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Obesidade aos 20 anos diminui as chances de chegar à meia idade

Risco de diabetes, infarto e trombose são maiores em quem está acima do peso

A obesidade é vista, atualmente, como problema de saúde pública. Suas consequências na vida adulta já são bem conhecidas: ela representa risco para o desenvolvimento de diabetes e doenças cardiovasculares, como infarto e AVC. No entanto, a maneira com que ela afeta a saúde dos mais jovens, na casa dos 20 anos, ainda não são tão notadas.

Uma pesquisa publicada dia 29 de abril na versão online do periódico British Medical Journal, mostrou que homens obesos aos 20 anos estão significativamente mais propensos a desenvolver sérias doenças quando alcançarem a meia idade, ou até mesmo nem chegar na faixa dos 55 anos.

Os autores avaliaram durante 33 anos a saúde de 6.500 dinamarqueses com idades de 22 anos, até que eles chegassem aos 55 anos. Todos os participantes nasceram em 1955 e haviam se registrado no serviço militar para realizar avaliação física e psicológica. A maioria (83% ou 5.407 homens) estava dentro da faixa de peso ideal, 5% estavam abaixo do peso (353 indivíduos), um em cada dez (639) estava com sobrepeso e 1,5% (97) era obeso.

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O peso normal é classificado segundo o índice de massa corpórea (IMC) entre 18,5 e 25 e a obesidade é classificada quando o IMC é igual ou maior que 30.

Quase metade de todos os classificados como obesos aos 22 anos foi diagnosticada com diabetes, hipertensão arterial, infarto, acidente vascular encefálico (AVC), trombose ou morreram antes de chegar aos 55 anos. Eles estavam oito vezes mais propensos a desenvolver diabetes e apresentavam duas vezes mais chances de desenvolver hipertensão, sofrer um infarto ou morrer, em comparação com o grupo cujo peso estava normal.

O aumento de uma unidade do IMC correspondeu ao aumento de 5% no risco de ataque cardíaco, 10% das chances de hipertensão e trombose e 20% no diabetes. Os pesquisadores descobriram que os jovens obesos estavam três vezes mais propensos a desenvolver qualquer uma dessas condições em comparação com o grupo normal na meia idade, conferindo-lhes um risco de quase 50%, em comparação com risco de 20% no grupo de peso normal.

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Os maiores erros no combate à obesidade

A obesidade pode estar ligada a distúrbios alimentares, ao sedentarismo, a disfunções hormonais e por trás disso tudo ainda há a herança genética. Um time de educadores físicos, nutricionistas, psicólogos e endocrinologistas forma a melhor equipe para dar um fim nos quilos a mais. Apesar disso, muita gente acha que basta controlar a medicação para que os quilos comecem a desaparecer. O erro é comum, mas não o único. Se você já tentou emagrecer e não alcançou sua meta, veja os principais erros, apontados por especialistas, no tratamento da obesidade:

Ignorar as calorias totais da dieta

Maçã e sanduíche na balança - Foto Getty Images
Maçã e sanduíche na balança - Foto Getty Images

"A alimentação desequilibrada é um dos principais fatores relacionados à obesidade", afirma a educadora física e doutoranda em nutrição Ana Dâmaso, coordenadora do Grupo de Estudo da Obesidade (GEO) da Unifesp. Segundo ela, quando este fator está associado ao excesso de peso, tona-se necessária a reeducação alimentar. Tudo começa estabelecendo um limite máximo de calorias que podem ser consumidas diariamente. "Uma pessoa acima do peso provavelmente ingere muito mais calorias do que seu metabolismo é capaz de queimar", afirma a especialista. Para isso, procure um bom nutricionista que possa elaborar um cardápio individual.

