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Esclareça suas dúvidas sobre a obesidade infantil

Especialista responde as principais questões sobre a obesidade infantil e ajuda a superar o problema

A obesidade infantil aumentou nos últimos anos no Brasil. Os dados mais recentes do IBGE sobre o assunto, de 2008-2009, mostraram que uma em cada três crianças de 5 a 9 anos está acima do peso e que 16% das crianças nesta faixa etária tem obesidade.

Este aumento de peso ocorreu principalmente devido às mudanças nos hábitos alimentares. Para se ter uma ideia um estudo deste ano do Ministério da Saúde revelou que 60,8% das crianças com menos de dois anos de idade comem biscoitos, bolachas e bolos e que 32,3% tomam refrigerantes ou suco artificial.

A obesidade na infância favorece uma série de problemas de saúde. Sendo que as principais complicações que podem ocorrer são: colesterol alto, hipertensão, diabetes tipo 2, problemas ósseos, síndrome metabólica, distúrbios do sono, esteatose hepática não alcoólica, puberdade precoce, depressão, asma e outras doenças respiratórias, condições de pele como brotoeja, baixa autoestima e problemas de comportamento.

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Por isso, a pediatra especialista em endocrinologia pediátrica Luciana Izar, membro da equipe do Centro de Obesidade Infantil do Hospital Infantil Sabará, esclareceu as dúvidas dos nossos leitores sobre obesidade infantil.

Você perdeu o chat? Então, confira os melhores momentos abaixo:

João: Como convencer a criança a acreditar no risco de obesidade infantil para tentar seguir uma alimentação mais saudável?

Dra. Luciana Izar: Até a fase da adolescência a criança terá uma ideia desses riscos se ouvir sobre o assunto em casa e na escola, porém, a preocupação e o entendimento maiores serão sempre dos pais.

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Michelle: Com a chegada da adolescência uma criança gordinha tende a emagrecer?

Dra. Luciana Izar: Sim, mas veja, é importante que na fase de estirão de crescimento a criança esteja no máximo no sobrepeso para que mantendo o peso o crescimento ajude a emagrecer. Se a criança estiver obesa nessa fase, tem um risco de 80% de se tornar um adulto obeso, apesar do crescimento.

Melissa: Luciana, você tem sugestões de exercícios práticos que possam ser feitos no cotidiano pelas crianças, no combate a obesidade infantil?

Dra. Luciana Izar: Aumentar caminhadas, subir e descer escadas, andar de bicicleta, pular corda, jogar bola, brincadeiras ao ar livre em grupos, o importante é limitar o tempo gasto com televisão, videogame e computador para no máximo duas horas por dia.

Lyra: Por que as crianças estão acima do peso, quais os sintomas e como tratar isso?

Dra. Luciana Izar: A causa é o excesso de calorias ingeridas e o baixo gasto calórico das crianças atualmente. O paciente geralmente não tem um sintoma, por isso, é importante o acompanhamento pediátrico para o diagnóstico. O tratamento é a reeducação alimentar e estímulo de atividade física.

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Ana Cecília: Como colocar uma criança para fazer dieta?

Dra. Luciana Izar: O importante é não encarar como uma dieta, mas como uma alimentação saudável e estilo de vida saudável onde toda a família deve estar envolvida e dar o exemplo.

Lidiane: Como posso reduzir a quantidade de doce ingerida pelo meu filho?

Dra. Luciana Izar: Incentive o paladar da criança para as frutas, não desista após a primeira recusa, faça sobremesas de fruta com mel, canela, tornando mais aceitável. Deixe doces para festas e final de semana.

Francieli: Quais os principais problemas causados pela obesidade infantil?

Dra: Luciana Izar: Mesmo sem alterações de exames o sobrepeso e a obesidade infantil reduzem os anos de vida da criança além de prejudicar a qualidade de vida dela que pode apresentar queixas associadas à esse sobrepeso, como cansaço, dor em articulações, distúrbio do sono, problemas na escola e um aumento de risco de apresentar alterações de exames como diabetes, colesterol elevado, necessitando de medicação precocemente.

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Maria Olinda: A obesidade infantil é hereditária ou não?

Dra: Luciana Izar: A genética contribui para o ganho excessivo de peso, mas é um fator imutável. Com certeza a mudança de alimentação da família, com alimentos saudáveis, pode reverter o quadro de obesidade infantil.

Loivana: Crianças prematuras correm mais risco de desenvolver colesterol elevado e diabetes?

Dra: Luciana Izar: Não necessariamente a prematura, mas aquelas crianças que apresentaram restrição de crescimento intrauterino, ou seja, parada de crescimento dentro do útero. Essas crianças sim tem um risco maior de desenvolver obesidade e alterações secundárias. Essas crianças deveriam ser acompanhadas por um endocrinologista pediatra.

Fatima: Quais são os alimentos ideais que devemos dar a crianças de 1 a 2 anos para evitar a obesidade infantil?

Dra: Luciana Izar: A criança deve receber porções de carboidrato, legumes, verduras, leite e derivados, proteína e gordura em proporções orientadas pelo pediatra. Não é necessário oferecer produtos ricos em açúcar.

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Janete: Por que as crianças com Síndrome de Down têm maiores chances de desenvolver a obesidade?

Dra: Luciana Izar: As crianças com Síndrome de Down apresentam um balanço energético predominantemente positivo o que faz parte da síndrome, além disso, é comum a menor estatura e doenças hormonais associadas como hipotireoidismo.

Julia: É normal bebês que só mamam engordarem três quilos por mês?

Dra. Luciana Izar: Bebês em aleitamento materno exclusivo também podem apresentar excesso de peso, é importante acompanhar com pediatra que se detectar o excesso de peso fará sugestões como mamadeiras de água e introdução mais precoce de sucos e papinhas.