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Brasileiro começa a fumar cada vez mais cedo

Pesquisa revela que jovens brasileiras começam a fumar antes dos 15 anos

De acordo com um novo estudo publicado pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer), a geração de brasileiros nascida a partir da década de 80, começou a fumar, em média, aos 17 anos. A Pesquisa Especial de Tabagismo (PETab) mostra também que no Nordeste e no Centro-Oeste, a proporção de jovens que começa a fumar antes dos 15 anos é maior do que nas outras regiões. Além disso, revela ainda que a proporção de jovens do sexo feminino que começa a fumar antes dos 15 anos de idade é 22% maior do que a dos homens, em todas as regiões do país. A análise dos dados faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD 2008), do IBGE, e tem por objetivo fornecer informações para subsidiar a política nacional de controle do cigarro.

O questionário foi realizado em 51.011 domicílios brasileiros, onde foram entrevistados, fumantes, não fumantes e ex-fumantes. Até o momento esta é a pesquisa mais abrangente a respeito do tema e também foi realizada em outros países, e ratificada por 168 países membros da Organização Mundial de Saúde. Internacionalmente, é conhecida como Global Adult Tobacco Survey (Pesquisa Global de Tabagismo).

O estudo mostra que os jovens são mais sensíveis à propaganda pró-tabaco do que os adultos, além de serem a parcela da população que menos procurou algum tipo de ajuda ou tratamento para deixar de fumar, apesar de 48% terem relatado que já fizeram pelo menos uma tentativa no último ano. Outro motivo de atenção entre os jovens é que os homens fumam 2,5 vezes mais do que as mulheres. Entre outras faixas da população esta diferença é menor, pois segundo os dados, as mulheres param de fumar em uma proporção duas vezes maior que os homens. Contudo, 45,6% dos fumantes tentaram parar de fumar nos últimos 12 meses, o que corresponde a cerca de 12 milhões de pessoas.

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Segundo Paulo de Biasi, cirurgião torácico e diretor do Hospital do Câncer I, o tabagismo é a principal causa de tumores malignos evitáveis. "Se as pessoas não fumassem ou parassem de fumar isso evitaria dezenas de tipos de câncer, entre eles, os de pulmão, estômago, bexiga e colo do útero", afirma o especialista.

Juventude em foco

De acordo com os resultados, o nível de dependência severa de nicotina dos jovens foi 50% menor do que a dos adultos. Grau que foi medido através do cruzamento de duas perguntas sobre: o número de cigarros consumidos por dia e intervalo que a pessoa Lea para acender o primeiro cigarro ao acordar. O ministério da Saúde ressalta que a pesquisa levanta a necessidade de explorar melhor ações de controle do tabagismo entre a população de 15 a 24 anos, através de campanhas em rádio e TV direcionadas a este público.

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Tabaco e economia

Além de causar doenças fatais como enfisema e câncer, o cigarro também pode ter impacto no orçamento doméstico. De acordo com a pesquisa o gasto mensal de um casal de fumantes entre 45 e 64 anos, residente no Sudeste do país, gira em torno de R$128,60. Por ano, a despesa pode chegar a R$1543,20, o suficiente para comprar uma TV de LCD de 32 polegadas, um computador ou uma geladeira. Além disso, os dados também revelaram que o gasto médio para fumantes a partir de 15 anos é de R$55,50 por mês. Mesmo com a diminuição do consumo de cigarro nas últimas décadas, o número de fumantes no Brasil com idade igual ou superior a 15 anos ainda é de cerca de 25 milhões. Segundo o Banco Mundial e o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, tabaco e pobreza formam um ciclo vicioso que atrapalha o desenvolvimento dos países. A maior incidência de fumantes foi identificada entre pessoas de menor instrução (25,7%) e de menor renda (21,3%).

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Fumo passivo

As conclusões da pesquisa determinam, por exemplo, ações de combate ao fumo passivo. Os dados apontaram que uma em cada cinco pessoas foi exposta à fumaça do cigarro em locais públicos, o que corresponde a 22 milhões de não fumantes."É preciso que a legislação em vigor, que ainda permite fumódromos, seja alterada para impedir 100% o uso de produtos do tabaco que emitem fumaça em ambientes coletivos e fechados", alerta Liz Maria de Almeida, gerente de Divisão de Epidemiologia do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

A pesquisa ainda diz que entre o total de pessoas com 15 anos ou mais, 96,1% declararam acreditar que fumar poderia causar doenças graves, além da percepção da relação entre o uso de tabaco e a incidência de câncer de pulmão nelas e em outras pessoas. Biasi conclui que, "Quanto mais cedo, uma pessoa é exposta ao cigarro em ambientes com fumantes, maior a possibilidade de vir a desenvolver câncer na vida adulta".

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