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Mais de 95% da população mundial não está saudável

Número de indivíduos com mais de 10 doenças aumentou 52% nos últimos 23 anos, diz estudo

Apenas uma em cada 20 pessoas no mundo não apresentou qualquer problema de saúde em 2013, sendo que um terço da população mundial (2-3 bilhões de indivíduos) sofreu com mais de cinco doenças. É o que mostra o Global Burden of Disease Study, a maior e mais detalhada análise sobre os níveis, padrões e tendências em problemas de saúde e incapacidade em todo o mundo. Os resultados foram publicados no jornal The Lancet.

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O Global Burden of Disease Study 2013 analisou 35.620 fontes de informação sobre doenças e lesões de 188 países entre 1990 e 2013 para revelar o número substancial de doenças incapacitantes e os encargos gerais para os sistemas de saúde a partir de 301 doenças agudas e crônicas e lesões, bem como sequelas resultantes de um ou mais destes distúrbios.

O estudo mostrou que houve uma perda na qualidade de vida da população. Em 1990 aproximadamente um quinto (21%) dos anos de vida de um indivíduo não eram plenamente saudáveis ? em 2013 esse número subiu para cerca de um terço (31%).

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Com a população mundial crescendo e a proporção de idosos aumentando, o número de pessoas que vivem com a saúde comprometida tende a subir rapidamente nas próximas décadas, alertam os autores.

É importante ressaltar que as taxas de mortalidade não acompanham esse ritmo. Por exemplo, enquanto a incidência do diabetes sofreu um aumento de 43% ao longo dos últimos 23 anos, as taxas de mortalidade por diabetes subiram apenas 9%. Isso significa que, apesar de a expectativa de vida da população ter aumentado, os últimos anos de vida tem uma qualidade inferior, com maior risco de incapacidade.

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Os principais resultados da Global Burden of Disease Study incluem:

- Em 2013, lombalgia e depressão estavam entre os dez maiores contribuintes para a incapacidade em todos os países, causando maiores perdas de saúde do que diabetes, DPOC e asma;

- Em todo o mundo, o número de pessoas com diversas doenças rapidamente aumentou com o passar da idade. No ano de 2013 cerca de um terço (36%) das crianças de 0-4 anos nos países desenvolvidos não tinham doenças em comparação com apenas 0-03% dos adultos com mais de 80 anos. Além disso, o número de indivíduos com mais de dez doenças aumentou 52% entre 1990 e 2013;

- As oito causas de doenças crônicas em mais de 10% da população mundial em 2013 foram: cáries em dentes permanentes (2-4 bilhões), dor de cabeça tensional (1-6% bilhões), anemia ferropriva (1-2 bilhões), deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (1-18 bilhões), perda auditiva relacionada à idade (1-23 bilhões), herpes genital (1-12 bilhões), enxaqueca (850 milhões) e ascaridíase (800 milhões);

- O número de anos vividos com incapacidade aumentou ao longo dos anos devido ao crescimento e envelhecimento populacional;

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- Os principais motores do aumento do número de anos vividos com incapacidade foram transtornos de abuso de musculoesquelético, transtornos mentais e de substâncias, distúrbios neurológicos e doenças respiratórias crônicas. A infecção por HIV/AIDS foi um dos principais impulsionadores do aumento do número de anos vividos com incapacidade na África subsaariana;

- Também houve um aumento na perda de saúde associada com a diabetes (aumento de 136%), doença de Alzheimer (aumento de 92%), dor de cabeça com uso excessivo de medicação (aumento de 120%) e osteoartrite (aumento de 75%).

Conheça 10 fatores que encurtam a expectativa de vida

Todo mundo quer viver muitos anos, não é mesmo? Mas você já se questionou se está somando mais pontos contra do que a favor na busca pela longevidade? Por isso mesmo, um estudo da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, divulgado no Journal of American Medical Association (JAMA) em 2013 elencou uma série de fatores que podem aumentar as chances de morte nos próximos 10 anos. De acordo com os pesquisadores, quanto mais deles constarem em sua lista, maiores são as chances de ter a vida encurtada, pois cada um acrescenta pontos às estatísticas. Listamos aqui quais são eles, explicando sua relação e o que dá para fazer para prevenir esses problemas. Confira!

Idade, ela pesa

Idosos no médico - Foto: Getty Images
Idosos no médico - Foto: Getty Images

Infelizmente, essa não dá para evitar, o tempo traz mudanças implacáveis no nosso organismo. "O envelhecimento é um fato, as células envelhecem, elas são datadas a viver 120 anos no máximo. O processo de envelhecimento celular ajuda a desencadear diversos problemas, afinal as artérias e o cérebro, entre outras estruturas, também ficam mais velhos e perdem funções", ensina o cardiologista Otávio Gebara, professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor de Cardiologia do Hospital Santa Paula.

