Vacina contra HPV reduz riscos de câncer anal

Pesquisa revela que as chances de infecção são até 89% menores

A vacina rotineiramente empregada na prevenção do câncer de colo do útero, causado pelo vírus do HPV, também reduz os riscos de câncer anal entre as mulheres, afirma um estudo desenvolvido pela Escola de Medicina da Universidade do Missouri (EUA) e publicado na revista científica The Lancet Oncology.

A pesquisa foi realizada com 4.210 mulheres saudáveis da Costa Rica, com idades entre 18 e 25 anos, imunizadas aleatoriamente com a vacina Cervarix contra o HPV e uma vacina contra a hepatite para comparação.

Quatro anos depois, essas mulheres foram submetidas a testes de infecção cervical e anal para os subtipos do HPV relacionados ao câncer. Ao final da análise, os pesquisadores notaram que as mulheres que tomaram Cervarix apresentaram um risco 76% menor de desenvolver infecção cervical e 62% menor de infecção anal quando comparadas a aquelas que tomaram apenas a vacina contra hepatite.

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A proteção foi ainda maior em um subgrupo de mulheres com menos chances de terem sido expostas ao HPV. Neste grupo, a vacina demonstrou ser quase 89% eficaz na proteção contra a infecção cervical para os subtipos de HPV e quase 84% contra as infecções anais.

Embora o câncer anal seja raro - segundo algumas estimativas, a ocorrência é de apenas dois casos em cem mil pessoas ao ano na população mundial -, as mulheres são duas vezes mais propensas a ter a doença do que os homens.

A razão para esta incidência maior é desconhecida, embora a relação anal passiva possa ser um fator.

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Saiba como prevenir e tratar o HPV

O Human Papillomavirus, popularmente conhecido como HPV, é um vírus que provoca lesões de pele e mucosa tanto em homens como em mulheres. Os sintomas mais comuns são o aparecimento de verrugas na vagina, pênis e ânus. Mas em boa parte das vezes, a infecção por HPV aparece de maneira assintomática e as lesões - neste caso chamadas de subclínicas - podem passar despercebidas ao exame de rotina.

Portanto, atenção redobrada. O professor do Departamento de Urologia da Santa Casa de São Paulo, Julio José Máximo de Carvalho, explica que são mais de 150 tipos de HPV existentes.

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O que torna essa infecção ainda mais séria é que alguns desses vírus têm relação íntima com o desenvolvimento do câncer de colo de útero. "98% dos casos de câncer de colo de útero estão relacionados com a presença dos vírus HPV tipos 16 e 18", afirma Carvalho.

Ele estima que cerca de 30% das mulheres está atualmente contaminada por um dos tipos de vírus HPV. A boa notícia é que apenas 4% delas desenvolvem câncer de colo de útero. O especialista explica também que, na maioria dos casos, as lesões causadas são transitórias e combatidas espontaneamente pelo sistema imune, sem maiores danos ao organismo.

Mesmo assim, é muito importante realizar o diagnóstico de maneira precoce. "Além do exame de Papanicolau, capaz de identificar a presença de células cancerosas, é também importante a realização periódica da Genitoscopia. Trata-se de um exame onde o médico verifica microscopicamente a existência de lesões no colo do útero e nos genitais", explica.

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Além disso, o especialista recomenda que homens e mulheres adquiram o hábito de fazer o autoexame para verificar a presença de alguma lesão desconhecida na região da vagina ou pênis. "Porém, a partir do momento em que a infecção está instalada, é imprescindível combater as lesões, mesmo aquelas não visíveis a olho nu", afirma.

Segundo ele, os tratamentos são diversos e dependem do caso. Para a eliminação das verrugas, geralmente é usado o método da cauterização química ou elétrica. Em outras situações, pode ser recomendado o uso de cremes e medicamentos via oral que têm ação imunológica protetora das células.

É possível prevenir?

Como o HPV geralmente é transmitido através da relação sexual, o uso do preservativo diminui consideravelmente a possibilidade de transmissão do vírus, apesar de não evitá-la totalmente. Por isso, usar camisinha é recomendado inclusive entre parceiros casados.

O urologista aconselha, ainda, evitar o tabagismo e o uso de drogas que podem interferir negativamente no sistema imunológico, facilitando a infecção por HPV. A multiplicidade de parceiros sexuais também favorece a transmissão do vírus.

Por fim, é importante lembrar que já existem vacinas contra o HPV capazes de proteger dos tipos de vírus mais presentes no câncer de colo de útero. Mas, por enquanto, essas vacinas não estão disponíveis na rede pública de saúde brasileira. Sua inclusão no Programa Nacional de Imunização (PNI) ainda está sendo estudada pelo Ministério da Saúde.