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Psicanálise: o que é, para que serve e conceitos

A psicanálise é a técnica criada por Freud que visa a interpretação e entendimento do inconsciente por meio da conversa

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O que é psicanálise?

A psicanálise é um campo de investigação teórica da mente humana, com foco no seu entendimento. Ela parte do princípio de que muitos processos psíquicos são inconscientes, fazendo o indivíduo se enxergar de outra maneira. É um método desenvolvido pelo médico austríaco Sigmund Freud, no final do século 19, para tratar do sofrimento psíquico pela via da palavra.

Por meio da psicanálise, se busca a origem dos sintomas mentais e emocionais e dos comportamentos. Para atingir esse objetivo, é necessário vencer a resistência do indivíduo, de modo que ele entre em contato com seu inconsciente.

"Diferente de muito do que a ciência moderna propõe, que considera científico a possibilidade de replicar um resultado em diferentes pessoas, a psicanálise propõe tratar a partir das particularidades e singularidades de cada um", explica a psicanalista Ana Suy.

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Por isso, a psicanálise é uma jornada pessoal, que leva diferentes pessoas a diferentes caminhos. Entretanto, ela não é uma experiência que interessa a todos e costuma ser mais eficaz para aqueles que fazem de si e de sua relação com a vida um enigma, e desejam saber mais sobre isso.

Diferença entre psicanálise e psicoterapia

Segundo a psicanalista Araceli Albino, psicanálise não é o mesmo que psicoterapia. Isso porque terapia envolve a aplicação de um meio para promover a cura (seja física, mental ou emocional). Assim, a psicoterapia é um processo de tratamento por métodos psicológicos, que visa o tratamento de doenças ou desequilíbrios ligados ao sistema psíquico.

O método pode utilizar testes psicológicos, técnicas comportamentais, cognitivas, gestálticas ou existencialistas. Todos são voltados para o comportamento do sujeito que está enfrentando algum conflito ou sofrendo com algum sintoma.

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A psicanálise, por outro lado, é um processo analítico, em que não se aplica nenhum instrumento além da palavra. Para ela, existe uma teoria específica, que é a do inconsciente, e seu método de investigação é o da associação livre, que consiste em conversar com o analista sobre vários assuntos ou temas sem nenhuma censura, investigando memórias e experiências da infância.

Para que serve a psicanálise

A psicanálise é eficaz para tratar sintomas psíquicos, advindos das afecções psicológicas, como depressão, síndrome de pânico, conflitos internos e angústia, e daquilo que se chama de doenças psicossomáticas e mentais.

A condição para o tratamento psicanalítico é o sujeito desejar entender as repetições desagradáveis que ocorrem na sua vida - aquelas das quais a pessoa quer se livrar e não consegue. O método, então, ajuda o indivíduo a encontrar as raízes do problema e, a partir daí, iniciar um processo de mudança, como aponta Araceli Albino.

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"Ninguém quer sofrer, mas não se pode mudar o que se desconhece. Dessa forma, é necessário procurar ajuda de um profissional da área psíquica para isto e a psicanálise é indicada", afirma a especialista.

Tipos de psicanálise

Desde sua concepção, a psicanálise passou a ser estudada e destrinchada em diferentes abordagens, recebendo novas perspectivas a partir da base criada originalmente por Freud. Assim, é possível dizer que o método possui alguns subtipos, de acordo com a linha teórica desenvolvida por outros estudiosos, como:

Psicanálise freudiana

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A corrente freudiana da psicanálise segue literalmente a teoria, o método e a técnica propostos por Freud. Nas sessões de cinquenta minutos, são trabalhados os métodos da associação livre e a interpretação dos sonhos, chistes, atos falhos e lapsos. Esta linha interpreta também os sintomas que são as manifestações do inconsciente.

A técnica segue o chamado tripé: interpretação, transferência (reprodução do inconsciente com nossos modelos infantis internalizados) e resistência. A aplicação clínica se dá pela articulação e interpretação do inconsciente para, posteriormente, o paciente elaborar o conteúdo descoberto sobre si mesmo por meio da relação com o analista.

