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Síndrome Borderline: o que é, sintomas e tratamento

Visão Geral

O que é Transtorno de personalidade borderline?

O Transtorno de Personalidade Borderline (CID10 - F60.3)(TPB) é transtorno de saúde mental que pode causar um padrão de instabilidade comportamental nas relações interpessoais, na autoimagem e afetos.

É considerado um transtorno de personalidade fronteiriço ou limítrofe entre uma modalidade “não normal” da personalidade de se relacionar com o mundo e um estado que pode ser considerado patológico.

A pessoa com síndrome de Borderline apresenta sintomas como impulsividade, visão distorcida de si e dos outros, medo de abandono ou de ficar sozinho e reações agressivas e intensas.

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A prevalência média do Transtorno de Personalidade Borderline na população é estimada em 1,6%, embora possa chegar a 5,9% e costuma ser mais comum em pessoas do sexo feminino.

Especialista explica: Como é ser uma pessoa borderline? Entenda as características

Origem do Transtorno de Borderline

O termo "Transtorno de Personalidade Borderline" (TPB) foi usado pela primeira vez em 1884 e, desde então, passou por diversos conceitos ao longo dos anos.

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Originalmente, o termo "Borderline" se referia a um grupo de pacientes que vivia no limite da sanidade (daí o termo “limítrofe”), ou seja, na fronteira (borda, borderline) entre a neurose e a psicose. Alguns autores da época usavam esse diagnóstico quando havia sintomas neuróticos graves.

Foi apenas na década de 1980 que o diagnóstico da doença se tornou mais preciso. Até então, muitos médicos acreditavam, equivocadamente, que a personalidade de uma pessoa era imutável.

Sintomas

Sintomas de Transtorno de personalidade borderline

O transtorno de borderline pode ter início na adolescência ou na idade adulta. Entre as características do Borderline, destacam-se:

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Saiba mais: Dicas para ajudar na relação com uma pessoa Borderline

A partir das características do transtorno, uma pessoa com borderline pode desenvolver sintomas ao longo da vidas como:

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Visão Geral

Causas

As causas e fatores envolvidos no surgimento de Transtornos de Personalidade são diversos.

Predisposição genética e até experiências emocionais precoces e fatores ambientais, especialmente na infância, com destaque para as situações traumáticas e situações de abuso e negligência podem favorecer o borderline.

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Fatores genéticos

A genética tem um papel importante no desenvolvimento do Borderline. Afinal, o transtorno é cinco vezes mais frequente em quem tem ou teve pais com borderline do que na população em geral.

Instabilidade familiar

O impacto do ambiente familiar no desenvolvimento da criança pode ser um fator importante.

Muitos desses pacientes passaram por negligência, abusos físicos e sexuais dentro da família, ou veem o casamento dos pais como algo conflituoso.

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Porém, vale ressaltar que também há pacientes com históricos familiares absolutamente comuns, sem nada de anormal.

Também há aumento do risco de Borderline quando existe na família o pai e ou mãe com transtorno por uso de substâncias, transtorno de personalidade antissocial, depressão ou transtorno bipolar.

Abuso de autoridade pelos pais

O Transtorno de Personalidade Borderline pode ser ainda a consequência de uma educação muito autoritária.

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Com o tempo, as tentativas de autoafirmação da criança sucumbem aos desejos dos pais e ela se habitua a se submeter, desenvolvendo dúvidas sobre a própria capacidade e vergonha pelos seus fracassos.

Aos poucos, a criança para de tentar expressar as suas vontades, podendo levar a falhas na clarificação psíquica de si e do outro.

Diagnóstico e Exames

Diagnóstico de Transtorno de personalidade borderline

Como identificar uma pessoa borderline?

O diagnóstico do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é clínico, baseado em uma minuciosa avaliação psiquiátrica feita por profissional de saúde mental qualificado.

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Muitos profissionais envolvem o paciente no seu próprio diagnóstico, na medida em que vão mostrando a ele os critérios diagnósticos e perguntando quais deles os definem plenamente. Este método ajuda o paciente a aceitar melhor o diagnóstico.

Entretanto, há profissionais que preferem não dizer ao paciente o diagnóstico por conta do estigma e também porque, antigamente, o diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline era tido como intratável.

