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Entre cobras e lagartos

Não há coisa mais "picante" do que ficar entre esses animais

Elas atacam e dão o bote. Sinceramente, na minha ignorância a respeito de cobras e víboras, não sei se fazem amor ou se tem amor. Quem lê meus artigos sabe que acho amor uma palavra muito pobre, pois é pequena para abarcar todos os sentimentos que devem e estão presentes numa relação amorosa, mesmo que passageira. Outra coisa da qual falaremos oportunamente é do tempo da duração do amor, aspecto questionável, pois a qualidade do amor é que importa.

Pois é! O Fred, garotão, bonito, sarado e com um potencial muito grande perante a vida me disse que quando sai com uma garota que ele deseja, às vezes, apenas admira; outras vezes ama e toma muito cuidado com o preservativo. Não que ele não abre mão do preservativo, o que é verdade, mas ele me contou que as garotas furam a camisinha para engravidarem e darem o bote. Então ele toma muito cuidado e não deixa a camisinha desguarnecida de seu olhar cuidadoso. Não se assustem nem me critiquem, apenas transcrevo o que me foi dito.

Absurdo ou não, o excessivo cuidado do Fred nos seus encontros sexuais não é o

mote desse artigo, mas que fiquei pensando no quanto de carinho, atenção e respeito ele dispensa as suas garotas. Não minto. Pensei.

É muito comum ouvir o comentário de que os homens estão amedrontados com a liberação feminina. Acho que isso ocorre apenas com os bobos, pois os mais espertos e inteligentes dão graças por não serem mais os responsáveis até pelo prazer sexual da mulher. Mas se eles não se amedrontam com elas, até que ponto, as enxergam como inimigas e ameaçadoras?

Como sempre, nem um fato que me estimula a escrever vem isolado. Esses últimos dias tive contato com dois casos de ejaculação retardada, uma disfunção que, até pouco tempo, quase não aparecia em consultórios de sexualidade. Representa de 3 a 4 % das disfunções sexuais masculinas e pode ser definida como uma persistente dificuldade de conseguir ejacular, apesar da presença de ereção peniana, desejo e estimulação sexual.

A maioria dos homens ejacula entre dois e quatro minutos após a penetração vaginal e o início dos movimentos pélvicos. De certa forma, a ejaculação retardada é o oposto da ejaculação precoce. Em princípio, poderia se pensar que se trata de uma condição favorável ao exercício da sexualidade, já que muitas mulheres necessitam de um longo tempo de estimulação sexual para obter o orgasmo.

Entretanto, não é assim que sentem os homens portadores dessa disfunção.

Após 30 minutos ou mais, quando a parceira já chegou ao orgasmo, o homem duvida se chegará ao final e, nesse tempo, a parceira já perdeu parte ou todo o estímulo sexual, bem como sua lubrificação vaginal, transformando o prazer em dor e constrangimento para ambos. Essa disfunção não é muito referida mesmo porque a ejaculação precoce reinava absoluta em torno de 25% dos homens com queixas sexuais.

Mas quero me deter muito mais nas causas e, por conta da associação de situações e fatores, pode-se depreender que (pasmem!) a desconfiança tem um papel muito forte nas relações sexuais, destarte o desejo, a escolha e até o amor. Falar em desconfiança é muito subjetivo, mas elas podem se traduzir em engano no que diz respeito à gravidez e o golpe da barriga que hoje não é mais moda, mas ainda assusta! Desconfiança no sentido de adultério, ou melhor, insegurança em relação ao que sente, pensa e deseja a parceira.

Isso é grave se pensarmos que uma relação sexual de qualidade passa, antes de tudo, pela entrega. E para que isso ocorra, a certeza de que ambos os envolvidos estão ali por motivos claros e definidos, a coisa fica muito difícil de acontecer, dando margem ao surgimento das disfunções sexuais.
Reavaliar e redefinir os papéis do homem e da mulher na sociedade e diante de sua sexualidade é urgente e necessário, pois pelo que parece, ainda existe desconfiança e medo dessa cumplicidade que só acrescenta aos homens e mulheres.

Há mais de 50 anos houve a revolução sexual contra séculos de crenças e absurdos. Por isso, é preciso ter humildade de reconhecer que há muito a aprender e absorver!

Pense nisso!

Márcia Atik é psicóloga e terapeuta sexual