Fibrilação Atrial: sintomas, tratamentos e causas

REVISADO POR
Dr. Nilton Jose Carneiro da Silva
Cardiologia - CRM 107737/SP
especialista minha vida

Visão Geral

O que é Fibrilação Atrial?

A fibrilação atrial é um tipo comum de arritmia cardíaca, no qual o ritmo dos batimentos cardíacos é, em geral, rápido e irregular.

Tipos

Paroxística

Fibrilação atrial que dura de poucos segundos a alguns dias e, então, para por si só.

Persistente

É o tipo de fibrilação atrial que não para espontaneamente, mas que poderá ser interrompida se for corretamente tratada.

Permanente

Esse tipo de fibrilação atrial está presente em todos os momentos e nem sempre há necessidade médica de revertê-la.

Causas

A fibrilação atrial ocorre quando as câmaras superiores do coração, chamadas de átrios, não se contraem em um ritmo sincronizado, e tremulam ou “fibrilam”. Isso significa que elas batem de forma mais rápida e irregular que o normal. Assim, o sangue não é bombeado de forma eficiente para o resto do corpo, o que pode levar a sintomas de fraqueza e fadiga ou sensações cardíacas desconfortáveis como um batimento cardíaco rápido ou irregular.

As causas de fibrilação atrial nem sempre são esclarecidas. Em alguns casos, as causas da fibrilação atrial são uma anormalidade cardíaca de nascimento ou danos à estrutura do coração devido a um ataque cardíaco (infarto) ou problema em alguma válvula cardíaca. No entanto, pessoas com coração normal também podem desenvolver fibrilação atrial.

Outras causas da fibrilação atrial podem ser a síndrome do no sinusal e mais raramente algumas infecções virais também.

Fatores de risco

Certos fatores podem aumentar o risco de desenvolver fibrilação atrial. Estes incluem:

Idade

Quanto mais velha uma pessoa é, maior o risco de ela desenvolver fibrilação atrial.

Doença cardíaca

Qualquer pessoa com doença cardíaca - como problemas cardíacos de válvulas, cardiopatias congênitas, insuficiência cardíaca congestiva, doença arterial coronariana, ou histórico de ataque cardíaco ou cirurgia cardíaca - tem um risco aumentado de fibrilação atrial.

Hipertensão

A pressão arterial elevada, especialmente se não for bem controlada com mudanças no estilo de vida ou medicamentos, pode aumentar o risco de fibrilação atrial.

Outras condições crônicas

Pessoas com certas doenças crônicas, como distúrbios na tireoide, apneia do sono, síndrome metabólica, diabetes, insuficiência renal crônica ou doença pulmonar, têm um risco aumentado de fibrilação atrial.

Consumo de álcool

Para algumas pessoas, o consumo de álcool pode desencadear um episódio de fibrilação atrial.

Obesidade

As pessoas com obesidade estão em maior risco de desenvolver fibrilação atrial.

Histórico familiar

Um risco aumentado de fibrilação atrial está presente em algumas famílias.

Sintomas

Sintomas de Fibrilação Atrial

Um coração com fibrilação atrial não bate de forma eficiente e pode não ser capaz de bombear sangue suficiente para o corpo durante os batimentos cardíacos.

Algumas pessoas com fibrilação atrial não têm sintomas e não sabem de sua condição até que seja descoberto durante um exame físico ou realização de eletrocardiograma. Quando surgem, os sintomas mais prováveis são:

Diagnóstico e Exames

Buscando ajuda médica

Se você tiver quaisquer destes sintomas, principalmente palpitações, marque uma consulta com o seu médico. Ele poderá solicitar alguns exames específicos para determinar se os sintomas estão relacionados com a fibrilação atrial ou com outro distúrbio do ritmo cardíaco. Se você tiver dor no peito, procure assistência médica de emergência imediatamente. Dor no peito pode ser um sinal de ataque cardíaco

Na consulta médica

Entre as especialidades que podem diagnosticar fibrilação atrial estão:

  • Clínica médica
  • Cardiologia
  • Arritmologia.

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade. Se tiver eletrocardiograma antigo, leve na consulta.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Você sente dores? Onde?
  • Quando os sintomas surgiram?
  • Os sintomas são ocasionais ou frequentes?
  • Qual a intensidade dos sintomas?
  • Você já foi diagnosticado com alguma outra doença cardíaca?
  • Você tomou alguma medida para aliviar os sintomas?
  • Você toma algum tipo de medicamento? Para que condição médica?

Diagnóstico de Fibrilação Atrial

O profissional de saúde consegue perceber batimento cardíaco acelerado ao escutar o coração do paciente com um estetoscópio. Pode ser que seu pulso esteja acelerado, irregular ou ambos.

