Luciana perguntou:

O que é depressão pós parto?

  • Respondido em 14/11/2016
    Dra. Evelyn Vinocur Psiquiatria - CRM 303514/RJ
    especialista minha vida
    Olá,

    Depressão pós-parto
    Conceito:
    A depressão pós-parto é um transtorno psíquico que pode surgir logo após o nascimento do bebê ou até os seus 6 meses. Pode acometer qualquer mulher após o parto, com ou sem motivo aparente.
    Classificação:
    Ela pode ser classificada em graus que variam de leve e transitória à graus mais severos, podendo até evoluir para um quadro psicótico, a Psicose Puerperal, que necessita de tratamento médico urgente e por vezes até de internação imediata.
    Prevalência:
    A Depressão pós-parto é uma situação clínica relativamente frequente e pesquisas recentes feitas no Brasil encontraram uma prevalência de 12-20% de Depressão pós-parto, número muito parecido em outros países do mundo. Já nas adolescentes, foi verificada prevalência entre 16% e 44%, quase duas vezes mais elevada que nas gestantes adultas, o que pode estar relacionado à falta de maturidade afetiva e de relacionamentos dessas pacientes, bem como ao fato de grande parte delas terem que abandonar seus estudos em razão da maternidade.
    O parto:
    O parto é um marco na vida da mulher, e possivelmente por isso, sintomas psiquiátricos sejam vistos tão frequentemente após o mesmo. Ainda, é um momento marcado por alterações hormonais, mudanças no corpo, no caráter social, na organização familiar, na própria identidade feminina, entre outros.
    Sintomas:
    As manifestações psíquicas mais comuns no pós-parto, são: o blues ou tristeza materna, a depressão pós -parto e a psicose pós-parto.
    Blues:
    Emoções fortes após o parto, o chamado “baby blues”, são normais. A tristeza materna é autolimitada, a tristeza é passageira e aparece cerca de 3 dias depois do nascimento do bebê e dura aproximadamente de 5 a 15 dias no máximo, após o parto. Tem uma incidência de 50 a 80%, e é considerada fator de risco para depressão no primeiro ano após o parto.
    Depressão Pós-parto:
    Começa algumas semanas depois do nascimento da criança e deixa a mulher incapacitada para as atividades diárias. Na depressão pós-parto a tristeza, ansiedade, o vazio de sentimentos etc., não desaparecem e interferem na rotina do dia-a-dia, com sintomas de leves a graves. A maioria das mães melhoram com o tratamento.
    Os sintomas mais comuns associados à depressão pós-parto são tristeza, irritabilidade, fadiga, insônia, perda de apetite e ansiedade, e podem romper o vínculo positivo mãe-bebê e até afetar negativamente o crescimento do recém-nascido. Algumas mulheres não falam sobre os seus sintomas. Sentem-se embaraçadas, envergonhadas ou culpadas por se sentirem deprimidas quando era suposto sentirem-se felizes além de terem medo de serem vistas como más mães. Em geral são depressões moderadas.
    Psicose Pós-parto:
    Ao contrário, a psicose pós-parto é relativamente rara, com incidência de 0,1 a 0,2%, e ocorre tipicamente dentro das quatro primeiras semanas após o parto, constituindo-se em emergência médica clássica, já que a mãe pode ouvir vozes, inclusive vozes imperativas ordenando que ela faça mal ao bebê (asfixiá-lo, afogá-lo, jogá-lo da janela, enforcá-lo, etc.). Mulheres com transtorno bipolar ou esquizofrenia correm maior risco de sofrer de psicose pós-parto.
    +Depressão Maior associada:
    Se persistir ou intensificar a tristeza materna, muito cuidado, pois ela pode estar se desenvolvendo para um quadro mais grave, a Depressão Maior, com duração de pelo menos 2 semanas e com no mínimo cinco dos seguintes sintomas: humor deprimido, falta de prazer em tudo (anedonia), mudanças significativas no peso e ou apetite, insônia ou hipersônia, agitação ou retardo psicomotor, diminuição da libido, fadiga, sentimentos de inutilidade e ou culpa, medo excessivo de machucar o bebê, ideias obsessivas, alteração do comportamento, capacidade diminuída de pensar e de se concentrar, indecisão e pensamentos recorrentes de morte.