De modo geral, falar com o paciente sobre o diagnóstico é a conduta preferível para a maioria dos especialistas. Questões que precisam ser perguntadas são sobre ideações suicidas, atos autolesivos e pensamentos sobre machucar os outros. O diagnóstico é clínico, baseado no relato do paciente e nas observações do médico.

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Cuidado ao diagnosticar

É importante lembrar que, hoje, o diagnóstico é feito pela presença de uma coleção de traços e não por um critério isolado. Mas nem sempre a resposta é certeira: é comum a confusão do Transtorno de Personalidade Borderline com o transtorno bipolar, por exemplo.

Exames recomendados

Exame físico e testes de laboratório são recomendados para eliminar sintomas possíveis, como problemas de tireoide e abuso de substâncias. Exames de imagem são usados para afastar outras causas, especialmente neurológicas.

Diagnóstico precoce

Normalmente, o Transtorno de Personalidade Borderline demora a ser diagnosticado. Pode levar três, cinco, dez ou ainda mais anos até que seja descoberto. Por isso, é muito importante que o diagnóstico seja feito o mais precocemente possível e que o tratamento seja logo iniciado.

Buscando ajuda médica

Sempre que o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) apresentar sintomas muito angustiantes e/ou reações que possam afetar ou machucar a si mesmo ou a outras pessoas, ele deve procurar um médico.

O mesmo ocorre quando há intenção suicida ou mesmo tentativa. Nesses casos, é muito importante que a família e, principalmente, os terapeutas tenham conhecimento desses pensamentos, pois eles podem ajudar.

Convivendo (prognóstico)

Transtorno de personalidade borderline tem cura?

O Transtorno de Personalidade Borderline não tem cura. Entretanto, é possível conviver com o transtorno de uma forma muito mais amena do que se pensava no passado.

Os conhecimentos mais recentes mostram que, mesmo com toda a conturbação e sofrimento que o portador de Borderline e de seus familiares, o curso do transtorno não é tão negativo como se pensava antes.

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Transtorno de personalidade borderline

Psicoterapia

O tratamento inicial do transtorno de Borderline é feito com a psicoterapia. Ela ajudará o paciente a controlar melhor seus impulsos e entender seu comportamento.

A psicoterapia é uma grande aliada para quem busca a melhora de aspectos emocionais. Além de oferecer auxílio em momentos de aflição, o acompanhamento de um psicólogo permite um maior entendimento frente às questões da vida.

Ter o acompanhamento de um psicólogo no dia a dia pode trazer transformações significativas em sua existência, independente do motivo que o motivou a iniciar a psicoterapia.

Outro ponto trazido pelo tratamento com a psicoterapia é o foco, principalmente, nas questões do suicídio e da automutilação, além do aprendizado de novas habilidades, como consciência, eficácia interpessoal, cooperação adaptativa nas decepções e crises e na correta identificação e regulação de reações emocionais.

Terapia familiar

O tratamento de Borderline pode feito também com a ajuda da terapia familiar, pois, em geral, a família tende a abandonar o paciente ou a se tornar superprotetora. Os pais se dizem impotentes e relatam sofrer tanto quanto o paciente.

Medicamentos

Os remédios usados para tratar os pacientes com Borderline geralmente focam em sintomas isolados. Entre os medicamentos mais utilizados, estão:

Objetivos do tratamento

No início, o tratamento pode aliviar alguns sintomas, principalmente aqueles que mais perturbam os pacientes. Porém, ao pensar no desenvolvimento da personalidade, o tratamento deverá ser de médio a longo prazo.

Os tratamentos, especialmente a psicoterapia, também podem ser breves, com duração de 20 sessões ou de longo prazo, de dois a três anos. Pesquisas atuais têm apontado que tratamentos de longo prazo produzem resultados mais duradouros no decorrer da vida.

O objetivo é ir além dos sintomas, buscando o desenvolvimento duradouro das capacidades psíquicas do paciente.

Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

Como controlar o borderline?

Várias mudanças no comportamento e estilo de vida precisam ser implementadas para a minimização das complicações decorrentes do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). Ter o conhecimento e a aceitação do diagnóstico é fundamental para que o paciente possa buscar ajuda médica e psicológica adequadas ao seu problema.

Além disso, é importante fazer contato com o psiquiatra sempre que sentir um excesso de angústia que possa transbordar a sua capacidade de continência psíquica, senão o paciente irá buscar alívio através de atos lesivos ao próprio corpo.