Psicanálise kleiniana

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Outra grande corrente da psicanálise é a inglesa, sendo Melanie Klein a maior representante. Ela segue os preceitos freudianos, mas deixa a sua marca original que foi a criação da Psicanálise da Criança.

Nesta escola, o manejo clínico terá a sua característica própria, enfatizando as representações mais primitivas dos sujeitos, principalmente a agressividade. Essa abordagem se dá pela articulação dos sentimentos de amor, ódio e reparação.

Os analistas desta escola tendem a trabalhar focando nos aspectos entre o "seio bom" e "seio mau" (conceitos kleinianos), a inveja e a gratidão. A técnica aplicada também segue o tripé proposto por Freud.

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Psicanálise lacaniana

A escola francesa da psicanálise foi criada por Jacques Lacan e teve grande importância para o campo. Em um primeiro momento, ele fez uma volta à Freud e, mais tarde, se diferenciou criando a escola lacaniana. Nela, são desenvolvidos novos conceitos, com um manejo clínico que tem como ponto forte o que ele denomina de tempo lógico.

O termo diz respeito ao tempo do inconsciente, no qual o analista faz um "corte" na sessão. Este manejo é mal compreendido por pessoas que desconhecem a técnica, pois acham que o analista interrompe a sessão - que, geralmente, é de 50 minutos.

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Psicanálise vincular

Outra abordagem da psicanálise é a latino-americana, chamada de psicanálise vincular - que cria um processo que enfatiza muito o vínculo estabelecido entre o paciente e o analista, como elemento fundamental do sucesso da análise.

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Esse tipo de aplicação valoriza os aspectos da cultura latina na formação do inconsciente, enquanto também segue a ideias freudianas teóricas, como o manejo clínico de interpretação do inconsciente.

ID, Ego e Superego

Em geral, na psicanálise, o paciente não tem consciência dos vários fatores que definem suas emoções e comportamentos. Neste sentido, segundo a teoria freudiana, existe um divisor da mente entre os níveis consciente, pré-consciente e inconsciente, e um segundo divisor que consiste no ID, Ego e Superego.

De acordo com a psicanalista Cristiane M. Maluf Martin, o ID armazena nossos impulsos mais primitivos, sendo guiado pelo princípio do prazer. "Não há regra para o ID, ele é movido pelos impulsos sexuais, sempre em busca de satisfazer o seu prazer", esclarece.

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Já o Ego é guiado pelo princípio da realidade e representa a produção entre as exigências do ID e as limitações do Superego. Ele é o responsável por tomar as decisões finais e sua função inconsciente é formar a identidade do sujeito (por meio de uma internalização dos traços das figuras parentais).

O Ego também controla a sensação de desprazer que anuncia que alguma coisa não está indo bem, tanto externa como internamente, e nossos mecanismos de defesa (evitando estímulos excessivamente intensos para reduzir as tensões internas).

Por fim, o Superego é consciente e inconsciente, desenvolvido na infância, quando a criança começa a entender normas e regras. Ele é bastante rígido, envolve a censura, a culpa e o medo da punição. Ele age como um juiz para a psique e, para ele, não existe meio termo entre certo e errado.

Conceitos principais da psicanálise

Além dos divisores da mente, Freud também desenvolveu alguns conceitos-chave que norteiam o processo analítico do método. Entre eles, estão:

Libido

A libido é a energia que movimenta toda a desnaturalização do instinto de reprodução (sexual). Para Freud, temos apenas dois instintos: o de reprodução e o agressivo. O reprodutivo só exercerá a sua "função" após a puberdade. Antes disso, ele ficará disponibilizado para se ligar a qualquer objeto que não seja os órgãos genitais.

