6 condições de saúde que podem ser agravadas pela má higiene bucal

Doenças cardíacas e complicações do diabetes podem ser afetadas devido à falta de cuidados com a limpeza bucal

Cárie, tártaro, mau hálito, perda de dentes e sangramentos na gengiva. Estas consequências da má higiene bucal são bem conhecidas pela maioria das pessoas, mas não são as únicas. Focos de infecção na boca, como a periodontite, podem levar bactérias para outras áreas do organismo e afetar a saúde de pessoas com doenças cardíacas, diabetes, gastrite e artrite, além de aumentar o risco de complicações no sistema respiratório.

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"As infecções na boca são a maior causa de bacteremia, ou seja, da entrada de bactérias na circulação. Este caminho ocorre pela gengiva, quando o foco infeccioso é a doença periodontal, ou pela exposição do canal de dentes muito afetados no caso de cáries profundas e remanescentes de raízes", explica a cirurgiã dentista Maíra Sabato Knirsch (CRO-SP 94273).

Ela conta que o organismo em equilíbrio tem recursos para nos proteger dessas bactérias; se dentes e gengiva não estão saudáveis, porém, os riscos aumentam. "É importante considerar a saúde bucal como parte da saúde geral, pois infecções bucais e condições sistêmicas estão relacionadas", comenta a especialista.

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A doença periodontal se desenvolve devido ao acúmulo de placa bacteriana e tártaro nos tecidos periodontais, formado por gengiva, osso alveolar, ligamentos periodontais e demais tecidos que sustentam os dentes -, o que leva a um processo inflamatório e imunológico e à destruição desses tecidos. Daí a chance de entrada das bactérias na circulação sanguínea.

Como manter ou recuperar a saúde bucal

Cuidar da saúde bucal para evitar doenças e manter o equilíbrio do corpo é muito simples: basta respeitar uma rotina de escovação pelo menos três vezes ao dia (ou sempre após as refeições) e ter o cuidado de usar escovas de dentes adequadas, cremes dentais com flúor e fio dental.

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Caso a doença periodontal se desenvolva, ela deve ser tratada exclusivamente por um dentista. Isso porque o tratamento pode incluir procedimentos como raspagens, remoção de focos infecciosos (como dentes que não podem mais ser tratados) e uso de antibióticos, quando necessário.

Consultamos um time de especialistas para entender as principais doenças e condições de saúde que são afetadas pela má higiene bucal. Além de Maíra Sabato Knirsch, colaboraram com os esclarecimentos a seguir as cirurgiãs dentistas Fernanda Gonnelli e Samantha Cavalcanti, do Centro Universitário FMU; o cardiologista Guilherme Sangirardi, membro da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI); e os endocrinologistas Fernando Valente, da Sociedade Brasileira de Diabetes e Juliana Garcia e Maria Fernanda Barca, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Doença coronariana

Esta doença cardíaca é causada pela formação de placas de ateroma (colesterol e tecido fibroso) que se desenvolvem nas paredes dos vasos sanguíneos, levando à aterosclerose. Com a bacteremia, as placas podem ser colonizadas por bactérias presentes na periodontite, que contribuem no agravamento da doença.

A doença deve ser tratada, em conjunto, por um cardiologista, para evitar consequências como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC), e por um dentista.

Endocardite infecciosa

Trata-se de uma doença cardíaca grave causada pela infecção de um coágulo, instalado nas válvulas cardíacas ou na parede do coração, pelas bactérias da doença periodontal. Ela é mais comum em pessoas com predisposição à febre reumática, que gera alterações nas estruturas das válvulas e as torna vulneráveis.

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Assim como a doença coronariana, deve ser tratada por um cardiologista e dentista, para evitar consequências como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).

Pneumonia

O quadro de pneumonia pode ocorrer pela aspiração de saliva contendo patógenos respiratórios associados à doença periodontal. É mais comum em pacientes com baixo nível de consciência ou idosos. Um médico pneumologista é o especialista a ser consultado para controlar o quadro, ao mesmo tempo em que um dentista deve atuar na eliminação da periodontite.

Gastrite

A doença periodontal é um potencial ambiente de colonização da bactéria H. Pylori, ligada à gastrite. Se a bactéria entra na corrente sanguínea e o paciente tem essa inflamação do revestimento do estômago, o tratamento das duas condições fica mais complicado.

Mais uma vez, é necessário um tratamento multidisciplinar, com um dentista para eliminar a periodontite e um gastroenterologista para minimizar os prejuízos no estômago.

Artrite reumatoide

Seus sintomas, como dores, rigidez e inchaço nas articulações, podem ser agravados pelas substâncias químicas liberadas pela infecção crônica da doença periodontal. O trabalho do reumatologista no controle dos sintomas precisa da colaboração com o dentista, que controlará a periodontite do paciente.

Diabetes

A relação entre diabetes e doença periodontal é uma via de mão dupla. Por um lado, o paciente com diabetes normalmente tem a "boca doce", por causa do alto teor de açúcar no sangue, e apresenta também pouca produção de saliva quando a glicemia está descompensada. Isso faz com que haja uma predisposição a infecções e também uma menor defesa contra elas, já que uma das funções da saliva é proteger a boca contra cáries e infecções.

Se não houver uma excelente higienização bucal constante, a infecção pode se instalar, causar inflamação e virar uma periodontite, abrindo as portas para a entrada de bactérias na corrente sanguínea.

Por outro lado, a doença periodontal eleva o índice glicêmico, que não pode ser totalmente controlado enquanto a cavidade bucal apresentar a doença. Mesmo que o endocrinologista inicie um tratamento com insulina ultra-rápida, é necessário tratar as gengivas e os dentes simultaneamente para que a glicemia possa ser compensada.

O trabalho, portanto, precisa ser em conjunto entre dentista e endocrinologista, para que as etapas dos tratamento beneficiem a saúde bucal e o controle do diabetes.