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Marcelo Melo disputou a partida mais demorada da história do tênis

Com 25 anos de idade e 16 de esporte, o atleta brasileiro destaca-se mundo afora

Inspirado pelos pais, Marcelo Melo começou cedo no tênis: com apenas nove anos, ele já fazia parte da equipe do Minas Tênis. Aos 11, já viajava competindo em torneios internacionais e somava títulos para o País. Hoje, com 25 anos, Marcelo já conquistou campeonatos como o ATP de Estoril, em Portugal, no inicio de maio de 2007, e o ATP de Adelaide, em janeiro de 2008.

Ao lado de André Sá, Marcelo foi semifinalista de Wimbledon 2007, fato inédito para o tênis masculino do Brasil, e entrou para a história do tênis mundial ao disputar a partida mais demorada (102 games) e o quinto set mais longo de todos os tempos com 54 games (28 a 26). Em entrevista exclusiva para o MinhaVida, o atleta conta um pouco sobre sua trajetória no esporte, revelando como fez para superar uma série de obstáculos e como é a rotina de um tenista profissional no Brasil.

Por que você começou tão cedo no tênis?
Eu comecei a jogar por causa dos meus pais, que praticavam todos os finais de semana. Tomei gosto e resolvi me aperfeiçoar cada vez mais até me tornar profissional.

Que obstáculos você enfrentou?
Vários. Mas, para um atleta do tênis, o maior deles é a falta de patrocínio. Quase todos os tenistas brasileiros acabam passando por isso, o que acaba atrapalha no desenvolvimento do jogador. Quando eu acertei a minha parceria com a Centauro, minha carreira melhorou em todos os aspectos.

E qual o segredo da dieta de um bom tenista?
Massas são fundamentais, mas a alimentação precisa ser balanceada e rica em todos os nutrientes. Uma má alimentação pode influenciar muito no desempenho dentro das quadras, disso não tenho dúvidas. Graças a Deus, não tenho tendência a ganhar peso. Tento comer ao máximo massas, frangos e evito alimentos gordurosos .

Como funciona sua rotina de treinos? O que muda nas temporadas de competição?
Treino duas vezes por dia. Fico na quadra por volta de 3 horas e faço a parte física por cerca de duas horas e meia. Durante a competição, os treinos são de acordo com os jogos, assim pode variar muito a quantidade de horas em quadra.

E qual a pior parte da vida de um atleta?
Ficar muito tempo longe da família e dos amigos, sem dúvida.

A rotina de treinos e competições atrapalha sua vida pessoal?
Quando você decide ser tenista profissional, já sabe que, na maior parte das vezes, não pode levar uma vida social normal.

No seu esporte, em quem você se inspira?
Hoje, com certeza, uma pessoa que me inspira é o tenista Roger Feder.

Você já teve de abrir mão de alguma coisa importante por causa do esporte?
Tive que abrir mão de fazer universidade, quando você vira tenista profissional, você acaba ficando sem tempo para estudar, apesar de achar isso muito importante.

O esporte atrapalha seus relacionamentos? Alguma namorada já terminou por causa disso?
O que atrapalha é o tempo que você fica fora de casa. Assim, fica difícil encontrar uma pessoa que entenda seu lado e tenha coragem para ficar com você. São viagens, treinos, competições. Mas comigo isso não aconteceu e tomara que nunca aconteça. A minha atual namorada entende minhas viagens e sabe que eu preciso treinar e competir.

Na escolha de material esportivo alguém te dá dicas?
Eu tenho patrocínio da Babolat. E sempre testo a raquete antes de escolher, para ver qual será a melhor para o meu jogo.

Qual a importância do Guga para o tênis no Brasil?
Ele tornou o tênis mais popular, hoje qualquer brasileiro sabe quem é o Guga e o que é o tênis.

O que os países que se destacam no tênis têm de especial comparados ao Brasil?
Eles tem uma estrutura melhor para os jogadores, como centros de treinamentos, muitas quadras publicas. No Brasil, faltam centros de treinamentos onde você possa reunir os melhores jogadores, por exemplo.

Você tem lembrança de alguma história engraçada ou inusitada das viagens para competir?
Claro. Voltando da Austrália, com 3 horas de voo, uma turbina do avião resolveu parar, tivemos que voltar para Sydney com uma turbina a menos, e eu já estava um pouco assustado. Quando voltamos para a pista de embarque, ara reiniciar a viagem, percebi que iria embarcar no mesmo avião que tinha dado problema antes, consertado. E o pior: tínhamos quase doze horas de voo pela frente.

Você é supersticioso, faz algum ritual antes de começar o jogo?
Antes de entrar em quadra não costumo fazer nada de diferente, mas sempre tomo banho no mesmo chuveiro no vestiário.

Qual o seu maior desafio, atualmente, pensando no esporte?
Meu maior desafio hoje é ganhar um torneio Grana Selam, como Wimbledon.