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Pré-natal: o que é, como funciona e exames necessários

O acompanhamento durante a gestação é essencial para prevenir patologias e contribuir para uma gravidez favorável

O que é pré-natal?

O pré-natal é o acompanhamento médico realizado durante a gestação em que se avaliam a saúde materna e o desenvolvimento do bebê. Além do obstetra ou do médico da família, outros profissionais podem auxiliar nesse processo, como nutricionistas e psicólogos.

Através do pré-natal, é possível prevenir e/ou detectar precocemente patologistas tanto maternas como fetais, reduzindo os riscos da gestante e contribuindo para uma gravidez favorável.

"Os cuidados pré-natais têm também um aspecto muito importante, que é o de orientar a futura mãe sobre o que esperar e como agir durante a gestação", disse o ginecologista e obstetra Fredric D. Frigoletto, do General Hospital de Boston (EUA) e um dos autores do livro Primary Care of Woman, em entrevista prévia ao Minha Vida.

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O pré-natal é um direito assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente para todas as mulheres.

Como funciona o pré-natal?

Durante todo o período de gravidez, a gestante deverá realizar consultas regulares para o esclarecimento de quaisquer dúvidas, buscando descaracterizar mitos frequentes e obter a orientação adequada.

"É também uma oportunidade de promover bons hábitos de saúde, prevenindo complicações e reforçando o vínculo entre paciente, familiares e os profissionais da equipe, além de preparar toda a família para o parto", afirma a ginecologista Sofia de Mota Paiva.

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Na primeira consulta, o especialista irá investigar tudo que pode influenciar ou atrapalhar o bom andamento da gestação, conforme explica Karen Rocha de Pauw, médica ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana. Isso infere:

Além disso, serão solicitados exames para monitorar o estado geral da mãe, além de determinar a idade gestacional e iniciar um plano de cuidado obstétrico continuado.

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Segundo Fábio Broner, médico ginecologista do Hospital Albert Sabin de São Paulo (HAS), o calendário de atendimento pré-natal deve ser programado em função da idade gestacional na primeira consulta e dos períodos mais adequados para a coleta de dados clínicos.

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda que sejam realizadas, no mínimo, seis consultas no pré-natal - uma no primeiro trimestre da gravidez, duas no segundo e três no terceiro trimestre.

Em artigo escrito ao Minha Vida, o ginecologista e obstetra Alessio Calil Mathias esclarece que as consultas são mensais até a 32ª/33ª semana, quinzenais, até a 37ª, e semanais a partir da 40ª semana de gestação. Após esse período, a gestante deve ser acompanhada pelo obstetra a cada dois ou três dias.

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Quando deve começar o pré-natal?

O pré-natal deve ser iniciado assim que a gestação é confirmada. A primeira consulta de planejamento da gestação é essencial para que se iniciem precocemente os exames necessários e a administração de medicação.

Tipos de pré-natal

Existem dois tipos de pré-natal. São eles:

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Exames realizados durante o pré-natal

Hemograma completo

O hemograma é o exame realizado para avaliar todos os componentes presentes no sangue, como os glóbulos vermelhos (hemácias), glóbulos brancos (leucócitos) e as plaquetas (coagulação sanguínea). São exames laboratoriais básicos e de rotina, essenciais para avaliar se a gestante está com anemia, por exemplo.

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"As grávidas são mais propensas ao problema, pois há um aumento de 50% do sangue, portanto o ferro se dilui", explicou Marco Antônio Borges Lopes, especialista em Medicina Fetal do Fleury Medicina e Saúde, em entrevista prévia ao Minha Vida.

O hemograma pode detectar diversas patologias, tais como:

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Glicemia

O exame de glicemia em jejum serve para medir a quantidade de glicose presente na circulação sanguínea e é utilizado para investigar um possível caso de diabetes gestacional. A condição, que ocorre em aproximadamente 4% de todas as gestações, torna a gravidez mais arriscada, de modo a causar problemas à saúde do feto.

Embora a queda da glicemia (chamada de hipoglicemia) também possa trazer riscos à gestante e ao feto, ela é mais rapidamente diagnosticada e tratada devido a seu tipo de sintomatologia.

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Os principais sintomas de queda de glicemia na gestante incluem:

Para a realização do exame, é necessário estar de 8 a 12 horas de jejum, sem consumir nenhum tipo de alimento ou bebida, somente água. Porém, também é possível realizar a curva glicêmica, que avalia os níveis de açúcar no sangue após duas horas de ingestão do alimento.

