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Ressaca pode ficar menos frequente com passar da idade, diz estudo

Pesquisadores sugerem que a sensação faz com pessoa beba menos com o tempo

Aqui está uma boa notícia para quem acorda com aquela dor de cabeça e enjoo após uma noite de bebedeira: novas pesquisas sugerem que a ressaca tende a desaparecer com a idade. Mas não comece a sonhar com uma aposentadoria no bar - afinal, a ingestão excessiva de álcool tem muito mais consequências do que apenas uma ressaca. O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Keele, na Inglaterra, publicado online dia 12 de setembro e na próxima edição impressa da revista Alcoholism: Clinical & Experimental Research.

Os autores examinaram os resultados de outros estudos, totalizando cerca de 52 mil pessoas com idades entre 18 e 94 anos, moradores da Dinamarca. Os entrevistados responderam a perguntas sobre o consumo de comida e bebida, número de ressacas, entre outras coisas. Pessoas com 60 anos beberam uma média de 15 porções de álcool por semana para homens e 10 para as mulheres, em comparação com 14 drinques para homens e sete para mulheres com idade entre 18 e 29 anos. Os jovens , no entanto, bebiam com muito mais frequência.

Os sintomas da ressaca após a bebedeira eram muito mais comuns nos mais jovens. Segundo a pesquisa, 62% dos homens com idades entre 18 e 29 anos relataram exaustão depois de beber, em comparação com apenas 14% daqueles com 60 anos ou mais. A náusea foi muito menos comum (1,5% contra 10%) entre os homens mais velhos, assim como a tontura (1,5% contra 8%) e a dor de estômago (1,4% contra 6,2%).

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Os resultados para as mulheres eram mais estreitamente alinhados: as náuseas reduziram pela metade como passar da idade (11% contra 21%), enquanto as dores de cabeça não apresentaram tanta mudança (21% contra 27%). Os pesquisadores afirmam que três fatores - quantidade de álcool ingerida, frequência de consumo excessivo de álcool e quantidade de alimento ingerido com bebida alcoólica - não são suficientes para descartar as descobertas básicas. Por razões que não estão claras, cerca de 20 a 25% das pessoas são imunes a ressaca. Por outro lado, a investigação sugere que o fumo faz com que a ressaca piore.

De acordo com os cientistas, uma teoria para justificar o fenômeno é uma forma de seleção natural, ou seja, aquelas pessoas que sentiam ressaca na juventude simplesmente param de beber com o passar da idade. Os autores afirmam, no entanto, que não está claro o porquê das pessoas mais velhas sofrerem menos ressacas. Elas podem ser mais inteligentes sobre como evita-la, ou então podem simplesmente ser mais tolerantes com o consumo de álcool. Entretanto, ainda não é possível afirmar nada com certeza.

Reconheça os estágios da ingestão de álcool no seu corpo e proteja sua saúde

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Um, dois ou três copos? Quanto tempo demora para você sentir os efeitos da bebedeira no corpo? Mesmo que a quantidade de bebida necessária para a embriaguez varie de pessoa para pessoa, os perigos do consumo de álcool são iguais para todos. O psiquiatra Arthur Guerra, professor da Faculdade de Medicina do ABC, explica que os danos fisiológicos causados por uma intoxicação aguda pelo álcool são reversíveis, mas a lentidão e a perda de consciência podem causar graves acidentes, esses sim com complicações permanentes. "Existem três principais riscos decorrentes do consumo excessivo de álcool: a perda dos reflexos, favorecendo acidentes; a aspiração do vômito, que acontece durante o período de inconsciência; e o quadro de depressão respiratória, ou seja, a diminuição ou cessação da respiração". Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 58% da população adulta abstiveram-se do consumo de bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses. Que tal aumentar ainda mais esses números? O primeiro passo é entender que até mesmo um dia de porre afeta o funcionamento do seu organismo. Os especialistas nos contaram como isso acontece. Confira a seguir:

Estágio 1: enquanto você ainda está sóbrio

Homem bebendo cerveja - foto: Getty Images
Homem bebendo cerveja - foto: Getty Images

A psicobióloga Maria Lúcia Formigoni, chefe do departamento de Psicobiologia da Unifesp, explica que as moléculas de álcool são pequenas e solúveis. Isso significa que elas chegam muito rapidamente a todos os nossos tecidos, principalmente ao fígado, órgão responsável por 90% da metabolização do álcool, que é então transformado em acetaldeído. Essa substância é a responsável pelos efeitos danosos associados ao consumo de álcool. E, mesmo enquanto você está sóbrio, ela já está se acumulando no seu organismo e deteriorando sua saúde. "Os sintomas da ressaca, como as dores de cabeça, a pressão arterial elevada e a taquicardia, são causados pelo excesso dessa substância no organismo", explica a especialista.

