Quanto custa ter um filho?

Tenha uma ideia de quanto dinheiro é necessário para fazer desde o enxoval à emancipação financeira - e como lidar caso o planejamento sofra contratempos

Fazer enxoval, escolher maternidade e pediatra, se adaptar aos primeiros meses com o bebê, escolher a primeira escolinha, pensar na escola em que serão feitos os ensinos fundamental e médio... São muitas as preocupações de um casal que decide aumentar a família, e uma questão que permeia tudo isso muitas vezes passa quase despercebida: a financeira. Ter um filho custa dinheiro, e não é pouco.

O assessor de investimentos Clauber Marcelo Gomes, da Farol Capital Investimentos, fez cálculos que dão uma visão bem clara disso. O primeiro cálculo contempla o enxoval, e os valores variam de acordo com as escolhas dos pais, é claro - todos os itens podem ir da categoria popular à de luxo. Tomando por uma média, estima-se que seu total chegue perto de R$ 13 mil.

O segundo cálculo começa com o valor de enxoval e segue com o investimento em educação formal (do ensino infantil ao curso superior), atividades extracurriculares e plano de saúde para o filho ou a filha - considerando que isso tudo vá até por volta dos 25 anos de idade. O valor total estimado supera um pouco os R$ 500 mil.

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Com quanta antecedência é bom se preparar financeiramente para ter um filho?

Gomes recomenda que o planejamento financeiro para ter um filho seja colocado em prática com dois anos de antecedência. "Mas, se conseguir fazer antes, melhor. No momento em que decidir que quer ter um filho, o casal pode começar a poupar, mesmo que só vá concretizar em cinco anos", recomenda o assessor.

Neste momento, o investimento recomendado por Gomes é a previdência privada. O valor determinado é baixado da conta corrente em uma data fixa, vai aumentando o montante "do bebê" e permite saques a qualquer momento. Em caso de imprevisto (desemprego ou gasto inesperado que impeça a reserva do valor mensal), as contribuições mensais podem ser paralisadas - e o valor já guardado continua rendendo. Quando a situação voltar ao normal, o valor volta a ser depositado e pronto.

"O contrário também é possível: se a família recebe um dinheiro inesperado e resolve investi-lo na previdência do bebê, pode fazer um depósito maior que o mensal. É um investimento que se molda à realidade das pessoas", afirma.

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Como lidar emocionalmente com contratempos financeiros?

A burocracia para ajustar os contratempos financeiros à reserva mensal dedicada ao filho é simples, como explicou o assessor de investimentos. Mas, muitas vezes, é a parte emocional que pesa quando o planejamento sai do controle.

As psicólogas Carla Guth, especializada em família e construcionismo; Gisele Capela , especializada em psicologia clínica; e Damiana Angrimani, especializada em perinatal, dão, a seguir, quatro dicas para manter o equilíbrio emocional e a saúde mental caso isso aconteça.

Não se culpe - nem culpe o outro

Todos estamos sujeitos a passar por crises, e atribuir culpa abala a estrutura familiar. Além de não se culpar nem apontar o dedo para seu companheiro ou companheira, é importante transmitir confiança e reforçar que vocês vão superar isso juntos caso perceba que seu companheiro ou companheira está se martirizando.

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Reveja e assuma as prioridades

Na hora do aperto, é preciso pesar o que é mais importante: sair para jantar e ir ao cinema uma vez por semana, por exemplo, ou guardar dinheiro para conseguir encarar as contas relacionadas ao filho ou à filha?

Se a vida social for imprescindível para a felicidade do casal, deve ser mantida - e dá-se um jeito na poupança para o pequeno. Se for considerado que a economia de dinheiro é mais importante, isso deve ser assumido de peito aberto.

Converse sobre a situação financeira

Ao notar que algo está fora do planejado em termos de finanças, qualquer uma das partes deve abrir a conversa com a outra pessoa. Se já houver filhos maiorzinhos, dá para conversar com eles a respeito de mudanças temporárias necessárias (em um grau de linguagem e de informação adequado para a compreensão da criança ou adolescente). Nunca se deve guardar as observações, inseguranças e mesmo ideias de melhorias financeiras familiares para si. Honestidade e afeto são primordiais.

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Não desista de ter o filho

Nunca é demais ressaltar que contratempos acontecem e o dinheiro pode faltar a qualquer momento. Se a situação financeira piorou, pense em comprar itens mais simples para o enxoval, considere uma escola com mensalidades mais baratas ou pública, mas não precisa desistir de aumentar a família por causa disso. A desistência de um plano de vida tão importante por causa de algo tão passageiro quanto dinheiro pode levar a problemas como a depressão. A vida muda rapidamente!