Borderline intensifica o medo de abandono - Imagem: Shutterstock
Borderline intensifica o medo de abandono - Imagem: Shutterstock

É preciso também tratar todas as comorbidade que surgirem e suspender o uso de álcool e qualquer outra substância ilícita psicoativa sem ordem médica.

Outra orientação é passar a viver uma vida com mais qualidade, regrada e sem excessos. A prática de exercícios físicos, higiene do sono e alimentação saudável são condutas indicadas. Frequentar grupos de apoio específicos para o Transtorno de Personalidade Borderline também é importante.

EU TENHO TRANSTORNO DE PERSONALIDADE

Saiba mais: 4 dicas para conviver com quem tem borderline

Redução dos sintomas

Os sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) melhoram com o passar do tempo. Por volta dos 30 e 35 anos, os pacientes costumam apresentar uma melhora significativa.

Estatísticas sugerem que, com o devido tratamento, portadores do transtorno tendem a sofrer recessão dos sintomas em algum momento da fase adulta..

Dos que procuram ajuda profissional, 75% têm remissão da maior parte dos sintomas entre os 35 e 40 anos de idade; 15% entre os 40 e 50 anos de idade; e os 10% restantes podem não apresentar resultados satisfatórios ou cometem suicídio..

Os sintomas da síndrome tendem a sumir depois dos 40 anos. Mas, quando tratado adequadamente, o paciente poderá se organizar e melhorar a qualidade de vida e as suas relações..

Complicações possíveis

O que é ser uma pessoa borderline?

A pessoa com Borderline tende a estar em constante estado de agitação, entenda melhor as características da pessoa borderline. As complicações costumam ocorrer quando há separação, abandono percebido ou desaprovação de outra pessoa.

Os indivíduos com este transtorno exibem impulsividade em áreas potencialmente prejudiciais para si próprios, tais como nos esportes, nos jogos de azar, no consumo de tabaco, álcool e drogas, gastos irresponsáveis, comer em excesso, abusar de medicamentos, praticar sexo inseguro e dirigir de forma impudente.

Portanto, as complicações decorrentes do Transtorno de Personalidade Borderline são:

Há ainda a possibilidade de comorbidade com outros transtornos psiquiátricos associados ao Transtorno de Personalidade Borderline. Entre outras complicações mais graves, estão gestos suicidas e o ato de suicídio em si.

Hoje, sabemos que o risco maior de completar o suicídio a quem sofre da condição é nos 5 a 7 anos do início da manifestação. Depois disto, o risco diminui. Sendo assim, somente 10% das pessoas com Borderline chegam a consumar o suicídio.

Prevenção

Prevenção

Intervenções sociais, como prevenção do abuso infantil, da violência doméstica e do abuso de substâncias nas famílias, podem ajudar a diminuir a ocorrência não só de Transtorno de Personalidade Borderline como também de um número significativo de diferentes problemas de saúde mental.

Em contraste, a prevenção específica do Borderline tende a se concentrar em reconhecer os traços da doença o mais cedo possível, seguido de tratamento intensivo.

O transtorno pode levar os pacientes a maiores dificuldades em relações amorosas, de trabalho ou amizade. Por isso, é importante que a pessoa e a família aprendam a lidar com o transtorno, evitando assim mais sofrimento e a chance de novas crises no paciente.

Igualmente, incentivar esses pacientes a buscar profissionais experientes e que possam entendê-los é da maior importância.

Referências

Dra. Evelyn Vinocur, médica psiquiatra e mestre em neuropsiquiatria, psicoterapeuta cognitivo comportamental, especializada em Saúde Mental da Infância e Adolescência. Membro associado da Associação Brasileira de Psiquiatria (CRM-RJ: 303514)

DSM-IV, American Psychiatric Association - Manual de Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais 4ª ed. Edit. Artes Médicas

DSM-V, American Psychiatric Association - Manual de Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais 5ªed. Edit. Artes Médicas

Sobrevivência Emocional: as feridas da infância revividas no drama adulto", de Rosa Cukier. Editora Ágora, 1998

The UK National Institute for Health and Clinical Excellence (NICE) 2009 clinical guideline for the treatment and management of BPD

National Institute of Mental Health – Borderlline personality disorder

Associação Psiquiátrica Americana