A importância de ter uma rede de apoio no primeiro ano

A chegada de um bebê muda completamente a vida da mãe, e ajudas são bem-vindas

Já diz o provérbio africano: "É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança". Ele é muito certeiro e vale para qualquer lugar do mundo: toda mulher precisa de ajuda quando se torna mãe. Toda nova mãe precisa de uma rede de apoio no primeiro ano de vida do bebê, período em que as transformações são muito rápidas e em que muita coisa acontece: amamentação, introdução alimentar, primeiros passos, primeiros dentinhos. São muitos acontecimentos para uma pessoa encarar sozinha.

"Mesmo que não seja o primeiro bebê, é necessário um tempo, além de descanso e adaptação, até a mãe entender as necessidades desse novo filho ou dessa nova filha", justifica Talita Perboni, neuropsicóloga do INC (Instituto de Neurologia e Cardiologia de Curitiba).

A psicóloga Carla Guth, especializada em família e construcionismo, concorda e reforça que o auxílio da rede de apoio da mãe é importante também para o bebê: "Ela ajuda muito para que a mãe possa estabelecer um apego mais seguro com a criança. Se a mulher estiver tranquila e tiver uma rede de apoio que a ajude fisicamente e afetivamente, ela estará muito mais segura para atender às necessidades de seu bebê. Uma mãe mais disponível impacta positivamente na relação com o filho ou a filha, que fica mais bem cuidado."

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Rede de apoio, sim, mas respeitando o tempo da mãe

Ter a devida preocupação com tudo isso é um sinal de afeto pelo momento especial que é o primeiro ano pós-parto. "A mãe volta da maternidade com transformações corporais e emocionais importantes. Ela normalmente tem algumas dores decorrentes do parto, pode ter dificuldade para amamentar, sente mais sono e alguma ansiedade. Precisa ser amparada", afirma Perboni.

Mas, observa Guth, "muitas vezes, a mulher demora um pouco para aceitar e permitir que essa rede de apoio venha até ela". A psicóloga conta que há aquelas que achem que têm que fazer tudo e dar conta das responsabilidades sozinhas. "Leva um tempo para perceberem que ficam exaustas e aceitarem que precisam. É um tempo de desenvolvimento psico-afetivo em relação às novidades da maternidade", diz.

E isso deve ser respeitado: se a mãe não se mostra aberta para companhias e confortável com a presença de outras pessoas, nada de impor uma rede de apoio. Na hora certa, as pessoas certas serão solicitadas e poderão colaborar na medida em que as necessidades surgirem.

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Qual é a rede de apoio ideal?

Não existe fórmula para a composição de uma rede de apoio materna, mas é possível defini-la em termos de "quem está disponível para a mãe afetivamente", segundo as especialistas. Pode ser uma amiga próxima, a própria mãe (a avó do bebê), alguém da família, o parceiro ou a parceira.

Em casos em que a mulher esteja longe da família e dos amigos próximos - em outra cidade ou país, por exemplo -, uma babá ou uma enfermeira pode fazer as vezes de rede de apoio. "Alguém que escute essa mãe e não jogue conhecimentos em cima dela, o que a deixaria confusa e insegura; alguém para segurar o bebê enquanto ela toma banho, que ajude a tornar o dia a dia desse novo arranjo familiar melhor", resume Guth.