Estágio 2: Euforia

Euforia - foto: Getty Images
Euforia - foto: Getty Images

À medida que você continua a beber, a quantidade de acetaldeído presente no seu corpo continua a se acumular. Em consequência, a dopamina - um neurotransmissor relacionado à sensação de bem-estar - atinge níveis cada vez mais altos. "A dopamina age na via cerebral da recompensa e promove a sensação de euforia, felicidade, característica do consumo excessivo do álcool", explica Maria Lúcia Formigoni. No entanto, a especialista explica que essa sensação é relativa e que nem todas as pessoas experimentam as mesmas sensações.

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Estágio 3: Instabilidade emocional e depressão do Sistema Nervoso Central

Instabilidade emocional - foto: Getty Images
Instabilidade emocional - foto: Getty Images

Se você continuar bebendo, a sensação de euforia logo dará lugar a outra emoção. "Começa a ser sentido o efeito de outro neurotransmissor, responsável por estimular o sistema GABA (ácido gama-aminobutírico), principal inibitório do Sistema Nervoso Central", explica Maria Lúcia. Ocorre então uma competição entre a dopamina e o sistema Gama, que acaba ganhando a disputa e deprimindo as atividades cerebrais. Em consequência, a ansiedade é diminuída e a sensação de sono aumenta.

O grande problema está na desestabilização do sistema cerebral. "O funcionamento cerebral anormal resultará em alterações do comportamento, afinal, o controle do sistema racional não está eficiente", conta a psicobióloga.

Estágio 4: Prejuízo do julgamento e da crítica

Menina dançando - foto: Getty Images
Menina dançando - foto: Getty Images

A perda da racionalidade acaba por comprometer a capacidade de julgamento. "O tempo de resposta aos estímulos físicos, visuais e auditivos aumenta muito, todos os reflexos e pensamentos estão alterados", conta Maria Lúcia. Além de aumentar o risco para acidentes, um dos maiores perigos decorrentes do consumo abusivo de bebidas alcoólicas, o indivíduo também se coloca em risco ao fazer escolhas que não faria se estivesse sóbrio. Incluem-se nessa lista: colocar-se em situações vexatórias, correr riscos e consumir bebidas alheias e até mesmo drogas ilícitas.

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Estágio 5: Sonolência e adormecimento

Pessoa alcoolizada dormindo - foto: Getty Images
Pessoa alcoolizada dormindo - foto: Getty Images

O psiquiatra Arthur Guerra explica que se um familiar, amigo ou conhecido bebeu demais e acabou pegando no sono, o ideal é mesmo deixá-lo descansar, sempre sob observação. Nesse momento, um cuidado é essencial: certifique-se de que a pessoa intoxicada durma de lado, evitando a aspiração do próprio vômito, que pode ir até as vias aéreas, dificultando ou impedindo a respiração. O especialista conta que levar a pessoa embriagada ao hospital ou pronto-atendimento é a melhor opção caso o cuidador fique inseguro, mas que a glicose, frequentemente administrada nesses casos, só ajuda a resolver o problema quando há uma hipoglicemia associada. "A glicose não ajudará a diminuir a intoxicação por álcool, o único remédio nesse caso, é repouso e hidratação do corpo - seja com água, água de coco, refrigerantes ou até café".

Estágio 6: Inércia generalizada

Inércia generalizada - foto: Getty Images
Inércia generalizada - foto: Getty Images

Nesse estágio, o indivíduo já não consegue atender aos comandos e as respostas aos estímulos externos estão comprometidas. Andar é praticamente impossível e pode haver até incontinência urinária e fecal. Os riscos de coma alcoólico são altos nessa fase. "O ideal é procurar ajuda profissional em um hospital, já que a saúde está correndo perigo e ser mantido sob observação é muito importante", recomenda Arthur Guerra.

Estágio 7: Coma alcoólico

Coma - foto: Getty Images
Coma - foto: Getty Images

O coma alcoólico acontece em resposta à depressão do Sistema Nervoso Central, que é cada vez maior à medida que se consome a bebida alcoólica. "O cérebro - responsável por mandar estímulos às estruturas responsáveis pela respiração, como pulmão e diafragma, principalmente -, deprimido pela bebida alcoólica, pode deixar de enviar esses impulsos, levando à parada respiratória", explica o psiquiatra Arthur Guerra. Os danos desse extremismo, em alguns casos, podem ser irreversíveis, levando a pessoa à morte.

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