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Câncer provoca pânico em toda a família

A hereditariedade assusta quando há diagnóstico de um parente

A grande maioria dos cânceres ocorre por certas predisposições genéticas, associadas a fatores externos como tabagismo, alcoolismo, medicamentos, exposição à radiação solar, fatores ocupacionais e hábitos alimentares e sexuais. Cerca de 5% dos casos da doença, no entanto, são causados exclusivamente por hereditariedade.

Pensando em como orientar quem tem esse tipo de câncer o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (ICESP) criou um programa de aconselhamento, para que os pacientes já diagnosticados saibam como agir com seus familiares próximos.

Os cânceres de origem genética são causados por genes anormais, repassados dos pais ou mães para os seus filhos. Se uma pessoa nasce com algum desses genes alterados, não significa que ela certamente vai desenvolver o câncer. Significa apenas uma chance maior de ter a doença, em comparação com uma pessoa que não tem a mesma alteração genética.

Sempre que há uma suspeita de câncer hereditário, é recomendado que os membros da família façam exames de prevenção com mais freqüência do que a maioria da população. Assim, se o câncer se manifestar, ele poderá ser diagnosticado nos estágios iniciais, quando a resposta ao tratamento é melhor.

A predisposição hereditária a certos tipos de câncer pode ser detectada por meio de exames desenvolvidos para identificar o gene alterado a partir da análise minuciosa de uma pequena amostra de sangue. A detecção da mutação não significa a manifestação da doença, mas é um importante instrumento para prevenir o seu aparecimento ou para interferir na sua evolução.

Antes de indicar qualquer teste é feita uma avaliação psicológica para verificar a compreensão do paciente sobre o assunto. Para a oncologista Maria Del Pilar Estevez Diz, coordenadora do ambulatório de oncologia clínica do ICESP, o paciente precisa, antes de tudo, compreender o impacto que uma informação como o diagnóstico de um câncer hereditário terá para ela e para seus familiares.

"Tenho uma paciente que pode pagar pelo exame genético em uma instituição privada, mas não quer fazê-lo no momento. Ela prefere esperar para comunicar possíveis resultados à própria filha, que hoje é muito pequena para enfrentar e compreender um diagnóstico como este. É uma situação muito delicada", diz a médica. Desde o início das atividades do ambulatório, mais de 300 pacientes já receberam orientações sobre cânceres de origem genética.