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Depressão pós-parto: como ajudar a mãe?

Empatia é fundamental para entender os sentimentos da mulher e ajudá-la a passar por esse período difícil

Estima-se que mais de 25% das grávidas apresentarão depressão pós-parto, condição que pode ter início em até três meses após o nascimento do bebê. Provocada principalmente pela queda hormonal e pelas mudanças drásticas na rotina, é um período em que a mulher afetada apresenta tristeza, choro constante, irritação, culpa, pode perder o interesse por atividades antes prazerosas, ter insônia ou sonolência excessiva, alterações de apetite, além de outros sintomas. O bebê, porém, está ali, exigindo cuidados constantes. O que fazer, então, para ajudar a mãe?

O pai, a família e amigos podem colaborar, e o primeiro passo é acolher o sentimento da mulher. Isso significa compreender que a depressão pós-parto, ao contrário do que muitos pensam, é um sofrimento real.

A psicóloga Isabella Thomé Lopes do Hospital e Maternidade Santa Joana explica que, por questões sociais, é normalmente mais difícil para a mulher pedir ajuda. "Até porque, dentro da maternidade, percebemos que as mulheres não são tão autorizadas a reclamar. Há uma autocobrança muito grande de que é preciso dar conta de tudo", diz.

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"Então elas não pedem ajuda, e a família também tende a menosprezar um pouco, achar que esses comportamentos são frescura ou cansaço, quando na verdade os sentimentos já fugiram um pouco do controle da mulher".

Por causa da desordem hormonal, portanto, a nova mãe tende a responder pela via emocional. "Há também outros fatores, como privação de sono, autocobrança, a adequação à nova vida, a expectativa de criar um bebê - e com isso muitas vezes a mãe não pede ajuda", detalha a psicóloga.

É por isso que aqueles próximos à nova mãe devem ficar muito atentos aos sinais e comportamentos que a mulher apresenta, para dar afeto e apoio, além de explicar a necessidade de buscar um tratamento. O psiquiatra Eduardo Perin, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, explica que há riscos para a mulher e para o bebê quando a depressão pós-parto está presente.

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"A mãe acaba não criando laços afetivos tão fortes com esse bebê, pois sofre muito com a tristeza, com o desânimo e, frequentemente, com a falta de suporte da família. Ela sente que tem de ser forte o suficiente para cuidar da casa e do filho quando não está bem".

É fundamental, então, oferecer um ombro amigo para a mulher em todos os momentos difíceis. Para isso, vale tanto dar suporte emocional como ajudar nos cuidados com a criança, já que os afazeres estão pesados para a mais nova mãe. "A empatia e o apoio durante todo o período são fundamentais para que essa mulher se sinta amada, apoiada, e compreendida", aconselha Perin.

Depressão pós-parto tem tratamento

Ao notar que a mulher está apresentando sintomas de depressão pós-parto, aqueles ao seu redor devem, portanto, incentivá-la a buscar ajuda, se oferecendo inclusive para acompanhá-la à consulta médica.

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"É necessário que os familiares salientem as características que estão vendo na mãe, como tristeza, falta de interesse, isolamento social, alterações de apetite e de sono ou até mesmo a dificuldade que ela está tendo para cuidar do bebê. A mãe precisa ser convencida a buscar ajuda", explica o especialista.

A psicóloga explica que a depressão pós-parto, quando não tratada, pode evoluir para depressão crônica, portanto é importante que o tratamento aconteça o quanto antes. E esse convencimento também se faz com amor, apoio e afeto. "Quando se nota que é um quadro que não é mais esperado para o período pós parto, é importante que ela possa procurar ajuda", aconselha.