Volta ao trabalho: como vou amamentar?

Manter o aleitamento no retorno ao trabalho é uma estratégia de saúde pública e coletiva, por isso é importante buscar soluções para garantir essa alimentação ao bebê

Após um período de dedicação ao bebê, muitas mães enfrentam o término da licença-maternidade em um misto de sofrimento e expectativa. Não é nada fácil abrir mão desse contato contínuo, porém muitas mulheres não podem - e não querem - deixar suas carreiras. Por isso, é importante já ir se planejando para esse retorno ao trabalho.

"Desde a gestação, a mãe deve buscar todas as orientações legais para esse retorno, visando sempre a continuidade do aleitamento", diz Luciano Borges Santiago, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Segundo Santiago, ao conhecer seus direitos, a mãe consegue ficar mais tranquila e se programar melhor para essa volta. "Até que o bebê complete seis meses, a mulher tem direito a dois períodos de meia hora a menos na jornada", ressalta.

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Mas, para o especialista, a principal dica mesmo é aprender a ordenha, pois isso garante à mãe a possibilidade de estocar o leite e manter o aleitamento de forma mais efetiva. Mas que cuidados são importantes ao adotar este hábito?

Dicas e cuidados importantes

O leite pode ser armazenado por quinze dias no freezer ou doze horas em geladeira. E isso possibilita já ter um pequeno estoque no retorno ao trabalho. "É muito importante que a mãe se familiarize com a extração de leite, assim como o bebê deve experimentar e se adaptar a ingerir o leite por colher dosadora ou copinho", diz Cinthia Calsinski, enfermeira obstetra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

No entanto, para que essa estratégia funcione de forma efetiva, é fundamental que a pessoa que irá cuidar do bebê também se dedique a uma nova rotina. Ou seja, precisa aprender a degelar esse leite - que deve ser em banho maria com o fogo ligado baixo - e sempre oferecer ao bebê no copinho ou colher dosadora, fazendo-o tocar o leite e lamber.

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Se não seguir essa regrinha e oferecer a mamadeira pela praticidade, o risco de desmame é alto. "A forma de sucção na mamadeira é mais fácil exigindo menos esforço da musculatura, por isso o bebê passa a não querer pegar mais o peito", explica Santiago.

Portanto, manter o aleitamento materno ao retornar ao trabalho é possível, mas requer dedicação. É importante que a mãe mantenha a produção de leite por meio da ordenha com bomba ou as mãos, colocando o bebê para mamar sempre que possível.

"Não é necessário parar de amamentar, aliás manter o aleitamento na volta ao trabalho é uma estratégia de saúde pública e coletiva", garante Cinthia.

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Afinal, os benefícios não são apenas para mãe e bebê, mas também ao empregador que poderá constatar uma diminuição de ausências dessa mulher ao trabalho. "Esse é um momento muito sensível para ela, e se for ajudada irá produzir mais e faltar menos", diz Santiago.

Aliás, um estudo americano publicado em 2012, mostrou que cada 1 dólar de incentivo ao aleitamento garantia até 3 dólares de retorno financeiro, pois melhorava a saúde de ambos: mãe e bebê.

"Quanto mais a mulher amamenta melhores são os benefícios em relação a imunidade da criança", completa Cinthia. Por isso, a recomendação é de que a amamentação siga exclusiva por seis meses, e se mantenha de maneira complementar até dois anos.

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