Elisabete e mais 1 pessoa perguntaram:

Caminhada emagrece?

  • Respondido em 05/11/2014
    Aline Chrispan Educação Física - CREF 024554/SP
    especialista minha vida
    Olá,

    A obesidade ou excesso de peso acontece quando o balanço energético positivo ocorre de forma crônica, ou seja, a ingestão calórica é maior do que o gasto calórico. O desenvolvimento do aumento de peso pode ocorrer por suscetibilidade genética associada a fatores ambientais, dieta e sedentarismo. Outros aspectos como a idade, sexo, tabagismo e outras variáveis de metabolismo podem influenciar nesse processo.

    O excesso de peso pode ser identificado através do cálculo do IMC (índice de massa corporal), porcentagem de gordura ou circunferência abdominal. O cálculo do IMC é feito conforme a fórmula abaixo e é possível visualizar a quantidade de peso extra através do calculo de peso mínimo e máximo.

    Como calcular o IMC:
    • Divida o peso (em quilogramas) pela altura (em metros) ao quadrado.
    Exemplo:
    IMC = 80 ÷ 1,802
    IMC = 80 ÷ 3,24
    IMC = 24,69
    Como classificar o IMC:
    • Resultado menor que 18,5: baixo peso, com risco de doenças baixo
    • Entre 18,5 e 24,9: peso normal, com risco médio de doenças
    • De 25 a 29,9: sobrepeso, sendo que o risco passa a ser aumentado
    • Entre 30 a 34,9: obesidade classe I, com risco moderado de doenças
    • De 35 a 39,9: obesidade classe II, com risco severo para o desenvolvimento de doenças
    • A partir de 40: obesidade classe III, passando o risco para muito severo
    O IMC leva em consideração o peso total, não diferenciando o que é gordura de músculos, por isso, conhecer o seu percentual de gordura através de uma avaliação com o uso do adipômetro ou através de um exame de bioimpedância pode ser importante para melhor compreensão da composição corporal.

    O equipamento adipômetro, ou plicômetro, é utilizado para medir a espessura do tecido adiposo em todo o corpo. As medidas, quando colocadas em equações, servem para calcular o percentual de gordura da pessoa avaliada.
    A bioimpedância, por sua vez, é um exame indolor, não invasivo e livre de radiação. Considerado seguro e simples, este método é capaz de estimar clinicamente a composição do organismo, com o auxílio da passagem pelo corpo de uma corrente elétrica de alta frequência e baixa amplitude. Através desta corrente é possível identificar a quantidade de músculos (massa magra), gordura e água no corpo.

    Outro indicador importante é a circunferência abdominal, que não define valores de gordura, mas aponta o fator risco de doença relacionado a obesidade. Para mulheres, a circunferência não pode passar de 88 cm e, para homens, 102 cm.
    Compreender as medidas acima comentadas pode ajudar no processo de conscientização para o emagrecimento e também, contribuir no controle do peso perdido em longo prazo. Para que o emagrecimento aconteça de forma saudável, a receita mais efetiva é a combinação de dieta alimentar feita pelo nutricionista e exercício orientado, sob supervisão de educador físico.

    No processo geral de emagrecimento, o exercício é secundário à reeducação alimentar, ou seja, ganhos efetivos acontecerão principalmente pela dieta e serão intensificados pela prática de exercícios. É bastante comum que as pessoas envolvidas nesse processo tendam a pensar que a quantidade de calorias gasta no exercício seja maior que a ingerida nos alimentos. No entanto, a quantidade de calorias gastas em uma sessão de caminhada rápida de 30 minutos é igual ou menor que as calorias de pequenas quantidades de alimentos.

    A caminhada de 1 hora, a 5km/h, consome em média 237 calorias enquanto 1 fatia de pizza de 140 g, de frango com catupiry possui 305 calorias. Dessa forma fica mais fácil compreender porque emagrecer só com exercícios é bastante complicado.

    É frequente que aconteça perda de massa magra (músculos) durante o processo de emagrecimento, isso porque existem algumas regiões com maior massa magra para sustentar o excesso de gordura e tendo essa diminuído, a quantidade de massa magra se ajusta à necessidade do corpo. Se a dieta for muito restritiva também pode causar perda de massa magra. Por essa razão, a orientação de um nutricionista é fundamental no processo, assim como a prática da musculação, a qual proporciona ganhos e manutenção de musculatura.

    Além de contribuir para o processo de emagrecimento através do gasto calórico, o treinamento físico é um potente estimulador da ação das enzimas envolvidas com a utilização das células de gordura (enzima lipoproteína lípase – LPL). As LPLs podem ser consideradas controladoras dos estoques de gordura e com o treinamento em longo prazo pode aumentar a capacidade de utilização das gorduras durante a prática e logo após a sessão de exercícios.

    Outro benefício encontrado com a associação da dieta com a prática de exercícios seria a redistribuição da gordura corporal. Embora haja redução em todos os estoques de gordura, existe preferência para a redução de gordura da região visceral (abdominal).

    Do controle e manutenção do peso corporal à prevenção de doenças como o câncer, recebemos inúmeros benefícios ao adotarmos um estilo de vida saudável com a prática de exercícios. Por isso, a associação entre atividade e dieta é o melhor caminho. Desafie seu corpo e comemore os resultados.

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