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Além disso, as deficiências que o nosso corpo vai adquirindo com a idade, como reparação dos tecidos e de combate a infecções e câncer, podem mascarar outros problemas de saúde. "Muitas doenças são diagnosticadas mais tardiamente, pois muitos sintomas são confundidos como processos relacionados ao envelhecimento e, quando a doença de base é diagnosticada, ela já se encontra mais avançada", salienta Luciano Giacaglia, endocrinologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Portanto, quanto maior a idade, mais pontos na ficha.

Os homens correm mais riscos

Conflito entre homem e mulher - Foto: Getty Images
Conflito entre homem e mulher - Foto: Getty Images

Esse quesito dá dois pontos aos homens, o que no caso é negativo, já que quanto mais elevada a pontuação, maiores os riscos de morte nos próximo 10 anos. Isso porque é comprovado que as mulheres vivem mais do que os homens. "Até a menopausa, elas têm o hormônio estrogênio que protege o sistema vascular", ressalta o cardiologista Otávio Gebara. Como se não bastasse, a mulher vai ao médico com mais frequência fazer check-up e relatar suas queixas, o que lhe dá a vantagem de diagnosticar doenças mais cedo.

Além disso, os homens têm algumas desvantagens em seu organismo. "Eles têm uma taxa metabólica maior que as mulheres e o desgaste das células é mais intenso, razão pela qual o homem tende a gerar mais calor, transpirar mais, ter um intestino mais acelerado, ter mais força... E quanto mais se utiliza a máquina do corpo humano, mais precoce é seu desgaste", ensina o endocrinologista Luciano Giacaglia.

Tabagismo

Cigarro - Foto: Getty Images
Cigarro - Foto: Getty Images

Pois é, o cigarro não poderia faltar nessa lista. O tabagismo é fator de risco para doenças como infarto, derrame, câncer, entre outras. O clínico geral Eduardo Finger, imunologista e chefe do departamento de Pesquisa e Desenvolvimento do SalomãoZoppi Diagnósticos, acredita que nosso corpo tem uma reserva de energia que acumulamos até os 35 anos e depois começa a ser gasta. "Fumar cria problemas (a inflamação e divisão celular) que, para serem resolvidos, exigem um consumo de energia. Isso demanda um movimento ativo do seu corpo, que não vai sobrar depois", ensina o médico.

Tanto que os danos do cigarro para a saúde só são realmente zerados se o indivíduo parar antes dos 30 anos. "Após isso, existe sempre prejuízo em relação aos que nunca fumaram, mas é menor do que se a pessoa continuar a fumar", ensina o endocrinologista Giacaglia. Até porque, sempre fica algum dano nos pulmões ou no coração, causados pelo mau-hábito, e por mais que a genética influencie na saúde também, 80% das causas de doenças são creditadas ao estilo de vida que a pessoa cria para si mesma. Portanto, mais dois pontos para os fumantes.

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Índice de Massa Corporal (IMC)

Balança - Foto: Getty Images
Balança - Foto: Getty Images

Ter o IMC acima de 25, ou seja, com sobrepeso, resulta em mais um ponto na estatística. E alguém pode até pensar, mas qual a diferença de alguns quilinhos a mais? "A gordura produz substâncias chamadas adipocinas, que são tóxicas. Elas aumentam as chances de se apresentar hipertensão, diabetes, problemas cardíacos e câncer, entre outros", ensina o cardiologista Gebara. Mas aqui os especialistas pedem cautela, já que o IMC nem sempre leva tanto em consideração onde está concentrada essa gordura.

Inclusive, na contramão dessa pesquisa, alguns estudos demonstram que pessoas com sobrepeso têm mostrado uma maior expectativa de vida. "Em conclusão, mais que o peso ou IMC, é o percentual de gordura corporal que reflete os riscos para a saúde. A gordura localizada, principalmente na região do abdômen, é considerada a mais nociva, pois promove um quadro inflamatório que agride nossos vasos sanguíneos, propiciando infarto e AVC. Também sobrecarrega de gordura o fígado, que em alguns casos evolui para cirrose, e o pâncreas, levando ao diabetes", ensina o endocrinologista Giacaglia.

Diabetes

Diabetes - Foto: Getty Images
Diabetes - Foto: Getty Images

Nesse quadro há alta taxa de açúcar no sangue, já que a insulina, hormônio que leva a glicose para dentro das células, está em falta ou não funciona mais tão bem. Isso danifica o corpo todo. "O excesso de glicose eleva a parede da artéria e produz os chamados produtos avançados glicosilados, que são tóxicos e enrijecem as artérias e favorecem o aparecimento de placas de colesterol", explica o cardiologista Otávio. Isso causa danos em diversas estruturas do organismo, como o cérebro, o coração e os rins. Por isso, o diabetes aumenta um ponto na lista.