O ritmo cardíaco normal é de 60 a 100 batimentos por minuto (bpm), mas com a fibrilação atrial este ritmo pode subir para 100 até 175bpm. Em alguns casos, ele também pode apresentar frequência cardíaca demasiadamente baixa.

A pressão sanguínea pode ser normal ou baixa nesses casos.

Um eletrocardiograma é geralmente o exame mais utilizado para indicar a atividade elétrica do coração, capaz, portanto, de notar fibrilação atrial. Talvez seja necessário utilizar um monitor especial que marque seu ritmo cardíaco se o ritmo cardíaco anormal é intermitente, existindo o Holter (24h), o Holter de 7 dias e o Looep Recorder (que o paciente ativa para registrar o ritmo na hora do sintoma.

Exames para detectar uma doença cardíaca podem incluir:

  • Teste de esforço
  • Ecocardiograma. Exame que utiliza ondas sonoras para criar uma imagem em movimento do coração
  • Coronariografia. Teste para examinar melhor os vasos sanguíneos que fornecem sangue ao músculo cardíaco
  • Estudo eletrofisiológico. Teste para examinar o sistema elétrico cardíaco
  • Raio-X do tórax
  • Exames de sangue
  • Ecocardiograma.

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Fibrilação Atrial

Em alguns casos, a fibrilação atrial pode necessitar de tratamento emergencial em um hospital para voltar ao ritmo cardíaco ao normal. Este tratamento pode envolver choques elétricos ou medicamentos especiais. As técnicas mais utilizadas e indicadas de tratamento incluem:

  • Medicamentos diários prescritos por médicos são usados com dois objetivos distintos: desacelerar o batimento irregular e impedir que a fibrilação atrial volte
  • Remédios anticoagulantes para impedir a formação de coágulos sanguíneos
  • Cardioversão elétrica quando um choque elétrico é dado no coração durante anestesia ou química: por meio de medicação para restabelecer um ritmo cardíaco anormal
  • Ablação por cateter para eliminar rotas elétricas anormais no tecido cardíaco (controle por mais tempo do que com as medicações)
  • Marca-passos e desfibriladores para se detectar e tratar a fibrilação atrial de forma precoce e impedir sua reincidência
  • Ablação cirúrgica minimamente invasiva ou de peito aberto (em conjunção com outra cirurgia cardíaca) para criar lesões que bloqueiem os circuitos elétricos anormais que causam a fibrilação atrial (menos utilizada, já que é uma cirurgia de maior porte).

Medicamentos para Fibrilação Atrial

Os medicamentos mais usados para o tratamento de fibrilação atrial são:

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Convivendo (prognóstico)

Convivendo/ Prognóstico

Um paciente diagnosticado com fibrilação atrial pode precisar fazer mudanças no estilo de vida que melhoram a saúde geral do seu coração, especialmente para prevenir ou tratar doenças como a pressão arterial alta e doenças cardíacas. O médico pode sugerir várias mudanças de estilo de vida, incluindo:

  • Seguir uma dieta saudável para o coração, pobre em sal e gorduras e rica em frutas, vegetais e grãos integrais
  • Exercitar-se regularmente, de preferência todos os dias
  • Parar de fumar
  • Manter um peso saudável
  • Manter a pressão arterial e os níveis de colesterol sob controle. Fazer mudanças de estilo de vida e tomar medicamentos prescritos para corrigir a pressão arterial elevada (hipertensão) ou colesterol alto
  • Beber álcool com moderação ou evitar
  • Manter cuidados de acompanhamento. Tomar o medicamento receitado pelo médico e fazer visitas regulares ao consultório médico é essencial para o tratamento da fibrilação atrial.

Complicações possíveis

A fibrilação atrial, se não tratada, pode levar a complicações graves de saúde, resultando inclusive na morte do indivíduo. Veja:

  • Desmaio (síncope), em caso de a fibrilação atrial mantiver o pulso muito rápido ou muito lento
  • Insuficiência cardíaca
  • Derrame (AVC), em caso de os coágulos sanguíneos se soltarem e viajarem para o cérebro.

Prevenção

Prevenção

Para prevenir a fibrilação atrial, é importante adotar um estilo de vida saudável para o coração e, assim, reduzir o risco de doença cardíaca. Um estilo de vida saudável pode incluir:

  • Comer uma dieta saudável para o coração
  • Aumentar sua atividade física
  • Evitar fumar
  • Manter um peso saudável
  • Limitar ou evitar cafeína e álcool
  • Reduzir o estresse, como estresse e raiva intensa pode causar problemas de ritmo cardíaco.

Fontes e referências

  • Revisado por: Dr. Nilton Carneiro, cardiologista – CRM: 107737
  • Ministério da Saúde
  • Sociedade Brasileira de Cardiologia
  • Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro – SOCERJ
  • Incor - Instituto do Coração
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