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Sistema ABO e fator Rh

Os exames de tipagem sanguínea servem para identificar o tipo sanguíneo da mãe e são necessários em casos de possíveis transfusões de sangue.

O sistema ABO indica classificações existentes do sangue humano: A, B, AB e O. Já o fator Rh busca indicar se o sangue possui Rh positivo ou negativo.

Em entrevista prévia ao Minha Vida, o especialista em ginecologia e obstetrícia, Fábio Rosito, explicou que mães que sejam fator negativo e tenham bebês com fator positivo podem obter um quadro chamado eritroblastose fetal. Segundo ele, durante o parto, quando os sangues entram em contato, são formados anticorpos anti-Rh no corpo da mãe, que podem destruir as hemácias do próximo bebê Rh+ que ela tiver.

Sorologia para HIV e VDRL

O exame para HIV busca saber quando a gestante é soropositiva para o HIV, ou seja, se ela possui chances de desenvolver AIDS. O exame de sorologia para VDRL, porém, indica se a mãe está contaminada com a Treponema pallidum, bactéria causadora dasífilis.

Enquanto o HIV ataca diretamente o sistema imunológico, os riscos de sífilis congênita incluem:

Em caso de resultado positivo, é importante que a paciente seja tratada rapidamente para evitar a transmissão da infecção para o bebê. Com um diagnóstico precoce e o tratamento adequado, a contaminação pode ser evitada.

Reação para toxoplasmose e para rubéola

Os exames para toxoplasmose e para rubéola indicam se a paciente já teve contato com os causadores dessas doenças. O diagnóstico de toxoplasmose e rubéola é normalmente sorológico pela dosagem de IgM e IgG. Desse modo, é possível saber se há uma infecção recente, antiga ou se a paciente está imune.

A toxoplasmose congênita, transmitida durante a gravidez, pode trazer sérias complicações ao bebê. Muitas infecções precoces terminam em natimortos ou abortos espontâneos, mas os bebês que sobrevivem podem ter problemas como convulções, icterícia e figado e baço aumentados.

Já a rubéola congênita pode resultar em aborto, morte fetal, complicações neurológicas ou anomalias congênitas, como diabetes e surdez.

Sorologias para hepatite B e C para citomegalovírus

Esse exame indica se a mãe possui hepatite B e C para citomegalovírus, que podem afetar o desenvolvimento do feto. Embora seja rara, a doença citomegalovírus pode causar malformações no bebê. Já as hepatites B e C podem ser transmitidas na gestação.

Urina

O exame de urina, também chamado de exame de urina tipo 1 ou exame EAS (Elementos Anormais do Sedimento), permite identificar doenças do trato urinário como pedra nos rins, insuficiência renal e infecções - mesmo que a gestante não apresente sintomas. Assim, o obstetra pode avaliar o melhor tratamento a fim de evitar futuras complicações na gestação, como parto prematuro.

Fezes

O exame parasitário de fezes é capaz de detectar parasitas intestinais (verminoses), que podem acarretar em quadros de anemia. Dependendo da gravidade, algumas verminoses precisam ser tratadas, pois podem afetar a gravidez e prejudicar a qualidade de vida da gestante.

Ultrassonografia

A ultrassonografia é um exame de imagem que possibilita a observação em tempo real do bebê no útero para avaliar a sua saúde e como ele está se desenvolvendo. Através dela, é possível datar a idade gestacional e determinar a quantidade de fetos. Caso haja diagnóstico de gêmeos, é possível determinar o tipo de gestação gemelar. São elas:

No geral, são quatro os ultrassons indicados durante a gravidez, cada um importante para determinada fase. São eles:

Benefícios do pré-natal

O acompanhamento pré-natal é essencial para garantir um parto saudável e sem complicações, além de orientar as futuras mães sobre temas importantes referentes à maternidade, como a amamentação. Outros benefícios incluem:

"O pré-natal é capaz de detectar um grande número de patologias congênitas e anomalias do desenvolvimento, podendo levar a uma melhora na capacidade terapêutica e, por conseguinte, a uma mudança no manejo obstétrico", explica Fábio Broner, médico ginecologista do Hospital Albert Sabin de São Paulo (HAS).