Doenças cardiovasculares

Médico e coração - Foto: Getty Images
Médico e coração - Foto: Getty Images

Já as doenças cardiovasculares, que podem ser consequentes da diabetes ou não, representam a maior causa de mortes no Brasil, cerca de 800 mil pessoas ao ano. "A doença cardiovascular promove obstrução da parede dos vasos, que, quando mais severa, leva a falta de circulação e morte das células que são irrigadas por esta artéria", ensina o endocrinologista Giacaglia. Sendo assim, já ter tido alguma falência cardíaca e ter diabetes adiciona outros dois pontos negativos a lista.

Câncer

Câncer - Foto: Getty Images
Câncer - Foto: Getty Images

O câncer também drena energia do corpo, que poderia estar sendo enviada para outros processos metabólicos. "O tumor promove perda importante de massa muscular e óssea, ainda que determinada a cura. Além disso, libera substâncias na circulação que inibem o apetite, agravando o estado de desnutrição", ressalta o endocrinologista Giacaglia. O tratamento também é arriscado, afinal a quimio ou a radioterapia acabam afetando não só as células cancerígenas, como também as normais.

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De acordo com o estudo, quem já teve câncer tem muito mais chances de reapresentar a doença. "A pessoa apresenta um defeito de uma proteína que controla as mutações genéticas na célula, a chamada P-53, que por mais que o tumor seja erradicado, o problema continua", ensina o clínico geral Eduardo Finger. Ou seja, mais dois pontos no risco de morte nos próximos 10 anos.

Doença pulmonar

Falta de ar e tosse - Foto: Getty Images
Falta de ar e tosse - Foto: Getty Images

A doença crônica mais comum dos pulmões é o DPOC, que pode se apresentar como bronquite crônica, causando uma inflamação nos brônquios, ou como enfisema pulmonar, que resulta em destruição dos pulmões ao longo do tempo. Em ambos os casos, a passagem de ar para os pulmões, e consequentemente a entrega de oxigênio para o corpo, é comprometida. E isso causa ainda outros problemas, além da redução de energia que é fornecida ao corpo. "Toda inflamação crônica acarreta a liberação de substâncias denominadas citoquinas, que agridem as células, como a das paredes arteriais e dos rins. Além disso, a falta crônica de oxigênio leva à geração de radicais livres que atacam o DNA das células, acelerando assim o envelhecimento precoce", ensina Giacaglia. O DPOC adiciona mais dois pontos à lista.

Dificuldades ao lidar com as finanças

Finanças pessoas - Foto: Getty Images
Finanças pessoas - Foto: Getty Images

Depois de tantos problemas de saúde, parece estranho ver um fator do dia a dia nessa lista. Mas se uma pessoa que lidava bem com seu dinheiro começa a ter dificuldades nessa tarefa, ainda mais com o passar do tempo, isso só pode significar algum problema cognitivo, que tende a se agravar no futuro e até se manifestar na forma de doenças como o Alzheimer. "Esse é um sinal, uma ponta de iceberg. Ao aplicar um teste cognitivo numa dessas pessoas, percebe-se muitos outros aspectos, como falhas de memória, que a pessoa consegue disfarçar no dia a dia", ressalta Otávio Gebara.

Esses males da mente podem se relacionar de diversas formas a comprometimento da expectativa de vida. "Pessoas com distúrbios cognitivos e de comportamento estão mais sujeitas a acidentes de toda espécie. Em alguns casos elas se tornam muito dependentes dos familiares, que se não tiverem boa estrutura psicológica acabam abandonando o idoso, que fica mais sujeito a desidratação, desnutrição e piora de seu cuidado higiênico", conclui Giacaglia. Este item adiciona mais um ponto à lista.

Dificuldades de locomoção, banho e manuseio de objetos

Dificuldade de andar - Foto: Getty Images
Dificuldade de andar - Foto: Getty Images

São itens que representam o mesmo problema para a expectativa de vida, mas são contabilizados em separado na lista. Em primeiro lugar, essas dificuldades com atividades motoras representam dependência e podem aparecer em decorrência de alguma limitação físicas ou de doenças como AVC, paralisia ou Alzheimer. "São pessoas que se tornam dependentes de outras para cuidados básicos, como alimentação, higiene, lazer, e nem sempre podem estar sendo bem atendidas", acredita Gebara. Além disso, normalmente esses problemas estão ligados a uma redução da massa muscular também. "Ela é nosso reservatório de proteínas em casos de desnutrição, por exemplo. Portanto, quem tem maior reserva muscular tem maior capacidade para enfrentar doenças que exijam mais proteínas, lembrando também que os anticorpos são proteicos, ou seja, a capacidade de se defenderem de infecções fica reduzida", assinala Giacaglia. Por isso, cada um desses três problemas acrescenta um ponto à lista.

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