Este instinto desnaturalizado, isto é, distanciado da "função reprodutiva", pelo longo tempo de dependência do bebê por um cuidador criará o amor. O instinto agressivo já tem objeto para se expressar desde que o bebê nasce (por meio do choro) e só pode ser transformado em violência.

Pulsão

A pulsão é a energia que vem dos instintos impactados pelo afeto amoroso. De acordo com a teoria freudiana, os seres humanos são pulsionais e não instintuais. É um processo dinâmico, consistindo em um impulso que tem como fonte uma excitação corporal localizada (boca, inervação), que coloca em ação um comportamento que visa uma descarga desse impulso.

Dentro deste conceito, há a Pulsão de Vida (Eros), que é uma energia ligada a um objeto libidinizado, com o objetivo de buscar uma unidade ou completude. A não completude é a causa das dores humanas, o sofrimento está relacionado com a pulsão de vida.

E há também a Pulsão de Morte (Thanatos). Como explica Araceli Albino, ela não tem nada a ver com a morte em si, nem significa sofrimento. Na verdade, é um princípio de disjunção. "É a energia que fica sem representação fixa, é a potência que pode ser destrutiva ou criadora, depende de como são representadas no inconsciente", diz.

Complexo de Édipo

O complexo de Édipo é uma construção freudiana fundamental para entender a estrutura psíquica (neurose, psicose, perversão) e a sexualidade (hetero, homo e bissexual). A definição psicanalítica deste conceito é um conjunto de sentimentos amorosos e hostis que a criança (de 5 a 8 anos) sente pelos pais durante esta fase, denominada fálica-genital.

Está ligada à primazia do falo, onde uns têm e outros não, e centra-se nas figuras de amor e ódio e de um "herói", e não na satisfação sexual pura e simples. Constitui-se nas fantasias infantis de estar no centro principal da família, é o desejo de ser o objeto fundamental e único do núcleo familiar.

Transferência

O conceito de transferência está relacionado à aplicação técnica e é fundamental para o processo de cura. É um processo constitutivo do tratamento psicanalítico, criado por Freud, para designar a transferência das noções da infância que o paciente passa para o analista.

Com o acompanhamento profissional, a pessoa irá repetir com o analista as vivências inconscientes que causam sofrimento. Ao reviver isso, de uma maneira diferente do que foi com as figuras parentais, ele terá condições de ressignificar e despotencializar o sintoma. Isso ocorre porque se trabalha com o inconsciente, que não tem tempo, nem espaço. É um dos principais elementos técnicos.

Recalque

"É um mecanismo de defesa que a criança desenvolve para evitar o desprazer, deixando-o inconsciente", explica Areci. Desse modo, a parte consciente do psicológico, o Ego, não reconhece esse mecanismo e não age sobre ele sozinho.

O recalque é um meio de livrar o Ego do sofrimento, deixando a vivência esquecida, mas esbarrando e se ligando a um objeto ou situação semelhante que atuará com a mesma força da vivência anterior (um gatilho), causando os sintomas.

Sonhos

Para Freud, a via régia para se chegar ao inconsciente seriam os sonhos. Segundo ele, os sonhos são manifestações do inconsciente, realizadas a partir de desejos. Esse processo fala muito sobre as representações inconscientes de um sujeito e pode ser interpretado em uma análise por meio da associação livre.

Quando procurar um psicanalista

Diante de tantos conceitos, o indivíduo pode buscar a ajuda de um psicanalista quando sentir que não consegue se livrar dos males que a atingem psiquicamente. A dor psíquica é intensa, afeta os sentimentos, o corpo, a mente, as relações sociais, familiares e conjugais, e provoca ações e comportamentos destrutivos que a pessoa não deseja.

As causas desse quadro costumam estar ?escondidas? nos escombros do inconsciente e é necessário chegar até ele para resolvê-las. Por isso, a psicanálise é um método possível e viável de tratamento.

Referências

Ana Suy, psicanalista profissional

Araceli Albino, psicanalista profissional

Cristiane M. Maluf Martin, psicanalista profissional