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Fazer escolhas pouco saudáveis à mesa

Mulher comendo salada - Foto Getty Images
Mulher comendo salada - Foto Getty Images

Bobagem ficar dentro das calorias previstas para o dia se os alimentos que você consome têm valor nutricional nulo. De acordo com a educadora física Ana, gorduras e açúcares são os grupos de alimentos mais presentes na alimentação do paciente com obesidade. Aprender a montar um prato colorido com muitas frutas, legumes e verduras, e uma parcela menor de carboidratos e proteínas, faz parte da reeducação alimentar. "Com o tempo, os pacientes percebem que não é preciso passar fome ou comer alimentos sem graça para perder peso", explica.

Manter o sedentarismo

Homem sentado - Foto Getty Images
Homem sentado - Foto Getty Images

"Exercícios físicos são uma das principais estratégias terapêuticas não medicamentosas para combater a obesidade", diz a educadora física Ana. Segundo a especialista, atualmente exercícios valem por remédio. O método mais eficaz para perder peso é combinar exercícios aeróbios, como a caminhada, com exercícios resistidos, com a musculação. "Juntos, eles não só combatem a obesidade, como ainda ajudam no controle da síndrome metabólica e da esteatose hepática não alcoólica (acúmulo de gordura no fígado)", explica. Antes de iniciar o treino, procure um profissional para não realizar movimentos incorretos ou exagerar na dose, o que pode gerar lesões.

Perder o controle da ansiedade

Mulher ansiosa - Foto Getty Images
Mulher ansiosa - Foto Getty Images

A obesidade é uma doença multifatorial e, na maior parte dos casos, está ligada a disfunções emocionais. "Grande parte dos pacientes sofre de ansiedade, estresse e outros problemas que podem levar à compulsão alimentar, por exemplo", afirma o endocrinologista Marcos Antonio Tambascia, professor da Unicamp. Por isso, incluir um terapeuta comportamental no tratamento da obesidade pode ser fundamental para alcançar o sucesso.

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Adotar outros hábitos prejudiciais

Homem acendendo cigarro - Foto Getty Images
Homem acendendo cigarro - Foto Getty Images

"Principalmente pacientes que foram submetidos à cirurgia bariátrica são mais propensos a adotar outros hábitos prejudiciais para compensar o prazer que deixaram de ter por não poder comer compulsivamente", afirma o endocrinologista Marcos. Segundo ele, é comum pacientes começarem a fumar e beber ao tentar seguir uma alimentação saudável. Por outro lado, alguns pacientes se sentem estimulados a mudar completamente de vida quando dão início ao tratamento da obesidade. Assim, começam a praticar exercícios, investem na reeducação alimentar e, de quebra, ainda adotam outros hábitos saudáveis como medida de prevenção da saúde.

Retomar os erros após a perda de peso

Mulher comendo bolo - Foto Getty Images
Mulher comendo bolo - Foto Getty Images

O paciente com tendência a ter obesidade não pode vacilar. Hábitos saudáveis adotados para perder peso devem ser mantidos mesmo após alcançar a meta. "Muitos pacientes acabam retomando os quilos perdidos porque deixam a disciplina de lado com o tempo", diz o endocrinologista Marcos. Segundo ele, comer bem, praticar exercícios e fazer check-ups no médico regularmente deveriam ser regra na vida de todas as pessoas durante a vida inteira. No caso de pessoas com tendência a desenvolver a doença, entretanto, a medida se torna ainda mais relevante e não segui-la pode trazer consequências mais imediatas, como a desnutrição e a volta da obesidade.

Resistir a tratamentos mais agressivos

Homem medindo a pressão arterial - Foto Getty Images
Homem medindo a pressão arterial - Foto Getty Images

"A cirurgia bariátrica nunca é a primeira opção de tratamento para pessoas com obesidade", afirma o endocrinologista Marcos. Mas indivíduos com índice de massa corpórea (IMC) maior do que 40 ou com IMC maior do que 30 e tendência a desenvolver doenças associadas à obesidade, como o diabetes, geralmente recebem indicação para a intervenção cirúrgica. Isso porque, neste caso, a necessidade de perder peso é imediata. Além disso, disciplina para mudar hábitos de vida nem sempre é o suficiente para vencer essa doença crônica. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental.

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