PUBLICIDADE

A interrupção do fumo e o ganho de peso

Como equilibrar esta relação?

A evidência do poder de vício do cigarro foi, recentemente, reafirmada por uma pesquisa da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A pesquisa revelou que dois terços das pessoas que experimentam um cigarro se tornam viciadas. Os pesquisadores ainda dão conta de que a nicotina é a droga que mais causa dependência quando comparada às outras. O fato de ela ser socialmente aceita, como o álcool, talvez colabore para isso. Mesmo com toda a legislação, considerada avançada no combate ao tabagismo no Brasil, a pesquisa revelou que 20% dos brasileiros ainda fumam, e quase 50% deles estão na região Sudeste.

São inúmeras também as evidências do poder agressivo à saúde representado pelo tabaco. Ele lidera as causas da maioria das doenças crônicas, doenças cardiovasculares e câncer e representa a maior causa de morte potencialmente evitável no mundo. Apesar de todas essas evidências, muitas pessoas ainda têm muita dificuldade em interromper o fumo, demonstrando ainda mais o enorme poder desse vício.

Fumar tem deixado de ser glamuroso e tem passado a ser constrangedor. O cerco ao hábito de fumar através de leis internacionais tem tornado muito difícil a vida dos fumantes. Recentemente, em São Paulo, foi aprovada talvez a mais rigorosa lei anti-fumo de toda a legislação que regulamenta o hábito de fumar no mundo. Apesar das opiniões contrárias entre fumantes e não fumantes e das motivações de cada um, parar de fumar é sempre uma meta de saúde, uma vitória individual, uma atitude inteligente e madura.

O que ocorre, na maioria das vezes, é que a partir da consciência da necessidade de parar de fumar passa a ocorrer um processo progressivo de maturidade rumo à interrupção do fumo. O fumante pode até levar mais de um ano para conseguir largar o cigarro, mas o processo é irreversível. Ele pode até ter recaídas freqüentes, mas não admite mais o ato de fumar. Esta ação passa a incomodá-lo e a preocupá-lo. Esse processo, em muitas pessoas, é irreversível e precisa ser bem conduzido para que se viabilizem atitudes que auxiliem o processo de abandono do vício, como a prática de atividade física e uma melhora do padrão alimentar.

Parar de fumar x engordar

Parar de fumar predispõe ao ganho de peso. Vários fatores concorrem para este fato. Inicialmente, a bem conhecida redução do apetite causada pela nicotina deixa de atuar, liberando os estímulos de fome que passam a ser normais ao invés de exacerbados, como pensam alguns. Além disso, o paladar e o olfato tornam-se mais sensíveis aos alimentos, que adquirem sabores e cheiros irresistíveis, fazendo com que as glândulas salivares atuem, produzindo mais saliva na expectativa de ingestão do alimento tão desejado.

Como se não bastasse tudo isso, a suspensão do fumo gera ansiedade, que, por sua vez, acarreta em mais vontade de comer do que fome real. Ao parar de fumar, somos tomados por estranhas sensações físicas e psicológicas, sobra um vazio... Uma falta do que fazer com as mãos... Dá saudades do prazer abandonado. Em momentos de muita tensão ou quando bebemos, esta fissura aumenta, mas é muito importante saber que ela também passa. É preciso ser paciente e aprender a esperar porque esta sensação vai passar.

O risco do ganho de peso não deve ser um impedimento para as pessoas que pensam em parar de fumar. Conhecendo este risco e seu potencial efeito deletério, os pacientes não serão pegos de surpresa e poderão ser preparados para enfrentá-lo de maneira tranqüila e consciente.

Dicas

É possível parar de fumar e não engordar:

1)Seguindo um plano alimentar que fracione alimentos e evite aqueles que naturalmente se relacionam fortemente com o fumo, como as bebidas alcoólicas e o café;

2)Devem ser priorizados aqueles que afastam a vontade de fumar, como as balas e os doces em suas versões lights, principalmente aqueles com sabor mentolado e de frutas.

Parar de fumar não faz o paciente sentir fome além do normal. O que ocorre é que ao abandonar o cigarro, o paladar volta a funcionar e surge a fome normal dos não fumantes, antes reprimida pelo fumo.

Outro ponto importante em relação ao risco de recaídas em situações praticamente tidas como vitoriosas em relação à interrupção do fumo é a grande vulnerabilidade ao uso de certos medicamentos para emagrecer como as anfetaminas (femproporex, anfepramona). Essas drogas, por terem um potencial de dependência, estimulam fortemente o desejo de outros vícios anteriormente interrompidos, principalmente o de fumar novamente. Logo, esse é outro dos inúmeros motivos pelos quais as anfetaminas devem ser evitadas.

Atualmente, além dos adesivos e das gomas, vários medicamentos podem ser usados como coadjuvantes na interrupção do hábito de fumar. Auxiliam na redução da ansiedade relacionada à interrupção do fumo e na compulsão alimentar desencadeada pela abstinência do tabaco. Logo, além da "força de vontade" que sempre solicitamos dos nossos pacientes, eles podem contar com ajuda medicamentosa real.

Outros aliados

Outro importante fator que pode ajudar tanto a parar de fumar, como a manter o peso durante esse processo, é a implementação de atividade física, principalmente aeróbica. Os exercícios físicos, através da liberação de endorfinas, melhoram o humor e reduzem a ansiedade. Além disso, melhoram a oxigenação dos tecidos e a eficiência respiratória, aumentam a sensação de bem estar e a disposição. E por fim, aumentam o gasto calórico, o que possibilita uma dieta mais generosa em carboidratos, os grandes aliados da interrupção do fumo.

Dra. Ellen Simone Paiva Médica é especializada em endocrinologia e nutrologia. Diretora clínica do CITEN - Centro Integrado de Terapia Nutricional.

Para saber mais, acesse: www.citen.com.br