Ademais, o acompanhamento também permite a detecção de doenças já existentes no organismo da mãe, mas que evoluem de forma silenciosa, como:

Pré-natal psicológico

O pré-natal psicológico (PNP) se propõe acompanhar e preparar a gestante psicologicamente durante esse período com o objetivo de prevenir situações adversas decorrentes na gravidez - como a depressão pós-parto, por exemplo.

A gravidez é marcada por transformações físicas, emocionais e sociais na vida da gestante. Então, é comum que a futura mãe seja bombardeada de sentimentos e emoções diferentes ao mesmo tempo, como alegria, medo, insegurança e ansiedade.

Um acompanhamento psicológico pode ajudá-la a entender como lidar com as mudanças gestacionais e com possíveis medos que tenha, especialmente de mulheres com perdas gestacionais anteriores e doenças preexistentes.

Embora algumas mães tenham gestações tranquilas e sem maiores problemas, essa não é uma regra. Segundo um estudo de 2018 do Coren (Conselho Regional de Enfermagem), cerca de 10% das mulheres brasileiras sofrem de depressão pré-natal.

"Durante a gravidez, a mulher tem inúmeras preocupações, mas a depressão vem, na maioria das vezes, para aquelas que já passaram por um quadro de sintomas depressivos ou que têm tendências ao problema", explicou a psiquiatra Florence Karr Correa, da Unesp, em entrevista prévia ao Minha Vida.

Outras condições externas também podem afetar psicologicamente a gestante, como no caso de uma gravidez indesejada ou inesperada, problemas financeiros ou a falta de apoio da família.

Entre os principais benefícios do pré-natal psicológico, é possível destacar:

Leia também: Dicas para conseguir uma amamentação mais tranquila

Como funciona o pré-natal de gêmeos?

Devido às maiores complicações da gemelaridade, como abortamento, malformações e mortalidade, pressupõe-se a necessidade de um acompanhamento pré-natal intensificado, segundo Broner. Porém, o especialista ressalta que não há um protocolo definido para acompanhamento da gestação gemelar.

"Os fatores relevantes para um bom acompanhamento pré-natal são diagnóstico precoce da gemelaridade, determinação da idade gestacional e data provável do parto, assim como determinar se a paciente possui uma ou duas placentas e uma ou duas bolsas amnióticas", aponta.

Como rotina, são recomendadas consultas mensais até a 26° semana, quinzenais até a 33° semana e pelo menos semanais a partir da 34° semana de gestação - uma vez que, segundo o ginecologista e obstetra Cláudio Basbaum em artigo escrito ao Minha Vida, 50% dos gêmeos nascem com prematuridade, antes de 34 semanas.

"O obstetra deve estar ciente dos riscos e das patologias possíveis de serem desenvolvidas. A paciente deve ser orientada sobre o risco de prematuridade para que, em casos de contrações precoces, procure avaliação médica", acrescenta Fábio Broner.

Leia mais: Pré-natal de gêmeos: quais são os cuidados e exames necessários?

Administração de medicamentos

O uso de medicações é avaliado de acordo com os sintomas da gestação e os resultados de exames. Segundo a ginecologista Sofia de Mota Paiva, recomenda-se suplementar com ácido fólico no início da gestação, vitamina importante para evitar malformações neurológicas, DHA na prevenção do parto prematuro, e ferro na segunda metade da gestação para evitar anemia.

"Pode ser necessária suplementação de vitamina D, além de AAS em mulheres com alto risco de pré-eclâmpsia ou restrição de crescimento fetal", completa a especialista.

Ademais, mulheres com risco de parto prematuro podem necessitar também do uso de progesterona.

A idade da gestante influencia no pré-natal?

De acordo com Fábio Broner, as gestações nos extremos da idade reprodutiva apresentam piores desfechos perinatais. Entre as mais jovens, abaixo dos quinze anos, os riscos de complicações maternas e fetais incluem, segundo Sofia:

Já nas mulheres mais velhas, a especialista destaca:

"Além disso, após os 35 anos, (as gestantes) podem apresentar com maior frequência doenças crônicas, estando mais propensas a desenvolverem condições que podem afetar o sucesso da gestação", finaliza Broner.

Referências

Karen Rocha De Pauw, médica ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana.

Sofia da Mota Paiva, ginecologista, CRM 1002732.

Fabio Broner, médico ginecologista do Hospital Albert Sabin de São Paulo (HAS).