    Causas da Depressão Pós-parto:
    Todos os sintomas associados ao humor e às emoções são multideterminados, ou seja, não têm uma causa única. Podem não ter causa aparente. Mulheres que tiveram depressão antes da gravidez, tem um risco maior de terem depressão pós-parto. Mesmo que elas já tenham tratado da doença, ainda sim, há um risco que a doença volte, e dessa vez como depressão pós-parto.
    Tratamento:
    Deve-se avaliar cada caso com muita atenção, a fim de se estabelecer a melhor estratégia de tratamento para cada situação em particular, e da maneira mais precoce.
    Os tratamentos podem incluir:
    tratamento psicofarmacológico, psicossocial, psicoterápico, tratamentos hormonais, além da eletroconvulsoterapia (ECT), indicada para casos mais graves ou refratários a outras formas de tratamento.
    A maioria das intervenções psicossociais e hormonais tem-se mostrado pouco eficiente.
    Já a Psicoterapia interpessoal, a Terapia cognitivo comportamental e as intervenções Psico farmacológicas tem se mostrado eficientes.
    -Uso de Psicofármacos na gestação e lactação:
    É uma decisão complexa e que envolve uma interação constante entre paciente, família, obstetra e psiquiatra. Estabelecer uma aliança terapêutica é fundamental.
    A confiança que a gestante deposita em seus médicos certamente minimizarará qualquer percalço, principalmente os efeitos colaterais que podem ocorrer durante o tratamento. Essa decisão sempre deve levar em conta, como sua mola mestra, a relação risco-benefício.
    Os medicamentos mais usados são:
    -os antidepressivos, em geral os inibidores seletivos de recaptação da serotonina como a fluoxetina, sertralina e citalopram - risco B,
    -os antipsicóticos, em geral o haloperidol, a levomepromazina e a clorpromazina - risco B
    -a risperidona - risco C.
    Uso na amamentação:
    -os fármacos mais estudados e que parecem ter os menores riscos são a sertralina, a paroxetina e a sulpirida.
    Riscos possíveis:
    Os possíveis riscos envolvem toxicidade fetal, considerando-se a morte intra-uterina, malformações físicas, prejuízo de crescimento, teratogenicidade comportamental e toxicidade neonatal.
    *Entretanto, algo que deve ser ressaltado com veemência à gestante é que o fato de não tratar poderá trazer muito mais danos ao feto, pelo que haverá, devido ao estresse, efeito sobre o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, com aumento de cortisóides, que causam vários outros danos à criança.

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  • Respondido em 14/11/2016
    Carlos César Petruy Psicologia - CRP 08/15211/PR
    Olá,

    A depressão pós parto (salvo melhor juízo) apresenta uma queda do estado de humor da puérpera, que ocorre após o nascimento do bebê devido a um déficit da produção de certas endorfinas.

    Geralmente, é mais comum após a segunda gestação e deve merecer de todos os cuidados especiais a fim de que se restabeleça a qualidade de vida da puérpera, assim como a do bebê o mais breve possível.

    A prevenção é sempre o melhor método a ser utilizado para evitar esta situação.

    O acompanhamento pré natal com o seu ginecologista é de suma importância, considerando prevenir qualquer adversidade e manter a qualidade gestacional favorável.

    A depressão é causada pela falta de produção de certas substâncias químicas, chamadas de neurotransmissores, produzidas em regiões específicas do cérebro, deixando a pessoa sem ânimo e inerte para qualquer atividade, é muito séria.

    A alimentação é um fator preponderante, orientações de um(a) nutricionista são de suma importância, principalmente alimentos ricos em ômega 3, mas será este profissional que irá informar e orientar.

    Atividade física orientada por um(a) profissional da educação física especializado nesta área também é outro fator muito importante.

    Atenciosamente,

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