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Não confunda o Mal de Alzheimer com outras doenças

Definir qualquer demência como esclerose está entre os principais erros

Denominar um idoso como esclerosado é um dos maiores equívocos que rondam a Doença de Alzheimer no Brasil. Quem faz o alerta é o neurologista Antonio Cezar Galvão, do Hospital 9 de Julho. "Para muitos leigos, qualquer tipo de demência que costuma acometer os idosos é chamada de esclerose", completa.

Segundo o especialista, o termo esclerosado é absolutamente inadequado e vem dos tempos em que ainda se acreditava que a arteriosclerose, espessamento e endurecimento da parede arterial, era a causa de todos os problemas relacionados à demência. "Hoje, sabemos que a DA não tem absolutamente nenhuma relação com a circulação cerebral e arteriosclerose. Trata-se de uma doença degenerativa, que envolve componentes ambientais e genéticos e cujo mecanismo desencadeante ainda é desconhecido".

Outro erro comum, este que cerca a classe médica não especializada, é catalogar quaisquer outras demências apresentadas por idosos como Mal de Alzheimer. "O diagnóstico diferencial de demência pode ser complexo. Ele exige necessariamente a avaliação de um neurologista", orienta Galvão.

Entre as causas de demência comumente confundidas com a Doença de Alzheimer, o neurologista do Hospital 9 de Julho lista a hidrocefalia de pressão normal, a carência de vitamina B12 e o hipotireoidismo todas, de acordo com ele, perfeitamente tratáveis. Outros exemplos são o hematoma subdural crônico, o neurossífilis e a Doença de Creutzfeldt-Jacob.

No entanto, Galvão afirma que as demências mais comuns realmente são a demência vascular, causada por problemas circulatórios no cérebro, e a Doença de Alzheimer. "Juntas, elas correspondem a quase 80% dos casos de demência. Às vezes, os pacientes podem sofrer de ambos os problemas. Estes quadros são chamados de demência mista", fala sobre mais uma possibilidade.

É importante frisar que indivíduos idosos quase sempre apresentam de leve a moderada redução da capacidade de memória recente, quando comparados às pessoas mais jovens. "O fato é denominado de Senescência Benigna da Memória (SBM) e não deve ser confundido em hipótese alguma com a Doença de Alzheimer", reforça o especialista do Hospital 9 de Julho.

"A depressão é outro mal bastante comum na terceira idade. Ela pode afetar a atenção e, a partir disso, a memória recente. Porém, é mais uma condição perfeitamente tratável", diferencia o médico.

Na dúvida sobre o grau de comprometimento da memória recente de um idoso, os testes neuropsicológicos entram em cena. Galvão informa que o aparecimento de outros déficits cognitivos, como alterações da linguagem, perda da habilidade de atos motores planejados e complexos, já tem um significado patológico. "Ou seja, é sinal de que existe uma doença específica, e não o envelhecimento cerebral normal".

O neurologista ressalta que é papel do médico determinar a significância da perda de memória e diferenciar todas as condições apresentadas pelo paciente. "O problema é que, em certos idosos, a redução da memória recente é mais acentuada, sem se evidenciar outros déficits cognitivos para se catalogar de demência", aponta.

Ainda de acordo com o especialista, a diminuição da memória recente acentuada leva o nome de Déficit ou Comprometimento Cognitivo Leve (DCL). "Estas pessoas têm um risco maior para o desenvolvimento da Doença de Alzheimer, com o passar dos anos", alerta. "Tais pacientes devem ser identificados precocemente para seguimento e aconselhamento médico. Alguns neurologistas recomendam tratamento com anticolinesterásicos. No futuro, estes pacientes serão candidatos ao tratamento com drogas preventivas, quando elas forem desenvolvidas", completa.