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Poliamor: saiba o que é e como funciona nos relacionamentos

O poliamor é uma forma de relacionamento não-monogâmico entre mais de duas pessoas

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O que é poliamor?

O poliamor é uma forma de conjugalidade. É um relacionamento no qual os indivíduos envolvidos mantêm relações afetivas e também sexuais com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, ou seja, de forma não-monogâmica.

A sexóloga Carolina Freitas, da plataforma Sexo sem Dúvida, afirma que, nesse modelo de afetividade, todos os envolvidos na relação sabem e aceitam esta forma de se relacionar. "É ser um 'casal' com mais de duas pessoas, com consentimento, ética e respeito entre todas as partes, independentemente de gênero e orientação afetivo-sexual", explica a especialista.

Indivíduos poliamoristas acreditam que é, sim, possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo e vivenciam estes sentimentos. A relação vai além do sexo em si e envolve amor voltado a mais do que apenas um alguém. São pessoas que se identificam como não-monogâmicas e se permitem a vivenciar esses laços amorosos múltiplos.

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Diferença entre poliamor e poligamia

O poliamor não é o mesmo que a poligamia, pois esta é unilateral, ou seja, uma pessoa é quem decide se casar com outras, independentemente de consentimento, e não há equidade nas relações. "Predominantemente, corresponde ao sexo masculino (poliginia), mas existem raras sociedades em que só a mulher tem o direito de ter outros parceiros (poliandria)", esclarece a terapeuta sexual Livia Leite.

Poliamor e relacionamento aberto

Da mesma forma, poliamor também não é sinônimo de relacionamento aberto. No poliamor, o relacionamento afetivo-sexual é estável, baseado na multiplicidade de parceiros e fidelidade entre eles, com estabelecimento de laços. "São namoros e casamentos, arranjos diversos", exemplifica Livia Leite.

Já nos relacionamentos abertos, seja em namoro ou casamento, as relações extraconjugais não são consideradas traições, pois partem da premissa que reprimir desejos sexuais por outras pessoas pode gerar estresse entre o casal.

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A principal diferença entre as duas formas de relacionamento é que no aberto não há laço amoroso com a terceira pessoa envolvida. Ela geralmente entra pela atração sexual. Quanto ao compromisso, na relação aberta, usualmente é ficar com quem quiser, longe da presença da outra pessoa. No poliamor, o combinado é de viver afetiva e sexualmente entre três ou mais pessoas.

Tipos de poliamor

Polifidelidade

A polifidelidade envolve diversos relacionamentos que são românticos, no qual as vivências sexuais são restritas a membros específicos. Ou seja, define um grupo de pessoas que se relacionam exclusivamente entre si.

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Trisal

O trisal diz respeito a um relacionamento estável a três. Isso acontece quando a terceira pessoa é convidada a fazer parte do casal. Quanto às vivências sexuais, elas podem ou não acontecer sempre a três. Vale pontuar que trisal é um relacionamento, diferente de ménage à trois, que é uma prática sexual que acontece a três, mas não há necessariamente uma relação de casal.

Relação mono-poli

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Em uma relação mono-poli, acontece de uma pessoa ser monogâmica, por escolha, e aceita que o outro ou outros sejam poligâmicos, mantendo relações/vivências externas.

Relação com sub-relacionamentos

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Os sub-relacionamentos acontecem na maioria dos relacionamentos abertos que também tenham alguma abertura afetiva, onde distinguem-se os relacionamentos "primários" (que vieram primeiro) dos "secundários" (que vieram depois).

Acordos geométricos

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Os acordos geométricos têm esta denominação pela ligação entre membros insinuar justamente alguma forma geométrica - por exemplo, um triângulo são três pessoas com a mesma relação entre si. Além disso, a geometria pode variar ao longo do tempo, não é algo estático. Os acordos geométricos mais comuns são:

Ciúmes no poliamor

Mesmo no relacionamento poliamorista, é possível que haja determinado grau de ciúmes. A sexóloga Livia Leite aponta que isso pode eventualmente ocorrer porque, embora a maioria dos poliamoristas entenda que o ciúme é uma construção social, é difícil desconstruir algo que aprendemos a vida inteira como sendo natural.

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Da mesma maneira que impacta os relacionamentos monogâmicos, o ciúmes pode levar até mesmo ao término de uma relação de poliamor. No entanto, quando o sentimento é conversado, é possível superá-lo. Para o poliamor funcionar, o desconforto precisa ser discutido e refletido, sem que exista uma valorização da ideia de ciúmes enquanto prova de amor.

Como falar sobre poliamor com parceiros

Para entender se o poliamor funciona para si, primeiro, é necessário compreender que é possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo e desconstruir modelos tradicionais sobre afetividade. Então, se viver desta forma soar interessante para o indivíduo, pode ser que ele consiga viver uma conjugalidade não-monogâmica, que tem por base essa afetividade não centralizada em uma única pessoa.

Caso tenha a intenção de ter uma relação de poliamor, o ideal é comunicar a outra pessoa a respeito da posição de poliamorista logo no primeiro encontro. Muitos indivíduos já incluem essa informação nos perfis em aplicativos de encontro, por exemplo.

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No caso de pessoas que já estão em um relacionamento monogâmico e pensam em abrir o relacionamento, é indicado conversar sobre o assunto com o parceiro ou parceira. "Pergunte o que o outro acha desse tipo de relação. Procure saber mais sobre isso, existem livros, filmes, séries", aconselha Livia.

Dependendo da relação, não é um assunto fácil de ser abordado, mas esses recursos audiovisuais podem servir para iniciar a conversa. Algumas vezes, é descoberto nesse processo que também há interesse da outra parte em ter novas vivências afetivo-sexuais. "Ainda assim, é importante lembrar que não é solução para relacionamentos em crise", acrescenta Carolina Freitas.

Isso porque alguns casais pensam em adotar o poliamor como uma forma de salvar o relacionamento, o que não é uma noção saudável. A psicóloga alerta que trazer outras pessoas para a relação não é a solução para o que possa estar interferindo na vida a dois. "As questões que podem desencadear a crise devem ser resolvidas e conversadas antes de qualquer mudança na relação", recomenda.

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Referências

Livia Leite, sexóloga e terapeuta sexual

Carolina Freitas, mestre em Psicologia e especialista em Sexualidade da Plataforma Sexo sem Dúvida - CRP 09/8329