos 15 meses: esta é a fase em que os limites precisam começar a serem impostos e os pais devem ser firmes. Vale a pena começar a se afastar do pequeno por curtos períodos de tempo, para que ele não tenha medo da ausência dos pais. É importante também estimular a criança a usar mais palavras do que gestos e se locomover com mais frequência, para que assim ela se sinta segura para se arriscar a andar.

Dos 15 aos 18 meses: é uma época boa para contar histórias, ouvir música e dançar com a criança. Também pode-se estimular que ela rabisque no papel, o que estimula sua criatividade. É interessante também estimulá-la para que não ande só para frente, mas para os lados e para trás.

Dos 18 aos 24 meses: nesta fase é interessante começar a mostrar objetos na televisão, revistas e livros e dar seus nomes. Repare se a criança começará a juntar palavras e tentar articular frases curtas. É uma época em que a criança começa a demonstrar vontade própria e falar bastante não.

Bebê brincando com peças de montar - Foto: Getty Images
Bebê brincando com peças de montar - Foto: Getty Images

As brincadeiras são fundamentais para o desenvolvimento do pequeno, afinal é através dela que ele começará a explorar o mundo nesta fase. Elas ainda estreitam o vínculo dos pais com as crianças.

No entanto, os especialistas alertam: a criança terá preferências e se sentirá mais a vontade com determinados estímulos. O importante é não cometermos exageros querendo acelerar o desenvolvimento de uma criança.

Vacinação do bebê

Bebê sendo vacinado - Foto: Getty Images
Bebê sendo vacinado - Foto: Getty Images

As vacinas muitas vezes são um assunto polêmico para muitos pais, mas os pediatras recomendam fortemente que os bebês sejam vacinados, para que elas criem a capacidade de se protegerem contra doenças que no passado inclusive foram causa de mortalidade infantil e também evitem que elas se espalhem ou retornem.

Nos primeiros mil dias, seguindo o calendário de vacinação básico, a criança já estará protegida da maior parte das doenças. No site da Sociedade Brasileira de Imunizações é possível ver o calendário de vacinação até os 10 anos de idade.

Sono do bebê

Bebê dormindo - Foto: Getty Images
Bebê dormindo - Foto: Getty Images

Bebês têm um ritmo de sono diferente dos adultos. Logo após o nascimento eles podem dormir por quase 24 horas, mas até um ano de idade a tendência é que ele durma em média 12 horas ao dia. No entanto, é importante que a partir dos quatro meses os pais tendem disciplinar o bebê a dormir mais durante a noite, espaçando as mamadas neste período, ofertando o leite apenas se eles acordarem chorando com fome.

Além disso, é importante ressaltar que alguns fatores podem alterar ou impedir o padrão de sono do recém-nascido, como fome, sede, barulho excessivo, iluminação inadequada, brincadeiras excitantes, insegurança materna e/ou paterna, doenças em geral (nos bebês, em sua maioria viroses), alterações climáticas (frio ou calor excessivos, ar seco, ruídos ambientes, entre outros). Por isso, cabe aos pais criar as condições necessárias para que o bebê tenha uma noite tranquila e um sono reparador.

Benefícios dos cuidados nos primeiros mil dias

Todos estes cuidados e principalmente o estreitamento do vínculo entre os pais e o bebê trazem benefícios futuros para saúde física e emocional destas crianças. Estudos norte-americanos estima que cada um dólar investido na criança durante os mil dias poupa três dólares no futuro, principalmente do dinheiro investido em saúde pública. Veja a seguir os principais benefícios:

Prevenção de obesidade e doenças relacionadas

Os hábitos alimentares são instituídos desde cedo, e ensinar a criança a apreciar o sabor dos alimentos, principalmente frutas e verduras, na primeira idade é essencial para que eles tenham uma alimentação saudável no futuro, evitando o sobrepeso. Além disso, estimular a criança a conhecer sua saciedade é fundamental para que ela se alimente corretamente e nas quantidades adequadas no futuro.

A obesidade infantil costuma persistir na vida adulta em 80% dos casos, engatilhando diversas doenças metabólicas como diabetes, colesterol alto, hipertensão arterial, sobrecarga das articulações, entre outros. Portanto, preveni-la desde cedo ajuda a reduzir os riscos do aparecimento destas doenças.

Melhora da imunidade

Tanto a vacinação precoce quanto o aleitamento materno são atitudes que estimulam o sistema imunológico da criança, ajudando-a a se proteger melhor dos agentes externos que podem causar alergias e doenças. Além disso, a alimentação saudável e o crescimento adequado reforçam este benefício.

Desenvolvimento intelectual favorecido

Estimular a criança desde cedo garante que ela use sua mente ao máximo e desenvolva corretamente. Além disso, estudos feitos em todo mundo mostram que a amamentação e alimentação adequada estão diretamente relacionados a melhora intelectual e melhor desempenho escolar. Faz todo sentido, se pensarmos que o cérebro ganha 70% de sua massa nesta fase de vida.

Estímulo ao crescimento saudável

Dar à criança os nutrientes certos é fundamental para o crescimento e construção dos ossos, músculos e órgãos. Por isso mesmo, é importante que o leite materno seja dado exclusivamente até os seis meses e que depois o pequeno tenha acesso a nutrientes fundamentais para seu desenvolvimento, como ferro, zinco, potássio, selênio, vitaminas A, C, D e do complexo B.

Fontes Consultadas

Pediatra Jorge Huberman (CRM-SP 34.486), neonatologista e médico do Hospital Albert Einstein.

Pediatra Luiz Aurélio de Oliveira (CRM-SP 85.102), responsável pela Unidade de Internação Pediátrica e Coordenador da UTI Pediátrica do Grupo Hospilatar Vida´s, especialista em Pediatria pelo Hospital Infantil Menino Jesus, em UTI Pediátrica pelo Hospital Municipal Arthur Saboya e em Cardiologia Infantil pelo INCOR (Instituto do Coração)

Pediatra Érico José Faustini (CRM-RS 8.791), puericulturista da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul

Pediatra Denise Leite Chaves (CRM-RS 13.823), associada da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul

Nutricionista Dyandra Loureiro (CRN-3 34980), pós-graduada em Nutrição Pediátrica, Escolar e na Adolescência pela Universidade Gama Filho e especialista do Centro de Obesidade Infantil do Hospital Infantil Sabará