Vacina: o que é, tipos, reações, importância e calendário

Entenda a diferença entre os imunizantes e veja o calendário de vacinação brasileiro

O que é vacina

Vacina é uma substância produzida e aplicada ao corpo para que o sistema imunológico tenha uma resposta de proteção contra um agente patógeno que possa vir a agredir o organismo, como vírus e bactérias.

Há diferentes tipos de vacina, como as que usam pedaços de vírus em sua composição, vírus inativados, ou mesmo as inovadoras vacinas de RNA mensageiro, que carregam o material genético do patógeno para provocar uma reação do corpo.

Existem também variadas formas de aplicação das vacinas, sendo aplicações com reforços ou doses únicas, dependendo da formulação do imunizante.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Qual é a importância da vacinação?

A vacinação é uma estratégia de prevenção para doenças ou para minimizar os efeitos que uma patologia pode ter no organismo.

A aplicação de vacinas na população também é fundamental para o controle da transmissão e erradicação de doenças por infecção, como é o caso do sarampo, poliomielite, gripe, meningite, febre amarela, hepatite B entre outras patologias.

"As vacinas são uma das poucas estratégias que mudam a história da humanidade. Você recebe um produto em uma ou outras doses e tem proteção contra uma doença que pode tirar a sua vida (como é o caso da meningite), comprometer muito a qualidade de vida, (como o herpes), ou mesmo o funcionamento da sociedade (caso da gripe). A poliomielite e o sarampo apresentam elevada gravidade para algumas pessoas e também podem ser prevenidos com vacinas", explica a alergista e imunologista Ana Paula Castro, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Como são feitas as vacinas?

De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI), a elaboração de uma vacina consiste em quatro etapas. São elas:

1. Identificação do antígeno

A primeira etapa da produção de uma vacina é a identificação de um antígeno - estrutura proteica do agente patógeno que permite uma resposta do sistema imunológico.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

Por exemplo: no caso do SARS-CoV-2, o vírus causador da COVID-19, a proteína spike, estrutura proteica localizada na superfície do coronavírus, é o principal antígeno estudado para o desenvolvimento das vacinas.

2. Formulação vacinal

A segunda etapa da produção é a elaboração da fórmula vacinal a partir dos antígenos selecionados na primeira etapa, buscando uma resposta imune eficiente.

NÃO PARE AGORA... TEM MAIS DEPOIS DA PUBLICIDADE ;)

3.Testes pré-clínicos de imunogenicidade, eficácia e segurança

Após a elaboração da fórmula da vacina, é preciso testá-la. O primeiro passo é fazer testes em animais de laboratório para estabelecer quantas doses são necessárias para a imunização, assim como o número e intervalo entre doses para que se tenha uma resposta de anticorpos e de linfócitos específicos.

Posteriormente, antes de os testes serem realizados em humanos, é verificada a farmacocinética - a atividade da vacina no organismo -, seus efeitos toxicológicos e segurança de diferentes doses em pelo menos dois animais variados (normalmente camundongos, ratos ou coelhos).

4.Testes clínicos

Posteriormente, são realizados os testes clínicos em humanos - que são divididos em três etapas.

Se as três fases dos testes clínicos ocorrerem sem problemas graves, a vacina é, então, liberada para ser aplicada na população.

Tipos de vacinas

Existem diferentes tipos de vacina desenvolvidas e em desenvolvimento atualmente. Elas podem ser classificadas em vacinas de primeira, segunda e terceira geração. Confira as diferenças entre elas:

Vacinas de primeira geração

As vacinas de primeira geração utilizam o agente patógeno inativado ou atenuado em sua fórmula. De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia, a vacina de microrganismos inativados é o tipo mais tradicional de imunizante e é considerada a mais segura. Porém, induz uma resposta de curta duração.

Vacinas de raiva, da gripe (influenza) e da poliomielite (Salk), por exemplo, utilizam esse tipo de tecnologia de inativação do vírus para ativarem o sistema imunológico contra as respectivas doenças.

Já as vacinas de microrganismos atenuados costumam induzir resposta imunológica de longa duração com doses únicas. Utilizam a tecnologia de atenuação do vírus as vacinas de tuberculose (BCG), febre amarela, caxumba, sarampo e poliomielite (Sabin).

Atualmente, duas vacinas para COVID-19 são de primeira geração: a Coronavac e Sinopharm, uma vez que ambas utilizam tecnologia de inativação do SARS-CoV-2.

Vacinas de segunda geração

As vacinas de segunda geração são as que utilizam fragmentos do agente patógeno. Esses pedaços são obtidos por meio de processos bioquímicos ou tecnologia recombinante. Alguns exemplos de vacinas que usam fragmento de microrganismos são as de meningite (conjugadas), tétano (toxinas inativadas), malária (VLP), papiloma (VLP) e hepatite (proteína recombinante).

Outro tipo de vacina que pertence a este grupo são as fórmulas que contêm vetores virais, vírus manipulados geneticamente sem capacidade de replicação e que expressam o antígeno do patógeno.

Por exemplo: no caso da COVID-19, foram usados adenovírus não replicantes para formulações de algumas vacinas. Esses adenovírus foram modificados geneticamente para serem capazes de invadir células hospedeiras do corpo e, assim, expressar suas proteínas, incluindo a proteína spike do SARS-CoV-2.

O adenovírus, porém, não tem o poder de replicar a proteína spike, por isso não infecta novas células do corpo. Essa tecnologia de vetor vacinal é inovadora e tem sido usada em fórmulas como a vacina CanSino e a vacina Sputinik V.

