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Bactéria Wolbachia reduz transmissão do Zika vírus, confirma estudo da Fiocruz

Aedes aegypti infectados com essa bactéria não conseguem passar o vírus a adiante

Agência Brasil - Uma pesquisa inédita da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) constatou que a bactéria Wolbachia reduz a transmissão do Zika vírus através do mosquito Aedes aegypti. O artigo, publicado nesta quarta (4) na revista Cell Host & Microbe, é o primeiro estudo científico do mundo que comprova que a bactéria usada para tentar reduzir a propagação da dengue também tem eficácia contra o Zika vírus.

Desde 2014, a Fiocruz testa os chamados "mosquitos do bem" como um meio natural de controle da dengue. O pesquisador Luciano Moreira, líder do projeto "Eliminar a Dengue: Desafio Brasil", diz que a nova experiência de laboratório mostrou que os mosquitos infectados com a bactéria Wolbachia não tem capacidade para transmitir o Zika vírus.

"Mostramos isso fazendo o seguinte experimento: tínhamos mosquitos que estavam infectados [com Zika], divididos em dois grupos: com Wolbachia e sem Wolbachia. Depois de duas semanas, coletamos a saliva dos mosquitos dos dois grupos e a injetamos em mosquitos sadios, que nunca haviam visto o vírus [Zika]. Quando a saliva tem origem nos mosquitos com Wolbachia, a gente não consegue fazer infecção nos mosquitos [sadios], mostrando que a Wolbachia bloqueou a transmissão do vírus", disse.

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O uso de mosquitos com a bactéria Wolbachia, criados em laboratório para o controle de doenças, é testado em duas localidades do Rio de Janeiro: na Ilha do Governador, na zona norte da capital, e em Jurujuba, em Niterói. O projeto aguarda mais financiamento para se expandir.

Os pesquisadores defendem que essa é uma alternativa natural, segura e autossustentável para o combate da dengue, Zika vírus e febre chikungunya. Dessa forma, não é preciso reduzir a população do mosquito e não é causado um desequilíbrio ambiental.