Vacinas de terceira geração

As vacinas de terceira geração são as fórmulas com o uso de material genético. É o caso da vacina de RNA mensageiro. Inovadoras, essas vacinas apresentam baixo custo de investimento e são usadas sem grandes dificuldades por profissionais de saúde.

O princípio desse tipo de vacina é usar o mecanismo de produção proteica do RNA mensageiro para sintetizar o antígeno necessário.

"As vacinas de RNA mensageiro utilizam um pequeno fragmento do código genético do vírus envolto em camada lipídica, formando nanopartículas que são injetadas. Isso não é capaz de causar uma infecção, mas pode ser suficiente para que as células, ao absorver esse código genético, passem a produzir uma proteína que existe na superfície do vírus para gerar, então, uma resposta do sistema imunológico", explica o infectologia João Prats, da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Até o momento, não há vacinas que utilizam a técnica de RNA mensageiro, sendo as de COVID-19 as primeiras do mundo a se valerem da tecnologia. Entre os imunizantes que utilizam RNA mensageiro, destacam-se a fórmula da vacina da Moderna e a vacina da Pfizer/Biotech.

Vacina de dose única e reforços: diferença

Algumas vacinas são aplicadas uma única vez no corpo humano - as vacinas de dose única. Há, ainda, vacinas que precisam de reforços ao longo do tempo. É importante entender que vacinas com reforços não se tratam de vacinas com doses parceladas da fórmula vacinal.

"Para que as vacinas tenham a respostas de eficácia, elas precisam de alguns ajustes, reforços. Não existem doses parceladas, mas pequenos reforços. Muitas doenças são muito mais graves nos primeiros meses de vida, época em que o sistema imunológico não é tão bom - por isso os reforços", diz Ana Paula Castro.

Soro e vacina: diferença

Vacina e soro imunológico são dois produtos capazes de atuar como imunizadores, porém há diferenças entre as substâncias. Segundo a alergista e imunologista Ana Paula Castro, a vacina é uma forma de oferecer ao organismo uma resposta duradoura e em longo prazo.

O soro, por outro lado, tem efeito instantâneo e temporário no corpo. Além disso, trata-se de uma imunização passiva, já que anticorpos são fornecidos ao organismo após o contato com o agente patógeno.

Reação a uma vacina

A aplicação de vacinas costuma trazer algumas reações do corpo. A forma como o organismo reage depende de cada vacina e, claro, de cada pessoa. De uma forma geral, febre e dor local são as reações mais frequentes. Existem ainda pessoas que apresentam reações alérgicas a um dos componentes da fórmula vacinal.

Há ainda quem sofra com desmaio durante a aplicação da vacina. "Algumas pessoas têm medo de agulha e, em ambiente fechado, ao receberem uma picada de agulha, sofrem uma descarga vasovagal, uma alteração da pressão que leva a uma hipotensão e desmaio. É uma reação não pela vacina, mas pelo medo", afirma Ana Paula Castro.

Vale lembrar, entretanto, que embora uma pessoa apresente essas reações, as vacinas só são aplicadas em larga escala na população quando são aprovadas por agências sanitárias e têm sua segurança garantida. Por isso, mesmo com reações como febre, desmaio ou manifestações alérgicas, as vacinas são seguras.

Contraindicação de vacina

As especificações sobre contraindicação dependem de cada vacina. Mulheres grávidas podem tomar uma série de vacinas, como a da gripe e do tétano, mas devem evitar as atenuadas, como a da rubéola e do sarampo.

É possível tomar uma vacina atrasada?

A aplicação de vacinas segue um calendário vacinal (veja abaixo). Porém, mesmo que você não tenha conseguido seguir à risca as datas, é possível tomar uma vacina atrasada.

"Existe um programa de resgate, chamado catch up: se a pessoa não tomou uma vacina, ela pode tomá-la posteriormente. A única coisa que precisa é de orientação, porque para a faixa etária adulta é uma vacina e para a pediátrica, outra", explica a alergista e imunologista Ana Paula Castro.

Sobre adiantar vacinas, isso não é comum, pois o sistema imunológico pode não estar preparado para responder. Entretanto, algumas situações podem pedir que vacinas sejam adiantadas, como epidemias.

"Um exemplo é o sarampo. Dependendo do momento epidemiológico, a vacina que era aplicada aos 12 meses de idade (quando há uma resposta melhor), pode ser adiantada em época de epidemia", diz Ana Paula.

Calendário de vacinação

Conheça o calendário de vacinação brasileiro:

Vacinas no nascimento

Vacinas aos 2 meses

Vacinas aos 3 meses

Vacinas aos 4 meses

Vacinas aos 5 meses

Vacinas aos 6 meses

Vacinas aos 9 meses

Vacinas de 1 ano

Vacinas aos 15 meses

Vacinas aos 4 anos

Vacinas aos 9 anos até 14 anos

Meninas e meninos entre 9 e 14 anos devem tomar duas doses da vacina contra o HPV (papiloma, vírus humano que causa cânceres e verrugas genitais) num intervalo de seis meses entre cada dose.

Calendário de Vacinação do Adolescente (10 a 19 anos)

Calendário de Vacinação do Adulto (20 a 59 anos)

Calendário de Vacinação do Idoso (60 anos e mais)

Calendário de Vacinação da Gestante

Referência

Ana Paula Castro, alergista e imunologista do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - CRM: 69748/SP

João Antonio Gonçalves Garreta Prats, infectologista BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo - CRM: 155.732

Sociedade Brasileira de Imunologia

Faculdade de Ciências Médicas - Unicamp